O candidato do PL ao governo do Rio, Douglas Ruas, minimizou a indefinição sobre a candidatura do ex-governador Anthony Garotinho (Republicanos) e afirmou que espera terminar à frente de Eduardo Paes (PSD) na votação do próximo domingo. Ruas participou na manhã deste domingo (27) de um corpo a corpo com eleitores na Praça do Ó, na Barra da Tijuca.
— Independentemente de quem estiver na disputa, a nossa expectativa é de chegar na frente no dia 4 de outubro. Não estamos preocupados com essas questões jurídicas de outros candidatos — afirmou Ruas.
A situação de Garotinho pode ter impacto direto no cálculo da eleição. O TRE-RJ indeferiu por unanimidade, em 11 de setembro, o registro da candidatura do ex-governador, em razão de uma condenação por improbidade administrativa que, segundo a Corte, mantém suspensos seus direitos políticos. A defesa recorreu e Garotinho mantém a campanha enquanto tenta reverter a decisão. O julgamento dos embargos apresentados pela defesa está previsto para terça-feira, dia 29.
A possibilidade de os votos de Garotinho não serem considerados torna incerta a reta final da eleição. Caso a candidatura seja definitivamente barrada e os votos recebidos pelo ex-governador sejam anulados, a distribuição dos votos válidos mudaria, o que poderia beneficiar o candidato mais votado. Paes apareceu na frente na última pesquisa Quaest, de 23 de setembro. Ele lidera a disputa com 36%, contra 20% de Ruas, e poderia ser beneficiado com a anulação dos votos para Garotinho. A definição, no entanto, depende da tramitação do processo na Justiça Eleitoral.
A pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira testou os dois cenários. Com Garotinho na disputa, Paes tem 48% dos votos válidos, contra 33% de Ruas e 9% do ex-governador. Já sem Garotinho, Paes chega a 52% dos votos válidos, enquanto Ruas tem 35%. Nesse cenário, portanto, o percentual de Paes supera a metade dos votos válidos, patamar que corresponde à vitória em primeiro turno. A pesquisa ouviu 1.204 pessoas entre os dias 22 e 24 de setembro, com margem de erro de três pontos percentuais.
Pedreira
Ruas também foi questionado sobre a reportagem do GLOBO que mostrou que uma pedreira da família do deputado federal Altineu Côrtes (PL), seu aliado político, forneceu cerca de 300 mil toneladas de saibro e granito para obras da Secretaria Estadual das Cidades entre 2024 e 2025, período em que Ruas comandava a pasta. Os dados constam de relatórios enviados pela própria Mineração Santa Edwiges ao Inea. Altineu e Ruas negaram irregularidades.
Questionado sobre a responsabilidade da secretaria na escolha dos fornecedores de insumos utilizados nas obras, Ruas repetiu a justificativa apresentada anteriormente em sabatina do GLOBO:
— Não cabe ao órgão público fiscalizar e entender onde a empresa contratada está comprando os insumos necessários para a realização da obra.
A reportagem do GLOBO também revelou que, entre os destinos do material produzido pela pedreira em 2024, estavam o MUVI, corredor de ônibus em São Gonçalo, e uma obra de drenagem e pavimentação na Avenida 22 de Maio, em Itaboraí, ambas sob a alçada da Secretaria de Cidades durante a gestão de Ruas.
Durante o corpo a corpo, Ruas estava acompanhado da candidata a deputada federal Rogéria Bolsonaro, mãe do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), além dos candidatos a deputado federal Felipe Cury, Anderson Moraes e Gutemberg Fonseca e do candidato a deputado estadual Bernardo Leal. O grupo circulou pela praça, onde Ruas interagiu com eleitores e feirantes, conversou com comerciantes e chegou a experimentar alimentos oferecidos nas barracas.
Ruas minimiza situação jurídica de Garotinho e diz que ‘expectativa é chegar à frente’ de Paes no próximo domingo
