Pular para o conteúdo
setembro 25, 2026
BRcom
Dólar PTAXR$ 5,1985
News

Na contramão do Ibovespa, ações de varejistas sobem antes de veto a bets

Por · setembro 25, 2026
Na contramão do Ibovespa, ações de varejistas sobem antes de veto a bets


Ações de empresas de varejo sobem nesta tarde, na contramão do principal índice da Bolsa, que opera em baixa. Papéis da Magazine Luiza saltam 5%, enquanto as ações da Renner sobem 1,7%. Redes de supermercados também avançam: a rede de atacarejo Assaí sobe 1,66%; o GPA (dono do Pão de Açúcar) avança 2,1% e o Grupo Mateus, com forte atuação no Norte e Nordeste do país, avança 0,4%.
A proibição de casas de apostas no país, que movimentou R$ 37 bilhões em todo o ano passado, pode ter impacto positivo no setor e valorizar os papéis de redes de supermercado, de roupas e de eletrodomésticos.
Para analistas, apesar do alto endividamento das famílias e da falta de mais detalhes da medida, que ainda serão divulgadas, as companhias varejistas podem sofrer valorização:
— Ainda precisamos entender a perenidade do projeto, mas, no primeiro momento, no curto prazo, a medida é favorável, visto que o direcionamento da renda deve mudar bastante. Há maior distribuição de renda para o varejo, como supermercados, eletrônicos, e-commerce e vestuário — disse Lucas Barbosa, analista da Ativa Investimentos.
Estudo da Peers Consulting realizado pela Tendências Consultoria afirma que a grande parte dos apostadores encaminha para os jogos renda que antes era destinada à alimentação, ao vestuário e a compra de aparelhos de eletrodoméstico. Cálculos da Confederação Nacional do Comércio, Bens e Serviços (CNC) afirmam que o comércio deixou de faturar, entre 2024 e 2025, cerca de R$ 143 bilhões.
João Lucas Tonello, analista da corretora Nomos, avalia que, mesmo que as receitas das ‘bets’ já representem cerca de 10% do faturamento de todo o varejo brasileiro, não é claro que todo o volume aplicado em apostas passe, imediatamente, ao setor varejista:
— A proibição não vai direto para o consumo, mas uma boa parte tende sim a ser gasta. Mas outra parte pode ir para o mercado de derivativos, que pode ser acessada via VPN. Talvez, a proibição sem fiscalização eficaz pode não trazer tanto o fluxo esperado para esse mercado — avalia ele, que ainda vê parte do valor sendo mantido nesse tipo de mercado mesmo com a proibição.
Tonello afirma que, ainda que a proibição desse mercado traga impactos relevantes a diversos setores, o ambiente de alto custo de crédito ainda “é um obstáculo” para o varejo brasileiro, diante de taxas ainda em patamar restritivo.
Já Ana Paula Tozzi, sócia da consultoria de varejo AGR, afirma que o retorno do apetite “à economia real” tende a ser paulatino:
— Esse dinheiro não automaticamente vai se transformar em consumo, mas sim terá vários destinos. E não de forma automática. Uma parte deve ir para as apostas ilegais, porque não é que a bet seja proibida hoje, a pessoa perde o vício amanhã. Uma outra, sim, vai voltar para consumo de setores básicos, como higiene pessoal e supermercado. E outra parte importante deve ir para pagamento de dívidas, diante do alto endividamento das famílias — ela diz, lembrando que uma medida provisória, se não for validada pelo Congresso, pode perder a validade e retornar ao cenário atual, de legalização.
A leitura é semelhante a de Pedro Paulo Silveira, da Terra Investimentos. Para ele, o retorno ao consumo vai depender da “reorganização dos orçamentos familiares no longo prazo”.
Espaço para investimentos ainda distante
O estudo da Peers e da Tendências mostra que o mercado de apostas é concorrente direto ao planejamento financeiro, “canibalizando aportes que antes seriam destinados a pagamento de contas, formação de patrimônio e segurança familiar”.
Mesmo com a taxa de juros em patamar restritivo, o que aumenta os retornos de investimentos de renda fixa, Ana Paula, da AGR, afirma ser difícil que o valor hoje aplicado em apostas seja desviado para investimentos, como a tradicional caderneta de poupança:
— Há distância longe de consciência de poupança para essa classe. Esse fluxo de caixa livre tende a ser retomado para o básico, como sanar dívidas para pagar — afirma.
Dados da Anbima revelados pelo estudo da Tendências mostram que a B3 demorou 13 anos para alcançar 5,4 milhões de CPFs em renda variável. Apenas em cinco anos, o mercado de apostas regular superou esse número em quase cinco vezes, a 25,2 milhões de CPFs cadastrados no fim do ano passado.
Initial plugin text

Na contramão do Ibovespa, ações de varejistas sobem antes de veto a bets