Pular para o conteúdo
outubro 3, 2026
BRcom
Dólar PTAXR$ 5,2232
News

Milhares vão às ruas em mais de 50 cidades da Espanha contra crise de moradia após Congresso rejeitar medidas emergenciais

Por · outubro 3, 2026
Milhares vão às ruas em mais de 50 cidades da Espanha contra crise de moradia após Congresso rejeitar medidas emergenciais


Dezenas de milhares de pessoas foram às ruas de Madri e de outras 50 cidades da Espanha neste sábado para protestar contra a crise habitacional e exigir medidas para conter o aumento dos aluguéis e proteger inquilinos. As manifestações ocorreram um dia depois de o Congresso rejeitar um pacote apresentado pelo governo do primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, com medidas emergenciais para o setor.
Contexto: Parlamento da Espanha derruba decretos que suspendiam despejo de inquilinos até 2030
Quer ler mais notícias de Mundo? Acompanhe o canal no WhatsApp
Quer morar fora? Veja guia interativo que reúne informações sobre 36 países
Na capital, cerca de 70 mil pessoas participaram do protesto, segundo a delegação do governo da Espanha. Os organizadores, porém, estimaram a presença em 500 mil manifestantes. As passeatas, realizadas sob o lema “Rumo à greve geral”, tiveram como ponto de partida o acampamento mantido há uma semana por cerca de cem ativistas na Puerta del Sol, uma das principais praças de Madri.
Um manifestante segura uma faixa com os dizeres ‘Mudar para dentro, não mudar para longe’ durante um protesto contra despejos e preços elevados de aluguel na Plaza de Cibeles, em Madri, em 3 de outubro de 2026
JAVIER SORIANO / AFP
A mobilização ocorre em meio a uma crise habitacional que se agravou nos últimos anos e ganhou novo impulso após o despejo de Maricarmen Abascal, de 87 anos. A aposentada foi retirada do apartamento onde vivia havia sete décadas depois que a empresa que havia comprado o imóvel tentou elevar em 275% o aluguel que ela pagava.
Proposta rejeitada: Governo da Espanha anuncia suspensão de despejos até 2030 em pacote para conter protestos por crise de habitação
O caso trasformou Abascal em símbolo da crise e desencadeou uma onda de protestos pelo país. Os manifestantes reivindicam redução dos aluguéis, proteção contra despejos e restrições à atuação de fundos de investimento no mercado residencial.
Derrota no Congresso
As manifestações deste sábado já estavam previstas antes da votação das medidas de Sánchez, na sexta-feira, mas a derrota do governo ampliou a pressão sobre o primeiro-ministro. A coalizão formada pelo Partido Socialista (PSOE), que está no poder, e pelo aliado minoritário Sumar não tem maioria no Parlamento e dependia do apoio de partidos menores para aprovar as propostas.
O Partido Popular (PP), de direita, e o Vox, de extrema direita, haviam anunciado que votariam contra os textos. O Junts, partido de centro-direita e independentista catalão, também se posicionou contra as duas iniciativas na véspera da votação.
Initial plugin text
O primeiro decreto, rejeitado por 178 votos a 172, previa a suspensão de despejos de inquilinos vulneráveis até 2030, a extensão por dois anos de contratos de aluguel com vencimento antes de 2028, aumento de impostos sobre apartamentos destinados ao turismo e restrições à compra de imóveis residenciais por fundos de investimento.
O segundo, derrotado por 184 votos a 166, previa a renovação automática de contratos de aluguel, uma das principais reivindicações de organizações de inquilinos.
A rejeição das medidas voltou a alimentar a possibilidade de eleições gerais antecipadas, previstas originalmente para 2027. Segundo a imprensa espanhola, Sánchez deve avaliar nos próximos dias se convoca uma nova votação.
Crise habitacional
A pressão sobre o governo ocorre enquanto a oferta de moradias não acompanha a demanda. Segundo a rede britânica BBC, o Banco da Espanha estima um déficit de cerca de 700 mil imóveis no país, considerando a diferença entre a procura e o número de novas construções.
Os preços dos imóveis residenciais subiram 12,2% no período de um ano até o segundo trimestre de 2026, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE). No mercado de aluguel, os preços avançaram 8,5% em 2025, de acordo com a empresa imobiliária Idealista. Em Madri, a alta chegou a 9,7%.
Madri e Barcelona são atualmente as cidades mais caras do país para alugar um imóvel, segundo a Idealista, com valores médios de € 22,70 (cerca de R$ 133, na cotação atual) e € 23,80 (R$ 139) por metro quadrado, respectivamente.
A reação ao despejo de Abascal chegou a produzir uma solução temporária para o caso. A empresa Urbagestión, proprietária do apartamento, negociou o retorno da aposentada ao imóvel por um aluguel mais baixo. A mobilização, porém, continuou.
Em Madri, manifestantes mantiveram o acampamento na Puerta del Sol e organizaram novas passeatas. Em Valência, houve confrontos entre policiais e participantes de uma manifestação nas proximidades do Palau de les Arts Reina Sofía, onde ocorria um encontro do setor imobiliário. Segundo a imprensa espanhola, manifestantes removeram barreiras e atiraram objetos contra policiais, que responderam com balas de borracha.
— Não estamos aqui por prazer ou conforto. Estamos aqui por convicção — disse um manifestante identificado como David à emissora pública espanhola RTVE antes do protesto em Madri.
Valeria Racu, porta-voz do Sindicato de Inquilinas, uma das organizações que impulsionam as manifestações, afirmou que a mobilização deve continuar e defendeu uma greve geral.
“O que se respira nas ruas é uma nova energia, uma energia que há muito tempo não víamos, uma energia que vem de demonstrar que oito dias de poder popular são capazes de fazer muito mais do que oito anos de governo progressista”, disse ela, em nota obtida pela AFP. “Agora começa a política de verdade, a política que sempre pertenceu ao povo e que volta às ruas de uma vez por todas.”
A entidade afirma que a rejeição das medidas do governo agrava uma crise que afeta principalmente a classe trabalhadora.
(Com AFP)

Milhares vão às ruas em mais de 50 cidades da Espanha contra crise de moradia após Congresso rejeitar medidas emergenciais