Um detalhamento da pesquisa Genial/Quaest mais recente divulgado neste sábado mostra que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) saltou sete pontos em um mês, a 64%, nas intenções de voto no Nordeste num eventual segundo turno contra Flávio Bolsonaro (PL). Enquanto isso, também de julho a agosto, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) avançou dez pontos no eleitorado do Sul do país, onde agora soma 56% no embate direto contra o postulante à reeleição.
De maneira geral, o levantamento aponta que Lula segue liderando todos os cenários testados de segundo turno nas eleições. Contra Flávio, o petista aparece com 44% a 39%. O cenário representa uma oscilação positiva para Flávio, que, na sondagem anterior, perdia por 45% a 37%, embora os dados variem dentro da margem de erro para a amostra geral, de dois pontos percentuais. No estudo segmentado do eleitorado, as margens são maiores.
O detalhamento aponta em quais estratos da população Lula ou Flávio avançaram ou recuaram fora da margem de erro. Mostra por exemplo que, num segundo turno, Lula venceria Flávio no Nordeste por 64% a 25%, já que o senador recuou seis pontos nessa região, onde a margem foi estimada em quatro pontos. É o único local, segundo a Quaest, em que o petista supera o adversário numericamente. No Sudeste, o cenário é de empate técnico, com o senador à frente, 40% a 38%.
Já no Sul, com margem de seis pontos, Flávio teria 56% ante 29% de Lula (que recuou quatro desde julho). No Centro-Oeste/Norte, o filho do ex-presidente passou de 35% a 44%, num salto de nove pontos, mesmo número da queda do atual presidente nesse público, a atuais 40% (margem de cinco).
Os dados mostram também que Flávio avançou quatro pontos entre os homens (40% a 44%), no mesmo período em que Lula caiu quatro pontos nesse segmento (44% a 40%). A margem de erro, neste caso, é de três pontos. O senador também melhorou o desempenho fora da margem no eleitorado entre 35 e 59 anos — foi de 36% a 42%, empatando com o chefe do Planalto.
Na análise por escolaridade, Flávio avançou no eleitorado com Ensino Médio (foi de 40% a 44), enquanto Lula perdeu espaço entre aqueles com Ensino Superior (de 40% a 34%).
O levantamento indica que o filho de Jair Bolsonaro recuperou fôlego na direita não-bolsonarista, na qual subiu sete pontos, a 81%, e que o atual presidente caiu entre eleitores independentes (que não se associam a algum espectro político), de 40% a 33%.
No entanto, se o senador em um mês passou de 32% a 37% entre os católicos, recuou de 53% a 48% entre os evangélicos. Os demais números variaram dentro das respectivas margens de erro.
Pesquisa mais recente
A Genial/Quaest de agosto foi a oitava pesquisa do instituto no ano para as eleições de outubro — e a primeira da empresa depois das convenções que escolheram os candidatos a presidente, do novo tarifaço de Donald Trump, da reconciliação entre Flávio e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) e da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de autorizar investigações contra um filho de Lula.
Desde julho, Lula perdeu apoio sobretudo entre os independentes (40% a 33%), eleitores que não se associam à esquerda ou à direita. O petista lidera o cenário de segundo turno contra Flávio com folga no Nordeste (64% a 25%); entre os eleitores pretos (61% a 22%); entre os beneficiários do Bolsa Família (62% a 26%); entre os votantes com Ensino Fundamental (55% a 30%); e aqueles que recebem até dois salários mínimos (54% a 30%). Já Flávio aparece muito à frente do candidato à reeleição no Sul (56% a 29%); entre evangélicos (48% a 33%); entre eleitores com Ensino Superior (45% a 34%); entre os eleitores brancos (46% a 36%); e entre os que ganham mais de cinco salários (44% a 36%).
Segundo os dados, se a eleição fosse hoje, Lula superaria o candidato do PSD, Ronaldo Caiado, por 45% a 37%, e o nome do Novo, Romeu Zema, por 46% a 34%. A sondagem aponta variação dentro da margem de erro nos dois cenários de segundo turno. Numericamente, o ex-governador de Goiás reduziu em um ponto a diferença para o atual presidente, que, por sua vez, abriu 12 pontos contra o ex-governador de Minas Gerais. Contra Renan Santos, candidato à Presidência pelo Missão, Lula lidera por 45% a 35% (em julho, 45% a 33%).
O levantamento foi realizado entre os dias 31 de julho e 3 de agosto, com 2.004 entrevistas. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada na Justiça Eleitoral sob o número BR-06591/2026.
Primeiro turno
No primeiro turno, Lula mantém a liderança, com oscilação de um ponto para baixo. Ele aparece com 39% das intenções de voto, contra 30% de Flávio, que fica em segundo lugar. Na divulgação anterior, em junho, o petista tinha 40%, e o senador, 28%.
Quatro pré-candidatos — Clariana Barão (DC), Edmilson Costa (PCB), Hertz Dias (PSTU) e Leonardo Avalanche (PRTB) — não pontuaram. Indecisos são 10%, e eleitores que declaram voto em branco, nulo ou não vão votar somam 8%.
A escolha de voto é definitiva para 69% dos brasileiros, quatro pontos acima do que foi registrado no levantamento anterior (65%). Aqueles que afirmam ainda poder mudar de voto são 31% — em meados de julho, eram 35%.
Para o cientista político Felipe Nunes, CEO da Quaest, os cenários dos dois turnos mostram uma recuperação de Flávio em função de uma “reorganização da direita”, levando o eleitor anti-petista a voltar a considerar o senador após uma sequência de crises. Ele pontua que o presidenciável foi favorecido pela reconciliação pública com Michelle Bolsonaro, avaliada positivamente por 59% dos entrevistados.
Essa avaliação chega a 88% na direita não bolsonarista e a 90% entre bolsonaristas. Além disso, Flávio também teria sido beneficiado pela reação à decisão do STF que proibiu Flávio de visitar o pai: para 52%, a medida foi errada. A avaliação de que houve um extrapolamento chega a 83% na direita não bolsonarista, 92% entre bolsonaristas e 50% entre independentes. A reconciliação reduziu a divisão e a restrição judicial reativou a percepção de exagero institucional”, explicou Nunes em uma postagem no X após a divulgação da pesquisa.
Ele também destacou que “os fatores que vinham impulsionando Lula perderam força marginal”, destacando a queda na percepção positiva sobre o Desenrola (55% para 47%) e sobre o impacto significativo na renda sentido pelos beneficiados (35% para 26%).
Nunes também destaca que a mesma tendência acontece com a isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil: entre os beneficiados, o índice dos que relatam não terem sentido uma mudança significativa aumentou de 39% para 46%. “Os programas não deixaram de ajudar, mas o que parece ter diminuído é seu efeito marginal: o ganho político adicional que produzem ao longo do tempo”, pontua Nunes.
Rejeição
Flávio é o candidato com maior rejeição entre os testados nesta rodada da Genial/Quaest. O senador é rejeitado por 54% dos eleitores no momento, num recuo de três pontos percentuais desde a última divulgação, quando 57% afirmaram que o conheciam e não votariam nele.
Lula vem em seguida, com 52%. Os dados desta Quaest interrompem a tendência de queda dos últimos meses neste número. Em junho, o petista era rejeitado por 53% da população, taxa que era de 55% em abril. Na sondagem anterior, era de 50%.
Aprovação do governo
A Genial/Quaest também mostra que Lula é aprovado por 48% dos brasileiros, contra 47% que desaprovam a atual gestão. Os dados não variaram desde o levantamento anterior, quando, pela primeira vez desde dezembro de 2024, o índice positivo foi numericamente superior.
Sobre esse tema, 5% não sabem ou não responderam. Em junho, o governo era aprovado por 47%. Já em maio, a aprovação era de 46%, contra 49% que desaprovavam.
A aprovação do governo Lula recuou para além da margem de erro entre os independentes, que não se associam à esquerda nem à direita (de 45% a 42%). A desaprovação subiu entre os eleitores que recebem mais de cinco salários mínimos (54% a 58%). No entanto, a aprovação do petista subiu cinco pontos no Nordeste, de 61% a 66%.
Além disso, para 55%, Lula não merece mais quatro anos como presidente — o patamar era de 51% em julho. A parcela de entrevistados que disse que o petista merece, sim, um novo mandato recuou de 45% a 41%.
Avaliação do governo
Em relação à avaliação do governo, o cenário também é de estabilidade. Segundo a Quaest, 36% consideram o trabalho como sendo positivo, contra 26% que avaliam ser regular. O percentual negativo, por sua vez, também é de 36% — em julho de 2025, era 40%.
Em um recorte de um ano para cá, o pior cenário ocorreu em março deste ano, quando a avaliação negativa alcançou 43%. À época, somente 31% consideravam o trabalho como sendo positivo, contra 25% que avaliavam ser regular.

