Praias do sul da Califórnia enfrentam uma explosão de casos de banhistas feridos por arraias em 2026. Apenas em Bolsa Chica e Huntington, no Condado de Orange, mais de 3.100 ocorrências foram registradas desde o início do ano, segundo levantamento divulgado pela Associated Press. O número já corresponde ao dobro do projetado para todo o ano passado.
O fenômeno também é observado mais ao sul. Em San Diego, salva-vidas contabilizaram quase mil pessoas atingidas por ferrões de arraias neste ano, número superior ao registrado em qualquer primeiro semestre dos últimos cinco anos.
Especialistas apontam uma combinação de fatores para explicar a alta, mas o principal deles está debaixo d’água: o Oceano Pacífico está mais quente. As temperaturas elevadas favorecem a presença das arraias em águas rasas próximas à costa — justamente as áreas mais frequentadas por banhistas.
— Definitivamente estamos vendo um aumento. Grande parte disso se deve ao aquecimento das temperaturas oceânicas, que têm se mantido consistentemente na casa dos 15°C. Acho que não houve uma semana sequer durante todo o inverno em que a temperatura tenha caído abaixo de 15°C este ano — afirmou Bryan R. Etnyre, superintendente de parques estaduais no norte do Condado de Orange, à AP.
A situação pode se intensificar. Com as condições associadas ao El Niño contribuindo para águas mais quentes na região, pesquisadores esperam que mais arraias se desloquem de áreas ao sul e se concentrem junto ao litoral californiano.
As arraias encontradas na região costumam permanecer parcialmente enterradas na areia, principalmente em águas quentes e pouco profundas. Isso cria uma combinação particularmente problemática durante períodos de maior movimento nas praias: mais animais dividindo exatamente o mesmo espaço com mais banhistas.
Chris Lowe, professor de biologia marinha e diretor do Shark Lab da Universidade Estadual da Califórnia em Long Beach, explica que esses animais são originalmente associados a ambientes subtropicais, mas estão encontrando condições favoráveis para ampliar sua presença.
— Na verdade, são uma espécie subtropical que está prosperando no limite de sua distribuição geográfica devido às mudanças climáticas — explicou.
Em determinados momentos, a concentração pode ser tão grande que praticamente não sobra espaço visível entre os animais.
— Pode haver tantas que elas chegam a cobrir o fundo, a ponto de não se ver a areia — disse Lowe. — Durante o El Niño, recebemos mais delas vindas do sul, e elas se aproximam da costa. Então, este ano, estamos esperando números recordes.
Outro fator pode estar contribuindo para o aumento da população. Animais que naturalmente predam arraias, entre eles algumas espécies de tubarões, leões-marinhos e garoupas gigantes, estariam exercendo menor pressão sobre a população, favorecendo o crescimento do número de indivíduos.

