O candidato do Missão à Presidência, Renan Santos, começou sua campanha neste domingo (16) no Largo São Francisco, no Centro de São Paulo, em frente à Faculdade de Direito da USP, onde estudou antes de abandonar o curso para se dedicar à política. Após falar no parlatório da faculdade, o candidato deve fazer uma apresentação musical, com violão e gaita, em uma referência ao cantor americano Bob Dylan.
Durante o evento, o Missão anunciou Guto Schiaveto como candidato ao Senado por São Paulo. A candidatura faz parte da estratégia do partido de lançar nomes próprios nas principais disputas eleitorais do país e ampliar a presença no Congresso.
Entre os políticos que discursam antes de Renan estão a vereadora paulistana Amanda Vettorazzo, o ex-deputado estadual Arthur do Val e o deputado federal Kim Kataguiri.
A escolha do Largo São Francisco foi ponto de conflito entre a campanha e estudantes da USP. Entidades como a União Nacional dos Estudantes (UNE) e o Centro Acadêmico XI de Agosto convocaram manifestações contra o ato e criticam o uso do espaço da faculdade pelo político.
O partido, criado a partir do Movimento Brasil Livre (MBL), aposta no empresário e dirigente da legenda para representar uma direita que busca se apresentar como alternativa tanto ao lulismo quanto ao bolsonarismo. Renan tem como candidato a vice o tenente-coronel da reserva da Brigada Militar Aroldo Medina.
O evento também ocorreu em meio à disputa entre Flávio Bolsonaro (PL) e o Missão. Na quinta-feira (13), o sistema da Justiça Eleitoral passou a registrar Flávio como filiado ao partido de Renan, no lugar do PL. A alteração impediu temporariamente o registro da candidatura de Flávio à presidência. O senador afirma que não autorizou a mudança e atribui o episódio a uma fraude. O TSE posteriormente restabeleceu a filiação de Flávio ao PL e determinou o encaminhamento do caso para investigação.
O episódio provocou uma troca de acusações entre os dois lados. Flávio afirmou que não autorizou a mudança e que houve uma tentativa de impedir sua candidatura. Renan, por sua vez, diz que o partido tem registros de que a filiação foi confirmada por meio do endereço de e-mail oficial do senador e questiona a versão apresentada por Flávio. O Missão levou o caso ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e pediu investigação sobre a autoria da filiação.
Pesquisa
Na última rodada da pesquisa Genial/Quaest, divulgada na sexta-feira (14), Renan aparece com 4% das intenções de voto no primeiro turno, empatado com Ronaldo Caiado (PSD) e à frente de Romeu Zema (Novo), que tem 2%. Lula lidera com 38%, seguido por Flávio Bolsonaro (PL), com 31%.
O percentual de Renan se mantém estável em relação à pesquisa anterior, de 5 de agosto, quando também registra 4%. Em um eventual segundo turno contra Lula, o candidato do Missão aparece com 36%, contra 44% do petista.
A pesquisa ouviu 2.004 eleitores entre 10 e 13 de agosto, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%.

