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Mais famosa das melindrosas, Betty Boop vira tema de musical na Broadway

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abril 12, 2025
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Cena de “Boop! O musical”, em cartaz no Broadhurst Theatre, em Nova York — Foto: Sara Krulwich/ NYT

Betty Boop chegou à Broadway quase um século depois de ter feito seu primeiro “boop-oop-a-doop” nas telonas. Assim como os filmes “Barbie” e “Elf” que o precederam, “Boop! O musical”, em cartaz no Broadhurst Theatre, em Nova York, desde março, imagina um encontro transformador entre uma personagem antropomórfica e o mundo real.

A jornada de Betty até o palco foi incomum. A personagem original não tinha muita história de fundo, o que a tornou uma tela em branco atraente para contadores de histórias. Mas sua imagem — e Betty, em sua essência, é uma ilustração notavelmente duradoura — conseguiu transitar entre mídia e produtos, sobrevivendo a batalhas judiciais e mudanças de costumes.

— Sua popularidade não para de crescer — disse Peter Benjaminson, autor de “The life and times of Betty Boop”. — O musical é o mais recente de uma série de encarnações.

A personagem de desenho animado, ainda sem nome, fez sua primeira aparição em 1930 em forma híbrida — parte poodle, parte humana — em “Dizzy Dishes”, curta de animação de uma série chamada Talkartoons, da Fleischer Studios. Todos os personagens do filme — comédia pastelão ambientada num restaurante medíocre — eram animais com atributos humanos. A personagem secundária que se tornou Betty Boop era uma cantora de jazz que já tinha muitos dos elementos que a definiram: um corpo curvilíneo e olhar sedutor, com olhos grandes e uma cabeça enorme, e uma voz aguda e infantil.

Jasmine Amy Rogers, que interpreta Betty Boop na Broadway, descreveu-a como “cheia de alegria” e “assumidamente ela mesma”:

— Ela é sexy, mas não acho que seja apenas o sexo que a torna sexy. Diria que é a maneira como se comporta, sua confiança e sua personalidade despretensiosa.

Cena de “Boop! O musical”, em cartaz no Broadhurst Theatre, em Nova York — Foto: Sara Krulwich/ NYT

Betty, criada no auge da Era do Jazz, é obviamente inspirada nas melindrosas, e sua relação com a história da música tem sido objeto de debate e litígio.

Em 1932, uma cantora branca chamada Helen Kane entrou com uma ação judicial, alegando que o estilo “baby vamp” da personagem Betty Boop, incluindo a frase “boop-oop-a-doop”, era uma imitação ilegal de Kane. Em um julgamento amplamente divulgado em 1934, Fleischer rebateu, apontando que uma cantora negra, Esther Lee Jones, que se apresentou como Baby Esther, havia usado frases de scat semelhantes antes de Kane. Kane perdeu.

O Fleischer Studios argumenta que Betty teve muitas influências, mas não foi baseada em uma mulher específica.

— Ela é da Era do Jazz, e todos os animadores moravam em Manhattan, então ela foi influenciada por essa cultura — disse Mark Fleischer, CEO do estúdio.

Rogers disse que espera que, com o tempo, mulheres de diferentes etnias interpretem a personagem, mas disse que se orgulha de interpretá-la como uma mulher negra, com referências a Baby Esther e à técnica de scat do canto jazz.

— O jazz vive tão profundamente no coração de Betty que sinto que não podemos realmente ter uma discussão completa sobre ela sem envolver a raça afro-americana — disse ela.

No início dos anos 1930, Betty havia se livrado de suas características caninas e se tornado totalmente humana, ou tão humana quanto uma personagem animada poderia ser. Alguns aspectos dela se formalizaram com o tempo, diz Frank Caruso, diretor do Fleischer Studios. Ela tem 16 cachos. Seus olhos são baixos, deixando espaço na testa para cílios e sobrancelhas expressivos.

Betty era decididamente sexy — e solteira.

— Na verdade, ela é surpreendentemente virgem. Não tem relacionamentos românticos, é apenas bonita, confiante e cheia de vida, e não se envergonha da própria sexualidade — disse Bob Martin, roteirista do musical. — Ela é constantemente perseguida por homens. Não tem um relacionamento convencional, mas é sempre perseguida e objetificada.

A chegada do Código Hays — diretrizes de conteúdo para filmes que começaram em meados da década de 1930 — teve uma grande influência sobre Betty. Seus vestidos ficaram mais longos, suas blusas cobriam seu decote e ela tinha empregos mais tranquilos ou era dona de casa. A séria de curtas animados terminou em 1939.

Desde o fim dos curtas animados, Betty apareceu em histórias em quadrinhos, programas de televisão, filmes e videogames. Mas a plataforma que a sustentou por décadas — e a tornou globalmente reconhecida — é o merchandising.

— O milagre de Betty Boop é que ela alcançou o status de ícone sem nenhum entretenimento por trás dela. Ela desenvolveu uma vida muito robusta por meio de licenciamento — disse Fleischer.

Tudo começou com colecionáveis — bonecas, ímãs e assim por diante —, mas logo surgiram utensílios domésticos, jogos, brinquedos e, com mais sucesso, roupas. E não se trata apenas de camisetas — Betty teve colaborações de alta-costura com designers como Zac Posen e Marc Jacobs.

Betty, que chegou apenas uma década depois que as mulheres americanas conquistaram o direito ao voto, estava sempre trabalhando e, muitas vezes, tinha empregos aventureiros.

— Betty Boop fez coisas que até então eram inimagináveis, como ser piloto de corrida ou dona de um restaurante; ela concorreu à presidência e foi uma das primeiras ativistas pelos direitos dos animais — disse Fleischer.

Sua vida foi audaciosa de diferentes maneiras.

— Sempre a mantivemos atualizada com o que estava acontecendo — disse Caruso, diretor criativo da Fleischer há 38 anos. — Nos anos 90, ela adotou um pouco de grunge, ou hip-hop. Começamos a fazer essa Betty Motoqueira, que é uma das nossas iterações mais populares. E as pessoas adoram a Betty Zumbi. Fizemos de tudo que se possa imaginar.

Caruso disse que sempre há pessoas propondo novas maneiras de usar a imagem de Betty Boop, inclusive, segundo ele, em lápides. Famílias enlutadas, disse ele, periodicamente procuram a empresa para obter permissão para usar a imagem em lápides. A empresa frequentemente aceita.

À medida que a sociedade evoluiu, Betty se tornou mais socialmente consciente. Nos últimos anos, os produtos de Betty Boop passaram a contar com uma mensagem empoderadora — com um texto inspirador incluído na embalagem.

“Boop! O musical” está em desenvolvimento há mais de duas décadas e é um espetáculo de grande orçamento, com um capital de até US$ 26 milhões. Teve uma produção em Chicago em 2023. O espetáculo, com música de David Foster e letras de Susan Birkenhead, retrata Betty como uma atriz ocupada trabalhando no mundo preto e branco dos curtas-metragens. Mas, quando ela passa por uma crise de identidade — ela pode interpretar qualquer número de personagens, mas não tem certeza de quem realmente é —, acaba viajando para o mundo real. Na Nova York dos dias atuais, ela embarca numa jornada de autodescoberta.

— Eu tive a ideia maluca de que ela existe num mundo em preto e branco, onde tem tudo, menos amor, e lancei uma história de que ela chega ao mundo real em busca de algo — disse o diretor do musical, Jerry Mitchell. — O mundo dela nunca é cheio de cores até que esteja cheio de amor.

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