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Lula vai a Alagoas a pedido de Renan Calheiros, mas tenta evitar ruídos com Centrão de olho no 2º turno

Por · setembro 22, 2026
Lula vai a Alagoas a pedido de Renan Calheiros, mas tenta evitar ruídos com Centrão de olho no 2º turno


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) viajará a Alagoas na quinta-feira para participar de um evento de campanha a pedido de Renan Filho (MDB) e Renan Calheiros (MDB), candidatos ao governo e ao Senado, respectivamente. Há uma preocupação, porém, no entorno do petista que a ida ao estado não crie rusgas com Arthur Lira (PP), candidato ao Senado, rival do clã e uma das principais lideranças do Centrão.
O bloco, formado por PP, União Brasil e Republicanos, tem enviando sinais de que pode apoiar Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal adversário do petista, em um eventual segundo turno da disputa presidencial contra Lula.
A ida do presidente a Alagoas contraria decisão inicial da coordenação de campanha do petista, que defendia que ele não deveria visitar locais onde há mais de um candidato sinalizando apoio à sua reeleição, para evitar ruídos e indisposição com os diferentes grupos políticos.
Em Alagoas, Lula apoia o clã Calheiros, seus aliados de longa data. Renan Filho foi ministro dos Transportes e um dos auxiliares de Lula que fazia maior enfrentamento político ao bolsonarismo nas redes sociais e em pronunciamentos. O presidente da República também se aproximou nos últimos anos de Lira, ex-presidente da Câmara.
De acordo com um auxiliar do petista, o presidente não tinha como não atender a um pedido dos Calheiros, mas não usará do ato para atacar Lira. A avaliação é que diante de uma eleição acirrada, o presidente não pode prescindir de apoios. Além disso, enxergam em Lira um aliado para atuar nas costuras políticas no Congresso e na seara eleitoral. Há uma preocupação, no entanto, que algum deslize na fala do petista possa provocar incômodos. Segundo relatos, Lira foi informado da ida de Lula ao estado.
Em agenda no Piauí no começo deste mês, Lula falou que não aceita “vira-latas” ao falar da disputa ao Senado, o que foi interpretado como uma indireta a Ciro Nogueira (PP-PI), ex-ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro e atual senador que busca a reeleição. A declaração gerou incômodo no político, que é presidente nacional do PP, e colocou em risco o pacto de não agressão acordado entre o Planalto e Nogueira nas eleições. Esse acerto fez parte das conversas que levaram à federação União Brasil-PP a adotar postura de neutralidade no primeiro turno do pleito.
No começo de agosto, o presidente participou ativamente dessas costuras políticas. Como o GLOBO mostrou, Lula se reuniu pessoalmente com o presidente do Republicanos, Marcos Pereira, e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), na véspera de o partido anunciar que ficaria neutro na corrida. O petista também se reuniu com a presidente nacional do Podemos, Renata Abreu, e manteve conversas com integrantes da cúpula da federação União Brasil-PP. Nesse processo, foram destacados os líderes do PP e do União Brasil na Câmara, Dr. Luizinho (RJ) e Pedro Lucas (MA), respectivamente.
Nesses encontros, segundo relatos, Lula pediu aos políticos que os partidos não tomassem nenhuma decisão sem nova rodada de conversa num eventual segundo turno. Essas novas negociações passariam também pelo espaço dos partidos num possível quarto mandato do petista.
Apesar desse esforço, no entanto, integrantes de partidos de centro dizem que hoje o cenário mais provável é que eles apoiem Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal adversário do petista, num eventual segundo turno. Além de o senador estar empatado com Lula nas pesquisas de intenção de voto, há queixas de políticos do Centrão sobre a atuação do PT nas eleições estaduais. Até mesmo integrantes do grupo reconhecem que essa decisão, no entanto, estará centrada principalmente no resultado das urnas no primeiro turno. Se Lula aparecer forte, a postura de neutralidade poderá ser mantida.
Em agosto, encabeçaram essas negociações o presidente do PT e coordenador-geral da campanha de Lula, Edinho Silva (PT-SP), e o ministro José Guimarães (Secretaria de Relações Institucionais).
Comício em Maceió
A disputa em Alagoas está acirrada. Pesquisa Quaest divulgada em agosto mostrou Renan Filho e João Henrique Caldas, o JHC (PSDB), empatados numericamente. O ex-ministro de Lula tem 42% dos votos no primeiro turno, ante 40% de JHC.
Arthur Lira é adversário ferrenho dos Calheiros. No último ano, o presidente tentou costurar um acordo para que Renan Calheiros e o ex-presidente da Câmara estivessem juntos na mesma chapa —mas esse movimento foi rechaçado e não saiu do papel. As composições políticas no estado também esbarraram num vaivém de JHC.
Segundo pessoas que acompanharam as conversas, o candidato do PSDB fez um acordo com o presidente da República de que não disputaria o governo e seguiria na prefeitura de Maceió e, em troca, o petista nomearia a procuradora de Justiça Maria Marluce Caldas Bezerra, tia dele, a uma vaga ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). Marluce foi indicada a uma vaga na Corte, mas o ex-prefeito não cumpriu o acerto.
Ele chegou a sinalizar a integrantes do PT e do Palácio do Planalto que disputaria uma vaga ao Senado, dificultando a vida de Lira no estado. Poucas horas para o fim do prazo estipulado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para registro de candidaturas, no entanto, JHC anunciou que concorrerá ao governo.
A ida de Lula ao estado faz parte da estratégia dos Calheiros de dar um impulso à candidatura deles às vésperas do primeiro turno. O ato deve ocorrer em Maceió, na capital do estado.

Lula vai a Alagoas a pedido de Renan Calheiros, mas tenta evitar ruídos com Centrão de olho no 2º turno