De volta ao ar como o mordomo Crô na reprise de “Fina estampa” no Globoplay Novelas, Marcelo Serrado diz que o personagem mudou a sua vida, mas que hoje provavelmente não o interpretaria. Com grande popularidade, Crô ganhou desdobramentos além da novela, com dois filmes: “Crô — O filme” (2013) e “Crô em família” (2018).
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— Ele ultrapassou o Marcelo Serrado. Foi uma loucura extremamente inesperada na minha vida. Mas isso faz 14 anos. O mundo mudou. Sei que hoje o personagem teria que ser feito por um ator da comunidade LGBTQIAPN+. E é isso. Seria importante. É notável e válido. E eu? Faço outras coisas. Tem muito personagem por aí — pondera.
Aos 58 anos, Serrado conta que vem reorganizando sua rotina de trabalho desde que teve episódios de crises de pânico e ansiedade, algo que tornou público em 2024. Ele conta que uma conversa com o filho o fez ver que estava exagerando.
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— Fui me despedir e ele disse: “Pai, até um dia”. Porque ele não sabia quando eu ia, quando eu voltava. Eu estava viajando tanto. É trabalho, é trabalho, e a vida, né? Onde que fica? Então que saibamos dividir melhor. Eu aprendi que não preciso abraçar o mundo — explica o ator.
Além de seus projetos como ator, ele tem dado palestras sobre saúde mental, contando o que passou e como enfrenta a questão até hoje, com a ajuda de profissionais, meditação e técnicas de mindfulness (atenção plena):
— Faço um trabalho, termino. E faço o outro. Não dá mais para fazer tudo. Ao mesmo tempo, tenho três filhos para criar, né? Preciso trabalhar.
Casado há 13 anos com a coreógrafa, diretora de movimento e coordenadora de intimidade Roberta Fernandes, o ator é pai dos gêmeos Felipe e Guilherme, de 12 anos, e de Catarina, de 19, fruto de sua relação com a atriz Rafaela Mandelli. Ele conta que o tempo com a família é algo primordial:
— Estava em Fortaleza com peça e levei a família toda. Vou para São Paulo, ligo para Catarina e saímos para jantar. Quando estou no Rio, levo e pego na escola, faço questão de participar — enfatiza Serrado, contando que acha que os filhos podem seguir o seu caminho: — Catarina estuda na FAAP (Centro Universitário Armando Alvares Penteado), mas também faz Célia Helena (centro de artes e educação). O Felipe é muito extrovertido, diz que é melhor ator que eu, só não foi descoberto ainda. Eu incentivo mais ou menos, quero que sejam o que quiserem, mas explico as situações e digo que não é uma profissão fácil.
Desde que estreou na TV em 1985, em “Corpo santo”, na Manchete, Marcelo vem emendando trabalhos. Em 2023, ele encerrou o vínculo de 12 anos com a Globo. Logo depois estava em “Beleza fatal”, da HBO, como Rog, o “dr. Peitão”, médico mau-caráter que fez sucesso com o público:
— Impressionante ver a força do streaming. Fui com a minha filha ao show da Lady Gaga e, quando cheguei, as pessoas mais novas estavam falando comigo. Achei que era sobre o Crô, mas estavam se referindo ao dr. Peitão, cantando música. Muito significativo.
Ele também comenta sobre o papel de Lucas Silva e Silva na nova temporada da série “Mundo da lua”, da TV Cultura. O personagem foi originalmente interpretado por Luciano Amaral, que acabou não participando da versão atual:
— Eu não sei o que houve. Mas fui convidado. E alguém iria fazer, o personagem estava na série. Tenho muito respeito pelo Luciano.
Marcelo Serrado teve uma crise de pânico e ansiedade num voo durante as férias em maio de 2024, o que o levou a não conseguir embarcar no voo de regresso para o Brasil e o obrigou a procurar tratamento. O ator já tinha sido diagnosticado com síndrome do pânico em 2020, após um período de burnout, e, apesar de ter se tratado, a crise no avião foi um gatilho que o fez reacender a busca por ajuda profissional.
que estreou na TV em 1987, na novela Corpo Santo, da Manchete e, dois anos, foi para a Globo, onde atuou em “Pacto de Sangue”.