O candidato Eduardo Paes (PSD) aproveitou o último dia de campanha antes do 1º turno para pedir aos eleitores que façam um “voto útil” ainda neste domingo. Evitando a polarização entre Lula e Bolsonaro, ele fez um aceno aos eleitores da esquerda e direita e mostrou cautela com um possível desfecho do caso sobre Garotinho (Republicanos) no Tribunal Superior Eleitora (TSE), que pode definir se haverá ou não segundo turno na eleição do Rio.
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— Todos sabemos a minha posição sobre o voto nacional, mas não dá pra fazer essa coisa de vinculação porque ela fez muito mal ao Rio. Quero os votos da esquerda que não vota em mim, do PSOL, e quero os votos de uma direita que eventualmente vota no ex-presidente Jair Bolsonaro, sabendo que eu voto no presidente Lula. Ter uma disputa nacional acontecendo, mas ter uma disputa aqui no Rio de Janeiro. Se fosse uma disputa ideológica, nós não teríamos uma aliança tão ampla — pontuou ele, pedindo o apoio dos dois lados. — Não dá pra dizer que no segundo turno vai fazer o voto crítico. O voto é agora, o voto é amanhã.
Paes também comentou a indefinição na Justiça Eleitoral sobre o destino dos votos do ex-governador Anthony Garotinho (Republicanos), que no momento estão “anulados sub judice”. Após ter sua candidatura contestada pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ), ele recorreu à esfera superior e aguarda um posicionamento final.
Caso se confirme nas urnas o desempenho que Garotinho tem apresentado nas pesquisas, em que aparece com aproximadamente 10% dos eleitores, seus votos podem ser determinantes para a existência ou não no 2º turno das eleições no Rio. A anulação definitiva pode diminuir o total dos votos válidos e favorecer Eduardo Paes, que aparece na liderança nos levantamentos de intenção de votos.
Paes, no entanto, se mostra cautelo com o desfecho, indicando que vai esperar o posicionamento final do TSE para comemorar um eventual resultado favorável:
— Não dá pra adiar pra depois da eleição essa questão. Imagino que o TSE não vai julgar hoje no Plenário, mas se puder ser pautado pra segunda-feira pra terça-feira, esse é o apelo. Para que a gente não viva um impasse no estado do Rio de Janeiro em relação ao resultado que nós vamos ter amanhã — afirmou o ex-prefeito do Rio.
O candidato aproveitou o último dia de campanha para fazer eventos nos principais colégios eleitorais do estado. Sob chuva, ele começou suas agendas na Zona Oeste do Rio, com uma carreta em Padre Miguel, ao lado do prefeito da cidade Eduardo Cavaliere e seguiu para a Baixada Fluminense, para caminhadas e carrearas com apoiadores em Duque de Caxias e Nova Iguaçu.
Garotinho sinaliza apoio a Ruas
Antes mesmo de uma nova decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre a validade de seus votos, Anthony Garotinho sinalizou que apoiaria Douglas Ruas (PL) em um possível segundo turno.
— Se validem meus votos, no segundo turno eu posso até apoiar, contrariado, porque não concordo muito, mas posso até apoiar Ruas, porque essa safadeza toda partiu do Eduardo Paes, lamento dizer isso, mas é verdade. Se isso não acontecer, vou pedir ao povo todo para anular o voto, votar 10 para ver quantas pessoas estão revoltadas — afirmou Garotinho, em live no Instagram.
O aceno a Ruas, segundo Garotinho, é uma reação à atuação de Paes no caso. Em live no Instagram, neste sábado (3), o ex-governador afirmou que poderia apoiar o candidato do PL porque a decisão do TSE ocorreu após manifestação da coligação de Paes, que pediu urgência na análise do caso para que a situação dos votos fosse definida antes da eleição. A coligação argumentou que a indefinição poderia levar à realização desnecessária de um segundo turno caso os votos do ex-governador fossem posteriormente anulados.
Filho já apoiava Ruas
A fala sobre Ruas também ocorre em um cenário de divisão política dentro da própria família Garotinho. Wladimir Garotinho, filho do ex-governador, é filiado ao PL e coordena no Norte Fluminense a campanha de Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência pelo partido. Em setembro, Wladimir recebeu Flávio e Douglas Ruas em Campos dos Goytacazes durante uma carreata.
O encontro ocorreu apesar do rompimento político entre Anthony e Wladimir. Segundo reportagem de O GLOBO publicada à época, os dois estão politicamente afastados desde 2022, quando Wladimir, então prefeito de Campos, apoiou a reeleição de Cláudio Castro, adversário do pai.
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