O Movimento Azul, evento que acontecerá na Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio, no dia 9 de novembro, é iniciativa de uma mãe que sofreu para ter o filho diagnosticado com diabetes 1, uma doença autoimune crônica em que o sistema imunológico destrói as células do pâncreas que produzem insulina. O nome dela é Renée Assayag, de 50 anos.
A servidora pública contou que, durante dois meses, o filho Bruno, de 17 anos, tinha sede excessiva, muita fome, vontade frequente de urinar, fadiga, e perda de peso inexplicável. Neste período, teve episódios de saúde, como sinusite e gastroenterite, foi internado, mas não fez teste para glicose.
— Me considero uma pessoa bem informada, mas nada fechava. Passamos por alguns especialistas e nada. Falta de informação total. Fomos tratando de outras formas, tentando dar significado aos sintomas — comenta Rennée.
Foi quando ela, que corre na Lagoa com o grupo Toscano, comentou sobre o caso com um amigo que é endocrinologista e corredor. Ele levantou a suspeita de diabetes e bingo!
— Era um quadro muito óbvio… Mas, sem saber dos sintomas básicos, eu não tinha ideia. Se me dessem uma lista com dez possibilidades de doença, eu não apontaria a diabetes. Tinha em mente o estilo de vida dele, super saudável, mas foi acometido por outro tipo de diabetes.
Grata com a descoberta e com o início do tratamento do filho, ela pensou em fazer algo para divulgar a informação sobre os sintomas da diabetes 1. E como o mês de novembro, o de conscientização ao diabetes (e também do câncer de próstata), se aproximava, decidiu fazer uma corrida com os amigos da Toscano. E os convidou a correr de azul.
O Novembro Azul é celebrado no mundo inteiro, assim como o Dia Mundial do Diabetes, em 14 de novembro. Essa data marca o aniversário de Frederick Banting (1891-1941), um dos descobridores da insulina, vencedor do Prêmio Nobel de Medicina ou Fisiologia em 1923.
— Na minha primeira corrida na Lagoa, depois que Bruno começou a sair deste quadro, eu estava tão grata… Porque ele estava definhando e quando passou a usar a insulina, voltou a reagir de uma maneira incrível. Pensei muito em como poderia ajudar uma, duas pessoas, alguém. Quero espalhar as informações básicas sobre os sintomas. Aconteceu com o meu filho, super saudável — alerta Renée.
A ideia de Renée foi crescendo e, no boca a boca, outras assessorias toparam usar a cor símbolo em uma corrida. Renée procurou a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD-RJ) e a entidade estará na Lagoa para a realização de palestras e para fornecer o teste de glicemia.
E quem não quiser correr, poderá fazer aula de ioga ou dançar ao som de um DJ. Renée encontrou um local na Lagoa para a realização do evento, o Eu Rio Beach Club, e conseguiu uma parceria com o supermercado Zona Sul para oferecer um café da manhã aos corredores.
E foi assim que surgiu o Movimento Azul: a “corridinha” passou a ser um evento com foco na educação e informação.
— E teremos a presença de vários atletas com diabetes, uma maneira de demonstrar que a doença não impede a vida saudável. Ao contrário.
Entre eles, está o maratonista Gustavo Torres, de 35 anos. Ele será um dos pacers, aqueles corredores que ditam o ritmo do pelotão — todos os pacers serão atletas com diabetes e que também são maratonistas, ultramaratonistas, triatletas.
Gustavo teve “mais sorte”. Aos 13 anos, com os mesmos sintomas de Bruno, seu diagnóstico foi, em consulta com o pediatra. Gustavo afirma, no entanto, que é comum pacientes com quadros mais brandos terem dificuldade de diagnóstico.
— Perdi 7 quilos em uma semana, dormia durante a aula toda, estava com dificuldade de aprendizado. Quando meu médico disse que era diabetes 1, perguntei se eu poderia manter o esporte. Eu jogava tênis todos os dias — lembra Gustavo, que é médico anestesista. — A maioria das pessoas desconhece os sintomas. À época, meus pais acharam que era uma virose.
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Até hoje ele joga tênis. Seu esporte atual, porém, é a corrida. Pratica ao menos quatro vezes na semana. E diz que é seu remédio.
Gustavo explica que apesar dos esportes de endurece serem complicados para quem tem diabetes, é possível praticá-los com acompanhamento médico. Afirma que durante a prática da corrida, por exemplo, ele mede a glicemia o tempo inteiro.
Ele usa um sensor no braço que, conectado a uma bomba, uma espécie de ‘máquina’ de insulina, controla seus níveis de glicose. Em uma corrida longa, ele lembra, o corpo pode queimar proteína e músculo e a glicose permanecer alta.
Também faz uso de gel com carboidrato de lenta absorção. Os de rápida absorção, ele explica, ultrapassam o tempo da absorção da insulina e fazem com que o diabético tenha picos de glicose.
Gustavo afirma, no entanto, que o esporte faz diferença no controle da doença. Isso porque o exercício aumenta os canais transportadores de glicose para os músculos, diminuindo a concentração no sangue.
— O exercício te bota mais sensível à insulina. Ou seja, desta forma usamos menos insulina. Além disso, insulina é um hormônio anabolizante. E quanto mais insulina se toma, mais gordinho fica. E quanto mais gordinho, mais resistente ao hormônio — explicou o médico. — A gente vive uma moda, a moda da corrida. E usar a moda em prol do tratamento para a diabetes é uma ideia genial.
No dia 9, Gustavo terá a companhia de sua esposa Thais, de 34 anos, grávida de oito meses, e da obstetra dela, a Mariana Conforto, que é diabética. Ambas correrão. E Reneé correrá ao lado do filho Bruno.
- Data: Domingo, 9 de novembro, 7h–12h
- Local: Eu Rio Beach Club, Lagoa Rodrigo de Freitas (altura do Corte do Cantagalo)
- Programação:
- 7h15 — Aquecimento
- 7h30 — Corrida (volta completa na Lagoa)
- 9h30 — Palestras (prevenção, nutrição e exercícios)
- 10h — Aula de ioga
- 7h–12h — Orientação com médicos, testes de glicemia gratuitos e DJ
- Inscrições para a corrida: Neste link

