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Por que a chegada do filme no streaming acendeu debate no setor audiovisual

BRCOM by BRCOM
junho 27, 2025
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O desempenho de 'Homem com H' nos cinemas — Foto: Arte O Globo/ Fonte: Filme B

Homem com H”, cinebiografia de Ney Matogrosso dirigida por Esmir Filho, tem todo jeito de blockbuster do cinema nacional. Após a estreia em 1º de maio, levou às salas do país 636 mil pessoas até o último domingo e uniu elogios de crítica e público, que encheu as redes sociais com conteúdo do filme.

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Tudo isso animou exibidores até a notícia de que, 47 dias depois da estreia, o longa chegaria à Netflix, plataforma em que está disponível desde o dia 17. Por lá, o mesmo sucesso: por vários dias, alcançou a 1ª posição na lista de filmes mais vistos. O intervalo tão curto entre a chegada aos cinemas e ao streaming suscitou discussões. Qual o impacto de uma janela reduzida de exibição exclusivamente cinematográfica para o ecossistema do audiovisual?

— Se a pessoa sabe que daqui a 40 dias ela vai assistir ao filme no streaming, diminui o interesse de ela ir ao cinema e isso enfraquece toda a cadeia — diz Marcos Barros, presidente da Associação Brasileira das Empresas Cinematográficas (Abraplex), salientando que o público das salas ainda está de 25% a 30% menor que antes da pandemia. — Se você reduz a janela, está automaticamente inviabilizando o cinema.

Adriana Rattes, diretora executiva e sócia-fundadora do Grupo Estação, com três espaços no Rio (dois em Botafogo e um na Gávea), diz ter sido pega de surpresa quando soube que “Homem com H” ficaria tão pouco tempo nos cinemas. Até quarta-feira, havia quatro sessões programadas (três no Net Botafogo e uma no Net Gávea). Hoje, são apenas duas (uma no Net Rio, também em Botafogo, e outra na Gávea). A diminuição vem em razão da queda vertiginosa do público.

—A estreia de “Homem com H” foi ótima e também se sustentou de forma excelente — diz ela. — Mas todo o mercado realmente se surpreendeu quando veio a notícia oficial (de ida para o streaming). O filme caiu muito a partir daí.

Janelas muito curtas já fizeram com que o Estação recusasse alguns filmes. O mais recente foi “Apocalipse nos trópicos”, documentário de Petra Costa. A estreia nos cinemas está marcada para 3 de julho e a ida para a Netflix, 14 do mesmo mês.

—Teríamos o maior interesse em exibir esse doc para o público do Estação — diz Adriana. — É um filme que certamente iria fazer sucesso. Mas essa janela é contra o cinema, contra o mercado.

A título de comparação, “Chico Bento e a goiabeira maraviósa” ficou 72 dias nos cinemas antes de entrar no Prime Video, enquanto “Vitória” levou 67 dias e “Ainda estou aqui” passou 150 dias para chegar ao Globoplay. No passado, um filme esperava cerca de seis meses após o lançamento nos cinemas para estrear na janela seguinte, que era o Home Video (VHS, DVD, Blu-ray). Depois disso, levava mais três meses para o lançamento na TV fechada. Na TV aberta, podia chegar entre um e dois anos, dependendo do filme. Isso mudou com o advento do streaming e se radicalizou na pandemia. Em 2020, a Warner determinou que seus filmes teriam estreias simultâneas nos cinemas e em sua plataforma, a HBO Max. A decisão revoltou alguns dos principais diretores do estúdio, como Christopher Nolan, Denis Villeneuve e Patty Jenkins. Depois, a empresa admitiu que a estratégia não foi positiva para o negócio.

— Cinema ajuda o marketing da plataforma, pois o filme chega nela aquecido— diz a produtora Marina Kosa, sócia da Tanto com o também produtor Bernardo Lessa.

— Não é que as produções não devam ir para os streamings. É melhor, inclusive, que elas estejam numa plataforma oficial, gerando receita para indústria, do que num link (pirataria), mas, se o filme fica um pouco mais nas salas de cinema, com certeza ele chega ao streaming, com uma força muito maior.

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  • Lei sobre janela de exibição
  • Preço e formação de plateia
      • Por que a chegada do filme no streaming acendeu debate no setor audiovisual

Lei sobre janela de exibição

O projeto de lei (PL 2331/22) de regulação do VOD/streaming corre na Câmara dos Deputados propondo estabelecer um tempo mínimo entre as janelas de exibição. Apoiada pelos exibidores, proposta de emenda do deputado Mersinho Lucena (PP-PB) propôs um período de 180 dias entre os lançamentos no cinema e no streaming. Relatora do projeto, a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) concordou em estabelecer um intervalo mínimo, mas diminuiu para nove semanas (63 dias).

O desempenho de ‘Homem com H’ nos cinemas — Foto: Arte O Globo/ Fonte: Filme B

— Se a sala de cinema fosse uma experiência obsoleta, não haveria “Barbie” e “Oppenheimer” (hits de 2023), não haveria um esforço para ocupar as salas. Se esse esforço ainda existe, ele tem que ser protegido — defende o crítico e pesquisador Pedro Butcher, autor do livro “Hollywood e o mercado de cinema brasileiro: princípios de uma hegemonia”. — Por ter uma defasagem na cobertura das cidades com salas (cerca de 9%), o Brasil ainda vê o cinema como um negócio em crescimento. Temos um número recorde de salas no país (3.532).

Associação que representa serviços de streaming que atuam no Brasil, reunindo Disney+, Globoplay, Max, Netflix e Prime Video, a Strima defende a negociação direta entre os agentes do setor e destaca a importância das plataformas na democratização do acesso aos filmes brasileiros em regiões onde não há salas de cinema. “Ampliar e democratizar esse acesso é essencial para o fortalecimento da indústria e para a construção de uma identidade cultural plural e inclusiva”, diz a associação em nota ao GLOBO. “É igualmente importante considerar os efeitos indesejados de uma regulação rígida. A imposição de janelas obrigatórias, descoladas da realidade de consumo e distribuição atual, pode abrir espaço para a pirataria”.

Preço e formação de plateia

Quando levantaram a discussão sobre “Homem com H” num post nas redes sociais, Bernardo Lessa e Marina Kosa se depararam com centenas de comentários repetindo o mesmo argumento a favor da entrada do filme no streaming: o alto custo de uma ida ao cinema no Brasil. O Estação compartilhou o post da dupla e viu o mesmo tipo de comentário. Um deles era direto e reto: “Fiquei feliz que entrou na Netflix.” “Preço do ingresso é luxo para poucos”, “cinema caro, pipoca indecente, viva a TV”, “se o preço do ingresso fosse acessível, eu priorizaria o cinema”, escreveram outros.

Segundo cálculos da Ancine, que faz a média entre público das salas e renda das bilheterias, o preço do ingresso, em 2024, foi R$ 19,88 em média (uma inteira num shopping na Zona Norte do Rio, por exemplo, custa R$ 43,32, e, em São Paulo, R$ 52,44). Na conta da Ancine sobre o valor médio do ingresso no país, entram as meias-entradas exigidas por lei, além das promoções das empresas.

—Acho que a discussão sobre o preço de ingresso é relevante e tem a ver com o custo de vida em geral e o custo de acesso à cultura para os brasileiros. Para que o preço mude, a política audiovisual precisa abordar essa questão — diz Adriana Rattes, frisando que 80% das entradas vendidas no Estação são meia. — Salas sofrem interferências da legislação, que impõe regras sem oferecer nada em troca. Essa é uma questão complexa, em que todo mundo que trabalha com cinema deveria pensar. Mas esse preço não estava impactando tanto assim “Homem com H”, que estava lotado.

O preço não foi um problema para a professora Dione da Silva, que estava no Estação Net Botafogo na tarde de quarta-feira. Com direito à meia-entrada por causa de seus 63 anos, ela afirmou ter visto “Homem com H” por dez vezes.

— Acho uma estratégia infeliz, que esvazia a sala de cinema e diminui a formação de público— diz a fã de Ney Matogrosso.

— É uma questão de formação de público mesmo — endossa Marina Kosa. —Se “Homem com H”, “Ainda estou aqui” e outros vão muito bem, há um incentivo para entrar mais filmes brasileiros nos cinemas e, quem sabe, para abrir pequenas salas em todo o país.

Procurada via assessoria, a Paris Entretenimento, produtora e distribuidora do filme, e os envolvidos na produção preferiram não se manifestar.

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