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‘Não procurei a ajuda de que precisava’

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setembro 10, 2025
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Charlie Sheen em Santa Monica, na Califórnia: ator lança livro de memórias e é tema de documentário — Foto: Molly Matalon/The New York Times

Quando Charlie Sheen relembra os anos que passou viciado em álcool, cocaína, comprimidos e crack, ele se lembra de vomitar sangue do alto de sua varanda. Ou de suas mãos tremendo tanto que não conseguia se servir de um copo de Patrón Silver. Essas lembranças voltam sem aviso, pairando sobre seus pensamentos. Por quase oito anos, por mais perturbadores que sejam, elas o ajudaram a não mergulhar de novo no caos.

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Em 12 de dezembro de 2017, Sheen — quatro vezes indicado ao Emmy por “Two and a Half Men” e por um tempo um dos atores de televisão mais bem pagos de Hollywood, em uma série com 15 milhões de espectadores por episódio — ficou sóbrio. Ele tem estado bastante quieto desde então. Em 2023, apareceu na série “Bookie”, que o reuniu com seu antigo chefe/inimigo de “Two and a Half Men”, Chuck Lorre. Agora, contenta-se em passear pela Califórnia com seus cinco filhos e três netos.

Ele também passou um tempo em casa escrevendo um livro de memórias, “The Book of Sheen”, lançado na terça-feira (9) nos EUA. Há anos, rumores circulam sobre ele. O livro — a que ele chama de “acesso total aos bastidores da verdade”, juntamente com o doc da Netflix “aka Charlie Sheen” (com estreia nesta quarta no Brasil) — o coloca diante desses rumores.

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Conheci Sheen, de 60 anos, em agosto, no Fairmont Miramar Hotel & Bungalows em Santa Monica. O cenário ensolarado da Califórnia parecia um pouco alegre para um sujeito cujas memórias começam com a frase “Em 3 de setembro de 1965, na cidade de Nova York, às 22h58, eu nasci morto”.

Naquela noite, sua mãe, Janet Sheen, e seu pai, Martin Sheen, viram o doutor Irwin Chabon reanimando seu filho após um “estrangulamento umbilical”. O bebê foi batizado de Carlos Irwin Estevez em sua homenagem. A família, incluindo os irmãos Ramon, Emilio e Renée, se estabeleceu em Malibu. Como Sheen conta no livro, quando começou a atuar, “Carlos evoluiu para Charlie, e Estevez deu lugar a Sheen”.

No Fairmont, Sheen disse que o “ponto de ignição inicial” do livro veio em 2018. Depois de décadas lutando contra o abuso de substâncias, ele estava lúcido o suficiente para fazer um balanço de sua vida. Andava por aí com “nascido morto” na cabeça havia anos e havia escrito as primeiras páginas que mostrou a Jennifer Bergstrom, vice-presidente sênior e editora da Gallery.

Sheen tinha bastante material para explorar. Havia sua infância passada viajando para os sets de filmagem de seu pai. O jovem Charlie almoçou com Marlon Brando em “Apocalypse Now”. Depois veio a gagueira que ele desenvolveu na terceira série. Ele a descreve como uma “falha cerebral” que ainda o atormenta, e acredita que foi uma das coisas que o levaram a beber. Houve também o estrelato inicial com “Curtindo a vida adoidado”, “Platoon” e “Wall Street”. E então, é claro, a queda espetacular que durou anos e gerou um milhão de manchetes e acusações pouco lisonjeiras.

— Fiquei sobrecarregado e não procurei a ajuda de que precisava — disse ele sobre seus anos mais tumultuados, que o levaram a ser demitido de “Two and a Half Men” em 2011. — Eu pensei: “Eu consigo.” Mas não consegui.

Andrew Renzi, que dirigiu o documentário, passou cerca de um ano conhecendo Sheen antes de começarem as filmagens e entrevistou várias pessoas, incluindo as ex-esposas Denise Richards e Brooke Mueller e seu colega de elenco em “Two and a Half Men” Jon Cryer, além de Sean Penn, o irmão Ramon Sheen e Heidi Fleiss.

Charlie Sheen em Santa Monica, na Califórnia: ator lança livro de memórias e é tema de documentário — Foto: Molly Matalon/The New York Times

Um dos pontos mais fortes do livro é a proximidade de todo o clã Sheen. É também um dos mais comoventes. Seus pais e três irmãos o apoiaram em intervenções, reabilitações e quase overdoses. Seus apoiadores também incluem pessoas que trabalharam com ele durante seus anos mais turbulentos.

— Ele não era o bad boy que o público tinha o direito de presumir— disse Holland Taylor, que interpretou sua mãe em “Two and a Half Men” por oito temporadas. — Pelo contrário, ele era a pessoa mais preparada e disciplinada com quem já trabalhei em uma sitcom. Ele é incrivelmente inteligente, teve experiências incríveis e tem uma mente ativa e analítica.

Sheen trabalhou em estreita colaboração com sua editora, Aimée Bel.

— Acho que o que mais me chocou foi que, para alguém que deveria estar no Guinness World Records por usar mais crack e sobreviver, ele tem memória fotográfica — disse ela.

Em 2015, depois de contar a milhões de espectadores do “Today” que era HIV positivo, ele disse que sentiu uma sensação de alívio.

— Tirou a munição de tantas armas que ainda estavam apontadas para mim — disse ele. — O mesmo vale para o conteúdo do livro e do documentário.

Os anos que podem ser considerados “indizíveis” para alguns não são encobertos nas memórias. Elas levam os leitores daqueles primeiros dias em Malibu às decadentes casas de massagem de Santa Monica e à mansão da Playboy. Percorrem casamentos, divórcios, fama, infâmia, dinheiro ganho e perdido, e excessos alucinantes. Ele relata ter feito sexo com homens enquanto usava crack, algo que não havia reconhecido anteriormente. Uma das partes mais angustiantes acontece depois que Sheen é diagnosticado com HIV e parte para o México por um único motivo: beber.

Hoje em dia, Sheen não está cercado de tentações. Mas ficar sóbrio não acontece por mágica. Sheen tentou os Alcoólicos Anônimos por vários anos, mas nunca funcionou para ele, que parou de beber para sempre por causa dos filhos. Sheen agora é próximo dos filhos. Ele não está em um relacionamento e, embora não se oponha a isso, o “único foco” nos últimos anos tem sido os filhos.

— Há muita nobreza nisso, para mim. Ser confiável e consistente sem ser previsível — resume.

Ele está aberto a voltar a atuar, mas não está buscando ativamente:

Escrever as memórias é o trabalho mais difícil e gratificante que ele já teve, disse Sheen. Ao entrar nesta nova fase da vida, na qual seu passado provavelmente será trazido à tona e julgado novamente, ele se sente pronto. Não tem mais nada a esconder.

— Estou guardando essas coisas para mim — disse Sheen sobre os momentos mais sombrios, as coisas que lhe dão “arrepios de vergonha” do nada.

Quando essas memórias lhe vêm à mente, ele se pergunta o que estava pensando na época, como pôde deixar as coisas ficarem tão extremas, tão perigosas.

— Aí preciso lembrar que aquele momento não é o que importa hoje. Ele não existe mais, mas isso não significa que não tenha sido real — disse ele.

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