A embarcação semissubmersível localizada pela Força Aérea Brasileira (FAB) neste sábado e o narcossubmarino apreendido por autoridades portuguesas em março foram fabricados na mesma região do Pará, segundo disse a Polícia Federal, em nota, nesta segunda-feira. O “mini-submarino” encontrado neste fim de semana estava em uma área da Ilha de Marajó.
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A identificação do narcossubmarino foi fruto de uma cooperação entre a Polícia Nacional da Espanha, a Polícia Judiciária de Portugal e da Administração de Repressão às Drogas (DEA), dos Estados Unidos.
“A operação é fruto do trabalho integrado entre as forças brasileiras e ocorre como resposta direta às investigações relacionadas à apreensão, em março de 2025, de uma embarcação similar nas águas de Portugal. As investigações apontaram que ambos os equipamentos foram fabricados na mesma região do Pará, com a finalidade de viabilizar o tráfico transatlântico de entorpecentes”, disse a PF.
Segundo a FAB, o isolamento geográfico da Ilha de Marajó, um dos maiores arquipélagos fluviomarinhos do mundo, favorece ações do crime organizado, que investe em soluções logísticas sofisticadas para despistar a fiscalização.
O caso de março mencionado pela PF levou à prisão de três brasileiros que estavam dentro de um narcossubmarino a 920 quilômetros do território dos Açores. A tripulação, que contava ainda com um colombiano e um espanhol, transportava 6,5 toneladas de cocaína.
O submarino havia partido do litoral brasileiro e tinha como destino algum ponto da Península Ibérica. Em coletiva de imprensa feita na época, Luís Neves, Diretor Nacional da Polícia Judiciária, explicou que os narcossubmarinos se aproximam da costa apenas o suficiente para serem abordados por lanchas. A droga é retirada dos submersíveis, e os barcos levam o carregamento da droga para dentro do país, rapidamente.
Segundo Neves, os tripulantes presos “não são aprendizes” e foram treinados para a ação criminosa que cruzou o Oceano Atlântico. O nome da organização criminosa responsável pelo caso não foi divulgado, mas, de acordo com o diretor da Polícia Judiciária, é uma das muitas que buscam “encharcar a Europa de muita cocaína”.
“São os cartéis que os constroem, são manufaturados e têm tecnologia de ponta para poderem comunicar com a organização e para poderem estar no mar”, declarou Neves, segundo o jornal português Observador.
A operação da FAB e da PF que levou a apreensão do semissubmersível neste sábado contou com o uso de ferramentas avançadas de inteligência artificial, imagens de satélite de alta resolução e aeronaves da FAB equipadas com sensores especiais. Esses recursos permitiram monitorar e mapear movimentações fluviais incomuns na complexa malha hidrográfica da Amazônia.
Durante a missão de reconhecimento, as aeronaves R-99 (plataforma aérea da FAB voltada à vigilância e inteligência) detectaram estruturas navais camufladas entre galpões ribeirinhos, além de padrões logísticos atípicos em rotas estratégicas da região. As informações captadas por sensores instalados nas aeronaves e satélites em órbita da Terra foram compartilhadas com as equipes da Polícia Federal e viabilizaram a mobilização terrestre para interceptar a embarcação.
