Milhares de pessoas protestam em Madri, neste sábado, contra a forma como o governo espanhol lidou com a recente chegada em massa de migrantes a Ceuta, acusando-o de não proteger as fronteiras e exigindo eleições gerais antecipadas. Agitando bandeiras espanholas, eles entoavam os gritos de “Ceuta não está à venda, Ceuta será defendida!” enquanto marchavam pelo centro da capital espanhola.
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Ceuta, território espanhol localizado no norte da África, está mergulhada em uma crise humanitária desde a chegada de mais de 70 mil migrantes vindos do Marrocos, país vizinho, entre os dias 30 e 31 de julho.
A maioria retornou nas horas seguintes, mas milhares permaneceram por semanas, muitos deles dormindo nas ruas, o que sobrecarregou os recursos da pequena cidade e desencadeou uma crise política para o primeiro-ministro Pedro Sánchez.
O protesto foi organizado pela plataforma Sociedade Civil Espanhola, que tem ligações com a direita, e contou com o apoio do Partido Popular (PP), de centro-direita, e do partido de extrema-direita Vox.
A Delegação do Governo em Madri estimou a participação em cerca de 20 mil pessoas. Os organizadores do protesto afirmaram que 180 mil pessoas participaram.
Um manifesto divulgado pelo grupo exigia eleições gerais antecipadas antes de 15 de novembro, o retorno a Marrocos de todos os migrantes que entraram em Ceuta e que Sánchez fosse julgado por “traição”.
— Há uma clara negligência — declarou o porta-voz parlamentar do PP, Miguel Tellado, aos jornalistas durante a manifestação, acrescentando que “a maioria dos espanhóis exige eleições agora”.
As próximas eleições gerais na Espanha devem ser realizadas antes de agosto de 2027.
Decreto do governo
O governo planeja aprovar um decreto na terça-feira, durante a reunião do Conselho de Ministros, para acelerar o retorno ao Marrocos dos migrantes que se encontram atualmente em Ceuta, informou o jornal El País no sábado.
O Governo aumentou a capacidade dos centros de acolhimento temporário de migrantes em Ceuta, destacou centenas de policiais e militares e aumentou o financiamento para o governo da cidade autônoma.
Mas grupos locais e partidos da oposição consideram essas medidas insuficientes.
Milhares de pessoas protestam na Espanha contra a forma como o governo lida com a crise em Ceuta
