Neymar Jr era uma promessa do futebol brasileiro quando viveu pela primeira vez a expectativa de ser convocado para uma Copa do Mundo. No começo de 2010, enquanto brilhava atuando pelo Santos no Campeonato Paulista, o atleta de 18 anos já ouvia feras como Ronaldo pedindo para o então treinador da seleção, Dunga, incluir seu nome entre os atletas que disputariam o mundial da África do Sul.
- Neymar na Copa: Atacante foi convocado por Ancelotti para mundial deste ano
- Um grupo seleto: Neymar entra para “clube” dos brasileiros chamados para quatro copas
Foi nesse clima de euforia e tensão que o menino, chamado de Juninho dentro de casa, recebeu uma equipe do GLOBO na cobertura onde morava com a família, em Santos. Durante a entrevista, em março daquele ano, o atleta não parava de se mexer na cadeira. “Sempre foi hiperativo”, disse Neymar, o pai. “Ele está jogando pra caramba. Por que esperar quatro anos? Não sabemos o que vai acontecer até lá”.
- Instagram: Siga o nosso perfil, com fotos de cem anos de jornalismo
Inquieto, Neymar Jr acrescentou. “Olha, eu vou continuar a entrar em campo, jogar do meu jeito, com alegria e ousadia. Se a seleção chegar para mim este ano, estarei preparado. Por que não posso pensar que é impossível, certo? Vai que alguma coisa acontece? Não vou desanimar”.
O jovem craque sabia que atuar pela seleção era fundamental para conquistar um grande sonho. “Minha meta é jogar bem todos os jogos, se possível fazendo gols. Mas, um dia, quero alcançar o sonho de ser o melhor do mundo. Desde pequeno penso nisso”, revelou o rapaz, que tinha fotos ao lado de astros como Zidane, Ronaldo, Maradona e Roberto Carlos enfeitando a sala de TV.
- Projeto de motivação: Ancelotti deixa questão física de lado e justifica Neymar na Copa
- Lista de convocados: Veja a relação com todos os nomes de atletas chamados para Mundial
O boné para trás escondia o cabelo descolorido e o penteado moicano aparado toda semana. Sem nenhum problema em dizer que era vaidoso, Neymar fazia sobrancelha, raspava as pernas e ia ao podologo com regularidade. Relógio Dolce & Gabanna, pulseira, corrente e brincos com as iniciais “NJ”, tudo de ouro, também chamavam atenção no corpo magrinho do atleta.
“Para furar a orelha, ele teve que cumprir um objetivo, que era chegar à semifinal do Paulista no ano passado. E assim a gente vai caminhando”, contou o pai, acrescentando que o corte moicano tinha sido “desobediência”. “Quando fui ver, já tinha cortado, prefiro o estilo carequinha”.
Cobiçado por vários times europeus, Neymar vinha sendo chamado até de “novo Pelé” pela imprensa internacional. Sem se sentir pressionado com a comparação, o garoto disse que fazia as coisas “do meu jeito, para tentar chegar aos pés dele”.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_da025474c0c44edd99332dddb09cabe8/internal_photos/bs/2026/V/H/mieY8qS3SkRFMeHMRJSg/neymarbarba.png)
Ao longo dos meses que antecederam a convocação, Dunga sentiu aumentar a pressão para convocar Neymar Jr seu colega de equipe Paulo Henrique Ganso, outra revelação. Mas, ao divulgar sua lista, o treinador descartou ambos categoricamente. Pelo jeito como falou, aquilo nunca foi uma hipótese.
“Dizem que eu deveria levá-los para ganhar experiência para 2014. Só pode ser brincadeira. A cobrança é agora, tenho que pensar em conquistar o título na África. São dois grandes talentos e, certamente, terão um grande futuro na seleção, mas infelizmente apareceram tarde. Copa tem muita pressão”.
Na Vila Belmiro, a expectativa virou frustração. No dia seguinte, o Santos enfrentaria o Grêmio pelas semi-finais da Copa do Brasil, e tanto Ganso quanto Neymar Jr estavam proibidos de dar entrevistas, mas o pai de “Juninho” disse que ele chegou em casa brincando, dizendo “Ih, veio, não deu”. Meses depois, em outra entrevista, ele mostou que não estava chateado: “Minha vez vai chegar”.
Desde então, o jogador foi chamado para todos os mundiais. Nesta segunda-feira, entrou para o seleto clube de brasileiros convocados para atuar em quatro copas do mundo ao longo da carreira.
