BRcom - Agregador de Notícias
No Result
View All Result
No Result
View All Result
BRcom - Agregador de Notícias
No Result
View All Result

Maduro explora envio de frota dos EUA ao Caribe para tentar reforçar apoio interno em meio à crise na Venezuela

BRCOM by BRCOM
agosto 30, 2025
in News
0
Poder militar dos EUA no Caribe — Foto: Editoria de Arte

O presidente Nicolás Maduro transformou o anúncio do deslocamento de uma frota naval dos Estados Unidos para águas do Caribe em combustível político para reforçar sua base de apoio em um momento em que a Venezuela enfrenta mais uma crise econômica e institucional. O governo chavista, que já denunciou a manobra como uma “agressão imperial”, mobilizou tropas, lançou campanhas de alistamento militar e adotou uma retórica nacionalista para projetar unidade contra uma suposta ameaça externa.

  • Infográfico: Frota naval dos EUA deslocada para região próxima à Venezuela deve estar pronta até a próxima semana
  • Maduro em alerta: Frota naval americana faz Venezuela temer interceptação e ataque cirúrgico

— Não há como entrarem na Venezuela — declarou Maduro na quinta-feira, durante ato com militares, após Washington confirmar o envio de três contratorpedeiros, três navios anfíbios, um cruzador, um submarino nuclear e cerca de 4,5 mil fuzileiros navais para supostas operações antidrogas na região. — Depois de 20 dias contínuos de ameaças e guerra psicológica, estamos mais fortes do que ontem. Nem sanções, nem bloqueios, nem assédio [poderão com a Venezuela].

Nos últimos dias, o governo chavista organizou duas jornadas nacionais de alistamento, reforçando a presença da Milícia Bolivariana — um braço militar formado por civis com forte carga ideológica. Segundo Maduro, são 4,5 milhões de milicianos prontos para defender o país, embora especialistas questionem esses números. Em tom patriótico, o presidente tem reiterado que a defesa da soberania é “uma obrigação histórica”, enquanto meios estatais convocam voluntários sob slogans como “a pátria não se vende”.

No mesmo discurso, Maduro comemorou a coordenação de segurança com a Colômbia, após o presidente Gustavo Petro ordenar a militarização da região do Catatumbo, na fronteira, com 25 mil soldados. Também intensificou ações diplomáticas: o embaixador venezuelano na ONU, Samuel Moncada, enviou carta ao secretário-geral António Guterres pedindo que pressione Washington a “encerrar de uma vez por todas suas ações hostis”.

O tom beligerante do Palácio de Miraflores ecoa em outras figuras do regime.

— Estrangeiro que entrar ilegalmente na Venezuela não sai mais — advertiu Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional, que aprovou um acordo de apoio ao governo contra qualquer intervenção.

  • Impactos regionais: Movimentação naval dos EUA perto da Venezuela acende alerta no Brasil

Já Diosdado Cabello, número dois do chavismo, ironizou as expectativas da oposição no exílio:

— Quantas vezes a direita nacional e internacional disse que caímos? E depois ninguém pede desculpas. Quem ainda acredita nos apelos da oposição, dos radicais, a esta altura, deveria ser condecorado com a Medalha de Mérito por Idiota.

Conteúdo:

Toggle
  • Desinformação e medo nas ruas
  • A sombra da frota americana
      • Maduro explora envio de frota dos EUA ao Caribe para tentar reforçar apoio interno em meio à crise na Venezuela

Desinformação e medo nas ruas

Nas ruas de Caracas, a ameaça militar divide opiniões. Há quem veja na narrativa chavista apenas uma cortina de fumaça para manter a mobilização interna, e quem deseje que “algo aconteça”. A rede estatal francesa France24 conversou com venezuelanos na capital nos últimos dias.

— Isso é invenção do governo para falar de golpe — disse Mirna, moradora de Chacao.

  • Resposta: Venezuela anuncia patrulhamento com navios e drones diante de mobilização militar dos EUA no Caribe e tensão na Colômbia

Já José Hernández, mais desconfiado, preferiu se prevenir:

— Comprei comida, velas, porque a gente não sabe.

Outros demonstram inquietação com possíveis medidas do governo.

— Não sabemos se podem declarar estado de exceção — afirmou Judith León, de 71 anos.

Muitos evitam se identificar por medo do Sebin, o serviço de inteligência da Venezuela.

— O medo é que você fale algo, viralize e eles venham atrás — comentou um vendedor.

  • Investigações: Anterior ao chavismo, relação entre militares e narcotráfico ganhou força com Maduro na Venezuela

Enquanto alguns apostam na normalidade — “Aqui não vai acontecer nada, é só trabalhar”, garantiu José Bastidas — outros torcem por uma intervenção.

— Gostaria que fosse verdade, olha como está esse país — confessou um pedreiro em Petare.

Mas, para a maioria, a prioridade continua sendo sobreviver à crise econômica:

— Você compra hoje, amanhã é outro preço — lamentou Ana Rivas.

A sombra da frota americana

Do outro lado do mar, o deslocamento americano segue sem sinais de recuo. A operação foi autorizada por uma diretiva secreta do presidente Donald Trump para reforçar o combate ao narcotráfico, após o Departamento do Tesouro incluir o chamado Cartel de los Soles na lista de organizações terroristas e acusar Nicolás Maduro de liderá-lo, elevando para US$ 50 milhões a recompensa por informações que levem à captura do presidente.

Segundo autoridades, a missão inclui três contratorpedeiros — USS Jason Dunham, USS Gravely e USS Sampson —, além do cruzador USS Lake Erie, do submarino nuclear USS Newport News e do Grupo de Prontidão Anfíbia Iwo Jima, com um navio de assalto rápido, dois de transporte e 2.200 fuzileiros da 22ª Unidade Expedicionária. No total, são cerca de 4.500 militares, que atuarão no Caribe sob o comando do Comando Sul dos EUA (Southcom).

Inicialmente, o USS Jason Dunham era esperado em Curaçao, a apenas 60 km da costa venezuelana, mas a visita foi cancelada, informou o governo da ilha na terça-feira. Mesmo assim, a frota segue em movimento. Dados de rastreamento marítimo indicavam que o USS Fort Lauderdale, um dos navios anfíbios, estava próximo às Bahamas na noite de quarta-feira. Já o USS Lake Erie desligou seu sistema de identificação automática na quinta antes de cruzar o Canal do Panamá rumo ao Atlântico.

A falta de clareza sobre os próximos passos alimenta especulações. Oficialmente, Washington não detalhou quais exercícios ou operações realizará no Caribe. Analistas, porém, veem como improvável uma invasão imediata.

— O objetivo é aumentar a pressão e forçar Maduro a negociar — avalia à AFP o analisa Phil Gunson, do Crisis Group.

Enquanto isso, o governo venezuelano aposta no discurso da resistência.

— Aqui está a força que [Hugo] Chávez semeou — proclamou Maduro, em cadeia nacional, diante de soldados que brandiam escudos com o lema: “Duvidar é traição”.

Poder militar dos EUA no Caribe — Foto: Editoria de Arte

Maduro explora envio de frota dos EUA ao Caribe para tentar reforçar apoio interno em meio à crise na Venezuela

Previous Post

Com pressão sobre órgãos independentes, Trump busca expandir poderes presidenciais

Next Post

torneio de futebol para pessoas socialmente vulneráveis leva para Noruega brasileiro que nunca saiu do Rio

Next Post
Carlos Henrique durante uma das partidas — Foto: Divulgação/HomelessWorldCup

torneio de futebol para pessoas socialmente vulneráveis leva para Noruega brasileiro que nunca saiu do Rio

  • #55 (sem título)
  • New Links
  • newlinks

© 2026 JNews - Premium WordPress news & magazine theme by Jegtheme.

No Result
View All Result
  • #55 (sem título)
  • New Links
  • newlinks

© 2026 JNews - Premium WordPress news & magazine theme by Jegtheme.