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outubro 7, 2026
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Mulher de 70 anos pede e é aprovada para eutanásia no Canadá após perder a capacidade de cozinhar para a família; entenda o caso

Por · outubro 7, 2026
Mulher de 70 anos pede e é aprovada para eutanásia no Canadá após perder a capacidade de cozinhar para a família; entenda o caso


Em artigo publicado pelo New York Times nesta segunda-feira (5), dois psiquiatras canadenses relatam casos de pacientes que solicitaram e obtiveram autorização para morrer por meio da assistência médica para morrer no Canadá. Um dos episódios envolve uma mulher na casa dos 70 anos que, após perder a capacidade de cozinhar para a família, passou a acreditar que havia perdido seu valor. Ela chegou a ser aprovada para o procedimento, mas desistiu após fazer terapia e perceber que seus familiares valorizavam sua presença, e não aquilo que ela fazia por eles.
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O caso é usado pelos médicos para levantar uma questão sobre o modelo canadense: até que ponto um pedido de morte assistida representa uma decisão definitiva e até que ponto pode refletir um sofrimento que ainda poderia ser tratado. Segundo os autores, a perda da vontade de viver pode oscilar e estar relacionada não apenas à dor física, mas também a fatores psicológicos, familiares e à perda de identidade e sentido na vida.
Como funciona a morte assistida no Canadá
O Canadá legalizou a assistência médica para morrer em 2016. Inicialmente, o procedimento era destinado a pessoas cuja morte natural fosse considerada “razoavelmente previsível”. Em 2021, porém, o Parlamento retirou essa exigência, ampliando o acesso. Atualmente, dois profissionais de saúde precisam aprovar o pedido.
Na chamada Via 1, que reúne a maioria dos casos, o paciente tem uma doença que levará à morte em algum momento, embora a lei não determine um prazo. Já a Via 2 contempla pessoas que não têm uma doença com risco de vida. Nesses casos, há uma espera mínima de 90 dias antes da realização do procedimento.
O modelo canadense está entre os mais permissivos do mundo e, segundo os autores, a assistência médica para morrer já corresponde a mais de 5% de todas as mortes no país. Em 2024, 98% dos pacientes avaliados foram considerados elegíveis pelo critério de “sofrimento intolerável”, e mais de 92% tiveram o procedimento aprovado.
O que os médicos defendem
Os psiquiatras não são contrários à morte assistida. Eles relatam, inclusive, casos em que o procedimento permitiu a pacientes escolher o momento da morte e se despedir dos familiares antes que a doença avançasse. A preocupação é que a autorização não seja tratada apenas como uma verificação de requisitos legais, sem uma conversa mais profunda sobre as razões que levaram à decisão.
Para os autores, pacientes deveriam ter acesso rotineiro a aconselhamento e a conversas que explorem alternativas capazes de aliviar o sofrimento antes da decisão definitiva. “A morte não deve se tornar o único tipo de alívio que as pessoas conseguem imaginar”, concluem.

Mulher de 70 anos pede e é aprovada para eutanásia no Canadá após perder a capacidade de cozinhar para a família; entenda o caso