Ter uma nécessaire cheia de produtos pode até dar a sensação de que os cuidados estão completos, mas quantidade não é sinônimo de eficácia quando o assunto é skincare. A maneira como os cosméticos são combinados, a sequência em que entram na rotina e até a frequência da limpeza podem fazer diferença na resposta da pele. Em alguns casos, o excesso de zelo acaba produzindo o efeito contrário: ressecamento, irritação e sensibilidade.
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Entre os deslizes mais comuns estão aplicar o protetor solar fora da etapa adequada, combinar diferentes ativos sem considerar a tolerância individual e acrescentar vários produtos de uma vez. A pressa para alcançar resultados também pode levar a mudanças constantes na rotina, dificultando perceber o que realmente funciona ou o que está provocando uma reação.
Outro ponto de atenção é a limpeza. Lavar o rosto repetidamente ou recorrer a produtos muito agressivos não deixa necessariamente a pele mais limpa. Segundo a dermatologista Larissa Oliveira, da Onne Clinic (RJ), esse hábito pode comprometer a barreira cutânea, estrutura que ajuda a proteger a pele e a manter sua hidratação.
“A limpeza excessiva ou com produtos muito agressivos pode comprometer a barreira cutânea. Quando isso acontece, a pele pode ficar mais ressecada, irritada e sensibilizada”, explica.
1. Usar produtos demais
Uma rotina extensa pode parecer mais completa, mas nem sempre oferece mais benefícios. A combinação de produtos com funções semelhantes ou de diferentes ativos potencialmente irritantes pode aumentar a chance de desconforto, sobretudo quando a pele ainda não está adaptada.
“Um dos erros mais frequentes é acreditar que uma rotina com mais produtos necessariamente será mais eficaz. Na prática, o excesso de produtos e de ativos pode aumentar o risco de irritação, ressecamento e sensibilização da pele, especialmente quando vários produtos com ação semelhante são usados ao mesmo tempo”, afirma Larissa.
A dermatologista também chama atenção para outro hábito: começar vários cosméticos simultaneamente. Quando surge uma reação, fica mais difícil identificar qual deles foi responsável pelo problema. Por isso, introduzir novidades gradualmente permite observar melhor como a pele responde.
2. Errar a sequência da rotina
A ordem dos produtos não precisa ser complicada. Pela manhã, de maneira geral, a rotina começa com a limpeza, seguida pelo tratamento ou medicamento tópico, quando indicado, hidratante e, por último, protetor solar. A maquiagem vem depois.
A sequência ajuda a organizar as etapas e evita que a fotoproteção fique em uma posição inadequada. Outra orientação é partir das texturas mais leves para as mais cremosas, embora as características de cada formulação também devam ser consideradas.
“Mais importante do que esperar um determinado número de minutos entre todos os produtos é respeitar as orientações específicas de cada formulação e evitar aplicar várias camadas de ativos potencialmente irritantes de uma só vez”, destaca.
3. Combinar ativos sem considerar a tolerância da pele
Ácidos, retinoides e vitamina C estão entre os ingredientes mais conhecidos nas rotinas de cuidados. Isso não significa, porém, que a combinação entre eles seja indicada para todo mundo ou que aumentar a quantidade de ativos vá acelerar os resultados.
“Retinoides e alguns ácidos, por exemplo, podem causar ressecamento e irritação, especialmente no início do uso. Isso não significa que esses ativos não possam fazer parte da mesma rotina: em alguns casos, o dermatologista pode combiná-los ou distribuí-los em diferentes horários e dias, de acordo com o objetivo e a tolerância do paciente”, acrescenta.
O problema está principalmente em fazer essas associações por conta própria, aumentar concentrações ou elevar a frequência de aplicação para tentar obter efeitos mais rápidos. Se a pele permanece irritada, a estratégia precisa ser revista.
“Irritação persistente não é sinal de que o produto está ‘funcionando melhor’; é motivo para reavaliar a rotina”, observa.
4. Exagerar na limpeza
A sensação de pele completamente limpa pode ser agradável, mas o uso excessivo de sabonetes ou fórmulas muito adstringentes pode retirar componentes importantes da superfície cutânea. Com isso, podem surgir ressecamento, repuxamento e maior sensibilidade.
A frequência e o tipo de produto devem levar em conta as características de cada pele. Uma pessoa com tendência à oleosidade, por exemplo, tem necessidades diferentes daquela que apresenta ressecamento ou sensibilidade.
Por isso, aumentar a frequência das lavagens nem sempre é a melhor resposta para quem percebe oleosidade ou deseja melhorar a aparência da pele. O equilíbrio costuma ser mais importante do que a sensação de limpeza intensa.
5. Montar uma rotina sem olhar para as próprias necessidades
Não existe uma fórmula única que funcione da mesma maneira para todas as pessoas. Idade, tipo de pele, acne, manchas, sensibilidade e ressecamento estão entre os fatores que podem influenciar a escolha dos produtos.
“O primeiro passo é entender que não existe uma rotina universal. Tipo de pele, idade, presença de acne, manchas, sensibilidade, ressecamento e outras condições dermatológicas influenciam a escolha dos produtos”, pontua Larissa.
Uma rotina básica pode começar com três pilares: limpeza adequada, hidratação e proteção solar. A partir daí, outros produtos podem ser incorporados quando existe uma necessidade específica.
Também vale evitar a troca constante de cosméticos. “É importante introduzir novos produtos de forma gradual e dar tempo para avaliar sua resposta, em vez de trocar ou adicionar produtos constantemente”, orienta.
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No fim, uma rotina de skincare não precisa ocupar a prateleira inteira do banheiro para fazer sentido. Mais do que acompanhar todas as novidades ou reunir o maior número possível de ativos, o cuidado diário depende de entender o que a pele precisa e de manter uma rotina que possa ser seguida com regularidade. Quando há irritação recorrente, dúvidas sobre os ingredientes ou alguma condição dermatológica específica, a avaliação de um dermatologista pode ajudar a direcionar as escolhas.

