Quando o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou planos de tarifas sobre as exportações da Coreia do Sul, consumidores americanos correram para comprar grandes estoques de produtos de beleza coreanos, como delineadores e protetores solares. Esther Lee, empresária de Los Angeles, chegou a triplicar a quantidade habitual em sua compra, gastando centenas de dólares.
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Influenciadores nas redes sociais mostram os “achados” em compras de grande volume, refletindo o temor generalizado: a ameaça de uma tarifa de 25% sobre produtos sul-coreanos e japoneses pode elevar os preços a partir de agosto.
Influenciadores têm compartilhado suas compras em grande escala nas redes sociais. “O futuro é incerto, mas há uma coisa da qual tenho certeza”, disse Taylor Bosman Teague a seus meio milhão de seguidores no TikTok, em maio, enquanto exibia frascos de tônicos e hidratantes. “Não estou disposta a abrir mão de certos produtos coreanos para cuidados com a pele.”
A onda de compras começou em abril, quando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou planos para impor tarifas generalizadas sobre as exportações sul-coreanas para os Estados Unidos — e depois suspendeu a medida para permitir negociações. No início de julho, ele voltou a ameaçar impor uma tarifa de 25% sobre quase todos os produtos sul-coreanos e japoneses, caso um acordo não fosse alcançado até 1º de agosto.
Isso causou abalos na indústria de K-beauty, que vem crescendo junto com a ascensão global do K-pop e dos K-dramas, e registrou exportações recordes no primeiro semestre do ano. A Amorepacific, maior empresa de beleza da Coreia, registrou um aumento de 40% nas vendas internacionais no último ano.
As exportações de cosméticos da Coreia do Sul atingiram o recorde de US$ 5,5 bilhões no primeiro semestre deste ano — quase 15% a mais do que no mesmo período de 2024 —, segundo o Ministério de Alimentos e Segurança de Medicamentos.
Algumas pessoas nos Estados Unidos “estão se adiantando às tarifas” e comprando mais produtos importados, disse Rob Handfield, professor especialista em gestão da cadeia de suprimentos na Universidade Estadual da Carolina do Norte.
Segundo ele, os parceiros comerciais dos EUA têm sido “bloqueados” por Washington em suas tentativas de chegar a um acordo. E, para a Coreia do Sul e o Japão, não parece haver “qualquer possibilidade de resolver algo” até o prazo de 1º de agosto.
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Liah Yoo, criadora de conteúdo de 36 anos baseada em Nova York e fundadora da KraveBeauty — uma marca de K-beauty com sede nos EUA —, afirmou por e-mail que as tarifas teriam um “impacto massivo” sobre toda a indústria da beleza. Seus produtos são formulados na Coreia do Sul.
Segundo ela, um acordo de livre comércio entre os dois países tem mantido os cosméticos isentos de tarifas há anos, e um dos grandes atrativos dos produtos coreanos é o preço acessível. As marcas que dependem exclusivamente do baixo custo para se manter competitivas serão as mais atingidas, disse Yoo.
Ela afirmou que não tomará decisões reativas de aumento de preços e acompanhará a evolução da situação nos próximos seis meses.
Por outro lado, Yoo vê um possível lado positivo: as tarifas podem ser “exatamente o que a indústria precisa” para focar mais em valor do que apenas em preço baixo.
Qual o diferencial dos produtos K-beauty?
Fãs da K-beauty dizem que os produtos oferecem ótimo custo-benefício e costumam ser mais leves e menos agressivos do que os equivalentes americanos. O design moderno das embalagens e a popularidade entre celebridades coreanas também aumentam o apelo.
Esther Lee, a empresária de Los Angeles, disse por Zoom que usava delineador da Clio, máscara de sobrancelha da Espoir e rímel da Etude House — todas marcas coreanas. Cerca de 80% da sua rotina de maquiagem e cuidados com a pele é composta por produtos da Coreia.
— Produtos coreanos para os olhos não borram tanto nas minhas pálpebras encapadas como os americanos — disse ela.
Lee, que é coreano-americana, afirmou que, se os preços dos produtos de beleza coreanos aumentarem por causa das tarifas, ela comprará em grandes quantidades sempre que visitar a Coreia do Sul — ou pedirá para amigos trazerem os itens quando viajarem para lá.
Negociações comerciais seguem estagnadas
Depois que Trump enviou uma carta à Coreia do Sul sobre as possíveis tarifas há algumas semanas, Seul enviou seu principal negociador, Yeo Han-koo, a Washington para se reunir com Jamieson Greer, representante comercial dos EUA. Yeo voltou para casa praticamente de mãos vazias.
— Estamos fazendo o possível para alcançar um resultado mutuamente benéfico para os dois lados, mas não conseguimos estabelecer exatamente o que cada parte queria da outra — disse o presidente sul-coreano Lee Jae Myung, em entrevista sobre as negociações comerciais no início deste mês.
Alguns consumidores afirmaram que continuarão fiéis às suas marcas coreanas favoritas, mesmo que fiquem mais caras. Sophie He, uma jovem de 27 anos de San Jose, na Califórnia, que está estudando coreano na Universidade Yonsei, em Seul, durante o verão, disse que todo seu estoque de maquiagem era de marcas coreanas. Antes de voltar para casa, ela planeja comprar meses de hidratantes e séruns para si e para os amigos.
O interesse de Sophie pela K-beauty começou ainda no ensino médio, após influenciadoras surgirem nos seus feeds de redes sociais. Ela achou que os produtos coreanos têm fórmulas e pigmentações mais leves do que os americanos — e se adequam melhor ao seu tom de pele.
Em uma loja da Olive Young, grande rede de cosméticos coreana, Sophie apontava para uma dúzia de produtos e recitava suas funções e ingredientes de memória.
— K-beauty é divertida, moderna e está em constante evolução — disse ela. Quando seu estoque acabar, não hesitará em pagar mais caro por mais. — Para mim, vale a pena.