O Palácio do Planalto não conta com um gesto de reconhecimento do presidente argentino, Javier Milei, caso Luiz Inácio Lula da Silva (PT) seja reeleito no domingo. A avaliação de integrantes do governo é de que o aliado da família Bolsonaro só deve reconhecer o resultado das eleições em caso de vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL). Em meio à crise diplomática entre os países, a perspectiva em Brasília é de que uma reaproximação com Buenos Aires dependerá de uma mudança de postura do argentino.
A expectativa é de que Milei mantenha o comportamento adotado ao longo da campanha, quando declarou apoio a Flávio e passou a fazer ataques frequentes a Lula. O episódio mais recente ocorreu na terça-feira, quando o argentino insinuou, sem apresentar provas, que o petista poderia tentar fraudar a eleição. Nas redes sociais, afirmou esperar que o último recurso da campanha de Lula não fosse “roubar a eleição” e chamou o presidente de “esquerdista ladrão”.
O ataque provocou uma resposta do Itamaraty, que classificou as declarações como uma tentativa de interferência externa no processo democrático brasileiro. Nos bastidores, integrantes do governo afirmar que a decisão de divulgar a nota não exigiu grandes discussões, diante do enfrentamento de que Milei ultrapassou os limites do protocolo diplomático ao questionar as instituições e o sistema eleitoral de outro país.
A avaliação é de que Milei tem fechado os canais de comunicação com o Brasil e que cabe ao próprio governo argentino decidir se pretende restabelecer uma relação política com o Brasil.
Para fontes, um eventual não reconhecimento da vitória de Lula pelo argentino não comprometeria a continuidade dos procedimentos institucionais brasileiros e não veem motivo para que o assunto provoque preocupação no Planalto. A expectativa é que outros presidentes da região, inclusive de direita, reconheçam um eventual resultado positivo para Lula.
A tensão entre os dois países ganhou uma nova dimensão em julho, quando Milei foi a São Paulo para participar da convenção do PL que oficializou a candidatura de Flávio à Presidência. Durante o evento, o argentino chamou Lula de “presidiário” e também atacou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
O episódio levou o Itamaraty a convocar o embaixador brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli, para consultas. Como as ofensas continuaram, o governo decidiu, em agosto, rebaixar o nível das relações diplomáticas. Desde então, Brasil e Argentina são representados por encarregados de negócios, em vez de embaixadores, nas respectivas capitais.
Milei só deve reconhecer resultado das eleições no caso de vitória de Flávio, avalia Planalto
