O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abre sua campanha à reeleição neste domingo (16) em um evento no estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, local dos primeiros comícios do presidente na década de 1970. Ele está ao lado de Fernando Haddad (PT), que tenta derrotar o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) na corrida pelo governo do estado de São Paulo.
Lula subiu ao palco após uma contagem regressiva de 13 minutos, em referência ao número de urna do PT. Ele assistiu a depoimentos de colegas do movimento sindical, com relatos sobre a repressão da greve na ditadura. Na sequência, recebeu o grupo presencialmente com uma versão instrumental do jingle “Lula Lá”, de 1989.
O campo e as arquibancadas do Estádio 1° de Maio começaram a ser preenchidos a partir das primeiras horas da manhã, com caravanas de militantes. A área principal, com paletes no gramado, era dividida em dois setores. Candidatos ficaram perto do telão, no setor VIP, onde o esquenta do evento teve entrevistas.
Foram colocados bandeirões nas arquibancadas, que eram retirados à medida que o público extrapolava o espaço disponível. Fotos históricas e backdrops com pôsteres de eventos antigos incentivavam selfies e barulho nas redes sociais.
Um enorme telão foi montado ao fundo para transmitir os discursos e filmes preparados para o evento. Dele se estendia uma passarela de vários metros, com o chão revestido de vermelho, que tinha na extremidade uma pequena mesa com seis cadeiras e dois guarda-sóis.
O evento começou com discursos de aliados de vários estados, como Santa Catarina e Paraná. As candidatas da chapa da esquerda ao Senado, Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede), também empunharam o microfone e falaram nos primeiros momentos do ato. Outros que discursaram foram representantes de movimentos sindicais de trabalhadores.
O encontro foi divulgado pelo PT como o mote “Onde tudo começou”, em referência às greves lideradas por Lula no ABC quando era diretor do Sindicato dos Metalúrgicos, em 1979, antes da fundação do partido. A ideia é destacar a “biografia” do petista e a conexão com os trabalhadores. A assessoria de Lula, estima o público esperado em 20 mil pessoas.
Pesquisa
Lula começa oficialmente a campanha pressionado pela piora no cenário de intenção de voto em um eventual segundo turno e a consolidação de um empate com Flávio Bolsonaro. Pesquisa Quaest divulgada nesta sexta-feira — a primeira contratada pela TV Globo e pelo jornal O GLOBO — mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 43% das intenções de voto em eventual segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL), que marca 40%.
Na prática, o resultado faz com que se volte ao patamar anterior ao caso “Dark Horse”, quando, em meados de maio, soube-se do elo entre Flávio e o banqueiro Daniel Vorcaro, do banco Master. Depois dali, Lula chegou a abrir oito pontos de distância para o adversário no segundo turno, mas a vantagem caiu. Hoje, considerando a margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos, o placar configura empate.
Se comparada ao levantamento divulgado no início da campanha de 2022, a sondagem de ontem mostra Lula em situação mais desconfortável agora. Há quatro anos, ele tinha 51% de intenções de voto na projeção de segundo turno contra Jair Bolsonaro, que recebia 38%. No primeiro turno, 45% a 33%.
Rejeição
Outro desafio para o petista é que a nova pesquisa Quaest mostrou que a desaprovação ao governo voltou a ultrapassar numericamente a aprovação. De acordo com o instituto, 48% desaprovam a gestão do petista, enquanto 46% aprovam. Além disso, 6% não sabem ou não responderam.
A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. Na última rodada realizada pelo instituto, no começo de agosto, essas taxas foram de 48% de aprovação e 47% de reprovação. Há um ano, a desaprovação era de 51% e, no mês passado, de 47%. Já a aprovação foi de 46% para 48% entre agosto de 2025 e julho de 2026.
Início da campanha
A campanha de Lula avalia que o início oficial da disputa abrirá espaço para explorar os pontos fracos do candidato do PL. Petistas apostam que a exposição permitirá desgastar a imagem do adversário. O cenário de estabilidade em relação à pesquisa anterior e a liderança de Lula também são citados, bem como as possíveis vantagens do enfrentamento direto entre as duas candidaturas.
— As pesquisas refletem neste momento a instabilidade do eleitor. Vamos começar ainda a campanha de rádio e TV. É quando vamos poder debater proposta, projeto e o que a candidatura do presidente Lula representa — afirma o presidente do PT, Edinho Silva.
O PT prepara uma artilharia para atacar o adversário, com destaque para o caso “Dark Horse”. A campanha de Lula pretende ainda investir na comparação entre o atual governo e a gestão de Jair Bolsonaro, resgatando imagens e declarações do ex-presidente sobre temas como a pandemia da Covid-19.

