A frase “ser mãe é padecer no paraíso”, atribuída ao escritor Coelho Neto (1864–1934), ganha novas e divertidas tintas na websérie “Minha filha é minha mãe”, criada pela atriz Maria Eduarda de Carvalho, de 44 anos. Entre gargalhadas e inversões de papéis, é a filha adolescente, interpretada por Vittória Seixas, de 17 anos, quem sugere à matriarca desempregada uma saída para salvar a carreira de atriz: viralizar. Publicada semanalmente no Instagram e no TikTok, já soma 25 episódios e ultrapassou um milhão de visualizações em um único vídeo.
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Produzida de forma independente por uma equipe de sete pessoas, a narrativa discute como seguidores e visualizações se tornaram régua de relevância. Maria Eduarda dirige, escreve, atua e produz ao lado de Bruno Bourguignon. “É um trabalho feito na guerrilha”, diz a atriz, que já abordou a maternidade em “Ser mãe é” (2023), produção para as redes sociais vencedora de duas categorias no Rio Webfest — festival no qual a nova produção concorre em seis quesitos.
Maria Eduarda de Carvalho protagoniza e roteriza a websérie
Ana Branco
Com uma filha adolescente de 16 anos, a atriz não nega a inspiração “caseira” e questiona o julgamento sobre mulheres que conciliam a maternidade com desejos profissionais e pessoais. “Quando um pai abre mão de cuidar do filho para viver a própria vida, a situação é vista de uma forma. Quando uma mãe vai atrás dos próprios anseios, vira tema de documentário criminal”, diz. “Sigo cultivando minhas vontades: viajo, me divirto com as amigas e faço coisas fora da maternidade.”
A série também aborda temas como sexo e drogas. Para Vittória, o humor ajuda a abrir conversas entre gerações. “Muitas amigas vieram falar comigo que os vídeos as ajudaram a abordar abertamente certos assuntos que não conseguiam antes”, conta.
Vittória Seixas interpreta a filha
Ana Branco
A escritora Thalita Rebouças e a atriz Louise Cardoso fazem participações especiais. “A produção vai ajudar as mulheres a não se sentirem sozinhas na maternidade, a perceber que não são só as filhas delas que reviram os olhos”, diz Thalita, autora do best-seller “Fala sério, mãe” (2004), com adaptações para o cinema e o teatro musical. Louise, que vive a mãe da protagonista, endossa: “Toca em pontos pertinentes da mulher contemporânea, em uma linguagem leve e inovadora”.
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Inovadora, mas de olho nos formatos tradicionais. “Estamos pensando em adaptar a série para a TV”, conta Maria Eduarda.
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Maria Eduarda de Carvalho fala sobre maternidade em websérie: ‘Sigo cultivando minhas vontades’
