Morreu nesta sexta-feira, aos 94 anos, o colecionador de arte contemporânea Sylvio Perlstein. Segundo fontes ligadas à família, ele morreu de causas naturais.
Nascido na Antuérpia e criado no Rio de Janeiro, Sylvio também era diamantista e joalheiro. Ainda adolescente, ele convenceu uma florista a lhe vender uma pintura, o que teria iniciado o seu gosto por adquirir obras de arte. Ainda jovem, se inseriu no circuito de exposições, conhecendo artistas, galeristas, e estabelecendo uma rede de contatos que carregou consigo até o fim.
Sua coleção, que abrigava obras de dadaísmo, surrealismo, abstração, land art, minimalismo, pop art, entre outros estilos, ganhou o mundo em exposições como “A luta continua”, na Hauser & Wirth, em Nova York (2018) e em Hong Kong (2019), exibindo cerca de 200–360 obras de 112 a 250 artistas, e “A inusitada coleção de Sylvio Perlstein”, no MASP, em São Paulo (2014), com 150 obras que representavam cerca de um décimo de sua coleção total.
Perlstein era tido como um colecionador excêntrico e chegou a ter uma das maiores coleções da Europa. Em 2007, ele contou parte de sua história em entrevista ao GLOBO.
— Minha família veio para cá em 1939. Eu tinha 5 anos. Morei até os 20 no Rio. Gostava mesmo era de ir à praia e jogar futebol. Ainda garoto, vi uma pintura que me encatou em uma loja de flores de Copacabana e comprei — disse ele ao crítico de arte Luis Camilo Osorio. — Era um brasileiro de nome italiano, não me lembro mais ao certo. Todavia, foi na minha volta para a Europa que a coleção de fato começou. Morava na Antuérpia, mas ia muito a Nova York. Trabalhava para uma firma de diamantes americana. Isso era no fim dos anos 60, e eu gostava de um bar chamado Max Kansas City, que era freqüentado por artistas como Sol LeWitt, Keith Sonnier, Robert Ryman, Brice Marden, Joseph Kosuth. Ficamos próximos e algumas vezes tomávamos uma última bebida na casa de um deles. Lembro-me do Sol LeWitt tirando uns desenhos e colocando-os sobre a cama e me pedindo para escolher. Eles davam os trabalhos, era uma outra época. Com isso, fui tomando gosto e comprava trabalhos sempre que visitava Nova York e estávamos juntos. Eles sabiam que os europeus gostavam mais daquele tipo de arte do que os próprios americanos. Creio ter sido um dos primeiros colecionadores do Ryman. Na Bélgica, fiquei amigo, entre outros, do Marcel Broodthaers, com quem visitei a Documenta de 1972, e do Pol Bury, de quem tenho muitos trabalhos e se tornou um bom amigo.