Mais de 31 mil pessoas, incluindo vários parlamentares, assinaram uma petição instando o primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, a abrir uma investigação pública sobre o suposto assédio da mídia contra o falecido acadêmico Jason Arday, informaram os organizadores no domingo.
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A petição foi lançada pelo grupo ativista Good Law Project depois que Arday — que, três anos atrás, tornou-se o professor negro mais jovem da história da Universidade de Cambridge — foi encontrado morto na sexta-feira (14).
O Good Law Project vinha apoiando Arday desde que ele renunciou, no início deste mês, tanto ao seu cargo na universidade quanto ao posto de professor associado no Jesus College, na sequência de investigações iniciadas por ambas as instituições sobre alegações de plágio e de fabricação ou exagero de sua trajetória pessoal.
“Não há dúvida de que a morte trágica do Dr. Arday foi o resultado direto, previsível e previsto do assédio da imprensa”, afirmou o Good Law Project em seu site.
Jesus College, na Universidade de Cambridge, onde o professor Jason Arday dava aulas
BROOK MITCHELL/AFP
O grupo acrescentou que “não há dúvida de que o racismo estava no cerne desta história”.
Familiares e amigos de Arday denunciaram “uma campanha constante de abusos” que remontava à sua nomeação em 2023.
As alegações contra Arday, de 41 anos, receberam ampla cobertura na imprensa britânica depois que outro acadêmico — Nathan Cofnas, que se autodenomina “realista racial” e foi demitido de seu cargo em Cambridge em 2024 — alegou, em julho, ter encontrado inúmeros casos de plágio no trabalho do professor.
Veículos de mídia britânicos e comentaristas de direita aproveitaram a controvérsia, alegando que Arday — que negava as acusações — havia se beneficiado injustamente de políticas de diversidade, equidade e inclusão (DEI). Em uma carta publicada quando renunciou, em 5 de agosto, Arday disse que a decisão era “a única maneira” de encerrar um “período difícil”, mas que isso não deveria “ser confundido com uma aceitação das narrativas” que circulavam a seu respeito.

