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‘Não queria estragar a letra em português’

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junho 27, 2025
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A cantora americana Samara Joy, em 2023, em show no Rio de Janeiro — Foto: Lucas Tavares

Aos 25 anos de idade e com cinco prêmios Grammy na estante (dois deles vencidos em disputas com brasileiros, Anitta e Milton Nascimento), a cantora americana Samara Joy volta ao país (onde esteve em 2023) para uma rodada de shows, no dia 31 de julho, em São Paulo, no Teatro Cultura Artística, e em 2 de agosto, no Rio de Janeiro, no Vivo Rio. Mas esta revelação do jazz — a mais bem-sucedida que o gênero produziu em muito tempo —não chega sem um aperitivo: hoje estreia no streaming o single com “Flor de Lis (Upside Down)”.

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O samba de Djavan, que esta legítima herdeira de vozes como Sarah Vaughan (1924-1990) e Ella Fitzgerald (1917-1996) cantou em seu show no Rio em 2023, volta em arranjo do baterista de sua banda, Evan Sherman. Uma recordação dos bons momentos que passou na cidade.

— Sinceramente, foi uma das melhores experiências da minha vida. Um público tão lindo, tão musical, e a praia, o Pão de Açúcar… tudo foi simplesmente incrível — conta a cantora, em entrevista por Zoom. — E eu vi um show de Djavan, o que me deu ainda mais inspiração para querer gravar a música. Eu cantei “Flor de Lis” aí e todo mundo, claro, cantou junto. E cantou muito melhor do que eu, com uma pronúncia e um som muito melhores do que os meus. Mas (depois de ver Djavan) eu me inspirei e agora estou muito feliz em voltar e poder compartilhar essa música que vocês criaram e que eu recriei.

A cantora americana Samara Joy, em 2023, em show no Rio de Janeiro — Foto: Lucas Tavares

Samara diz ter conhecido “Flor de Lis” na versão da cantora americana de jazz Cécile McLorin Salvant com o pianista Sullivan Fortner. E resolveu investir numa versão bilíngue.

— Acho que a versão em inglês é completamente diferente da original, ela usa a mesma melodia para contar uma história diferente — diz. — A história de “Flor de Lis” é linda, mas, quando tentei procurar uma tradução, senti como se fosse algo que só um brasileiro de verdade poderia explicar ou compartilhar. Acho que ele é uma música melhor em português, e a letra em inglês é algo como uma interpretação de uma história diferentes.

Em seu álbum mais recente, “Portrait” (2014), por sinal, Samara Joy gravou outra canção brasileira: “No more blues” — a versão em inglês do “Chega de saudade” de Tom Jobim e Vinicius de Moraes.

— Essa é uma música que eu vinha cantando ao vivo há uns três anos, com a letra em português mesmo. Na hora de gravar, pedi para o trompetista da minha banda para fazer um arranjo em cima da letra em inglês — diz. — É outro exemplo de como alguns músicos de jazz ouvem uma melodia e escrevem letras que não são a tradução, mas é apenas outro tipo de história. Eu gravei assim, porque não queria estragar a letra em português. Eu só queria cantar a melodia da melhor maneira possível.

Samara trará ao Brasil pela primeira vez o septeto com o qual gravou “Portrait”, e diz que os shows serão focados não no repertório do disco, mas “na música em que temos trabalhado nos últimos meses”.

— De qualquer forma, será tudo no contexto de “Portrait”. Não necessariamente com muitas músicas do álbum, só com algumas. Porque gosto que a experiência ao vivo seja diferente daquela do álbum — explica Samara, que tem aproveitado bastante a experiência com o septeto, nascido do acréscimo de um naipe de sopros à tradicional formação de trio com o qual costumava se apresentar. — Há bem mais texturas e cores à nossa disposição. Ambas as formações são boas, mas fico feliz por ter mais opções. E sinto que, com o septeto, cresci muito como vocalista, cantando os arranjos e criando maneiras de me integrar à banda, como se eu fosse mais um instrumento. Isso me permite ser expressiva de maneiras muito diferentes, me dá muita liberdade, mas também me desafia.

Haveria mais músicas brasileiras no show, além de “Flor de Lis” e “Chega de saudade”?

— Talvez sim, talvez sim. Tenho algumas músicas ainda para aprender. Ultimamente tenho ouvido Elis Regina, Djavan de diferentes épocas, Gilberto Gil e Rosa Passos — diz Samara, que soube pela repórter do desejo do guitarrista Hélio Delmiro (expresso em entrevista ao GLOBO poucos dias antes de falecer, na semana passada), de fazer um disco com ela (Delmiro tocou com Sarah Vaughan e Elis, entre outras grandes cantoras). — Nossa, sinto muito por isso! Ele viveu uma vida plena da música.

Entre os muitos desafios que Samara Joy encarou em “Portrait”, o de adaptar uma peça do contrabaixista e mito do jazz Charles Mingus (1922-1979), “Reincarnation of a lovebird”, foi o maior.

— Essa foi uma música difícil de aprender! Primeiro, porque os intervalos foram escritos para um instrumento, não necessariamente para uma voz. Parte do desafio era descobrir como cantar esses intervalos tão amplos e fazê-los soar fluidos, como se não houvesse sido feita alguma adaptação — conta ela. — Agora que o desafio foi cumprido, ela é uma das músicas favoritas que eu mais gosto de cantar. Por causa dela, passei a gostar de músicas com intervalos grandes. Ela me deu a chance de fazer algo que não é padrão, algo que vem da mente de um músico de jazz, que tem uma sonoridade própria, única.

Depois de cinco Grammys em dois anos, a vida de Samara Joy mudou muito.

— Tem muitas coisas às quais tenho que me adaptar nessa nova vida, como essa atenção do público e as viagens. Às vezes, me sinto sobrecarregada, mas nunca pressionada a ser algo que não sou. A pressão que existe é para continuar a fazer a música que amo, porque as pessoas já me aceitaram, aceitaram minha produção como artista — diz. — Então, os prêmios e tudo mais me encorajam a continuar sendo eu mesma e a continuar confiando nas minhas ideias. Eles me levam a acreditar que, se você detém o controle criativo, o público pode vir a se apaixonar pelo que você está fazendo, não por qualquer outro motivo além do amor pela música.

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