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Luiz Fernando Guimarães fala sobre hate nas redes: 'Devem ser pessoas com problemas'

BRCOM by BRCOM
junho 3, 2026
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Luiz Fernando Guimarães fala sobre hate nas redes: 'Devem ser pessoas com problemas'


Luiz Fernando Guimarães não é do tipo que se incomoda ao ser chamado pelo nome de um personagem. “Já passei dessa fase. São boas lembranças”, diz o ator, de 76 anos, às voltas com as celebrações dos 50 de carreira. Frequentemente lembrado por papéis como o Rui, da série “Os normais”, da TV Globo, ou pela atuação no icônico grupo de teatro Asdrúbal Trouxe o Trombone, sucesso dos anos 1970, entende que carrega todas essas experiências na bagagem. Mas sabe que é para frente que se anda. “Não sou melancólico nem sinto saudade”, afirma. “Contudo, não jogo nada fora. Represento várias criações que passaram por mim ou pelas quais passei. Vou somando e conquistando novas interpretações.”
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Entre as mais recentes está Otávio, protagonista da peça “Baixa sociedade”, que estreia no Rio nesta sexta-feira, no Teatro Clara Nunes, na Gávea, onde fica em cartaz até 26 de julho. A comédia escrita por Juca de Oliveira (1934-2026) no fim da década de 1970 traz uma contundente crítica social ao contar a história de um homem disposto a diversas falcatruas para ascender socialmente. Ou seja, um clássico atemporal. “O público não se identifica diretamente com o personagem, mas, invariavelmente, conhece alguém naquela situação”, diz o ator, que contracena com Isabella Santoni, Paulo Mathias Jr. e Bruna Trindade. “Acho incrível um texto escrito há tanto tempo ecoar ainda hoje.”
E nada como alguém dotado de uma trajetória tão extensa para dar conta desta mensagem. Diretor da peça, Pedro Neschling afirma sentir um encantamento pela atuação de Luiz. “É um ícone, uma das maiores referências da comédia brasileira. E essa memória afetiva vem à tona quando ouvimos a voz dele. É capaz de nos fazer rir até lendo bula de remédio”, ilustra. “Ele consegue trazer o Otávio para 2026.”
O tempo, afinal, corre diferente para esse carioca, que atravessa a sétima década de vida sem grilos com a idade e a aparência. “Nunca pensei na longevidade e me sinto muito bem”, afirma. A única ressalva é em relação à frequência na ginástica, prejudicada pelo excesso de trabalho e por uma gripe que já dura três semanas. Ainda assim, o ator que, na época de “Os normais”, vivia na academia para sair bem nas cenas de cueca, segue em paz com o espelho. “Não senti esse peso porque não leio esse tipo de comentário (nas redes). Existe um público meio violento e agressivo com os artistas”, reconhece. “Quando posto alguma coisa ainda há quem faça questão de falar algo negativo. Mas devem ser pessoas com problemas com a própria vida. Não trago isso para mim. Estou feliz em seguir fazendo aquilo que gosto.”
Aos 76 anos, carioca diz não ser saudosista em relação ao passado
Deco Cury
Antes do ofício que o consagrou, Luiz Fernando trabalhou como bancário até encontrar no teatro um jeito de quebrar a timidez. Um match dado quando esbarrou com uma turma que vivia o chamado desbunde, numa cena em que os artistas se reuniam nas praias do Rio, de onde partiam, ao cair da noite, para shows e peças históricas. “Comigo, se deu um pouco tarde, com uns 25 anos. Conheci o pessoal do Asdrúbal ali no Posto 9, em Ipanema, naquela época meio hippie, e amei de cara”, recorda-se. “Mas nunca fiquei muito deslumbrado, até porque tinha muitos artistas na família, como poetas e músicos.”
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Ao reiterar o quanto não é preso ao passado, o ator permite-se apenas uma concessão: “Sinto saudade de quando meus filhos eram pequenininhos”. Os irmãos Olivia, de 13 anos, e Dante, de 15, foram adotados em 2020 por ele e o marido, o empresário Adriano Medeiros, e estão entrando na desafiadora adolescência. “Conversamos bastante sobre proteção (em relação ao sexo), mas tudo na medida, para que eles se abram conosco”, comenta Luiz. “O meu maior medo é em relação a drogas, porque isso leva a outros ‘departamentos’, como a marginalidade e a incompreensão. De todo modo, aprendemos muito com eles também. E é legal, sabe por quê? A vida, assim, não tem estagnação.”
A mesma fluidez aparece nas falas quanto à longevidade do relacionamento com Adriano. Uma história que, pelos cálculos do ator, gira em torno de 35 anos. “Ele sempre trabalhou com hotelaria e viaja muito”, conta. “Temos nos visto pouco esses dias. Acho isso uma boa. Viajamos juntos, vamos para o nosso sítio, temos nossos amigos em comum, assim como tenho os meus, e ele, os dele. Isso faz com que a vida fique mais tranquila, sabe? Somos um casal feito de duas pessoas diferentes. Conversamos bastante e, depois de tantos anos, fomos criando uma forma de pensar.” A vida, afinal, sempre presta, já disse uma de suas melhores amigas.

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