O Mercado Bitcoin, uma das maiores corretoras de ativos digitais do Brasil, confirmou nesta segunda-feira (2) que foi alvo de um ataque hacker durante a madrugada. A empresa de segurança digital Hypernative estima que o episódio tenha provocado prejuízo de mais de US$ 40 milhões (cerca de R$ 217 milhões) em criptomoedas.
O monitoramento identificou transferências suspeitas de carteiras atribuídas à corretora brasileira para endereços recém-criados, em pelo menos dez redes de ativos digitais. Em comunicado, o Mercado Bitcoin afirmou que identificou e conteve rapidamente um incidente de segurança em um de seus sistemas.
A empresa ressaltou que não houve prejuízo aos clientes nem vazamento de dados. Como medida preventiva, suspendeu temporariamente depósitos e saques. Segundo a corretora, as equipes estão mobilizadas para investigar o caso, rastrear os ativos e coordenar medidas com as autoridades competentes.
Entre os ativos identificados pela Hypernative estão aproximadamente 106 bitcoins. A maior concentração de transferências ocorreu entre 3h19 e 3h53, no horário de Brasília. A estimativa da empresa de segurança ainda não foi confirmada pelo Mercado Bitcoin, que não divulgou o valor dos ativos envolvidos nem detalhou como ocorreu a invasão.
A estimativa da Hypernative foi construída a partir do rastreamento das transações registradas nas diferentes redes blockchain. Essas redes mantêm um histórico público das operações, que permite consultar o endereço de origem, o destino, o horário e a quantidade de criptomoedas transferida.
Depois de identificar a quantidade de cada criptomoeda transferida, os pesquisadores aplicam as cotações de mercado para chegar a um valor estimado em dólares.
No caso do Mercado Bitcoin, a Hypernative identificou transferências em pelo menos dez redes, entre elas Bitcoin, Ethereum, Solana, Tron, Polygon, Arbitrum, Avalanche, BNB Smart Chain e Stellar. A empresa também identificou outros tokens vinculados aos endereços monitorados.
O valor estimado não representa necessariamente o prejuízo final. Para chegar a esse número, é preciso confirmar a titularidade dos ativos, verificar se as transferências foram realizadas sem autorização e descontar eventuais recursos recuperados ou bloqueados.
O próprio Mercado Bitcoin passou a colaborar publicamente com o rastreamento dos recursos. A corretora publicou em suas redes cinco endereços de carteiras identificados como destinos das movimentações suspeitas, nas redes EVM, Bitcoin, Solana, Stellar e Tron.
A empresa pediu que os dados fossem utilizados por outras plataformas e pesquisadores para monitorar os ativos e ajudar a identificar novas transferências. No mesmo comunicado, afirmou que continuava trabalhando para restabelecer as operações com segurança e que manteria os clientes informados por seus canais oficiais.
Ataque à Binance
O incidente no Mercado Bitcoin acontece poucos dias após um ataque à Binance, em 29 de outubro, que resultou no desvio de mais de US$ 6 bilhões em ativos digitais, segundo a própria corretora. A empresa reservou mais de US$ 6,34 bilhões em recursos próprios para cobrir as perdas e informou que cerca de 90% dos ativos afetados já haviam sido repostos.
A companhia também trabalhou com empresas de análise de blockchain e outros participantes do mercado para rastrear e congelar parte dos valores.
A investigação inicial da Binance apontou o possível comprometimento do computador de um funcionário da área de tecnologia. Posteriormente, a empresa informou ter identificado outros pontos de acesso.
O FBI atribuiu oficialmente o roubo ao grupo TraderTraitor, associado à Coreia do Norte. Segundo a agência americana, os invasores passaram a converter os ativos desviados principalmente em Ethereum e poderiam recorrer a serviços de finanças descentralizadas e de troca instantânea para dificultar o rastreamento e a recuperação dos recursos.
Apesar da proximidade entre os episódios e das semelhanças no uso de transferências autorizadas por carteiras vinculadas às corretoras, não há evidências públicas de que os ataques à Binance e ao Mercado Bitcoin tenham sido realizados pelos mesmos responsáveis ou explorado a mesma vulnerabilidade.
No caso brasileiro, o Mercado Bitcoin afirma que conteve o incidente e que não houve prejuízo aos clientes. A investigação agora deve esclarecer como os invasores conseguiram acesso ao sistema, quais ativos foram movimentados e se houve recuperação ou bloqueio dos recursos.
Mercado Bitcoin tem perdas de US$ 40 milhões com ataque hacker, estima empresa de segurança
