Após a mudança de local da estátua do líder indígena Arariboia, que foi retirada da frente do terminal das barcas que leva seu nome, no Centro de Niterói, nesta quinta-feira (10), niteroienses reagiram nas redes sociais. Houve críticas, algumas em tom supersticioso, alegando que não se deveria mudar o guardião da cidade de lugar, além de publicações bem-humoradas comentando a iniciativa da prefeitura, que transferiu o monumento para perto do Espaço Cultural Correios, cerca de cem metros adiante.
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“Vocês sabem que deu m… a última vez que mexeram nele né? Deixa onde é para estar”, disse um internauta no post da prefeitura no X com o anúncio da mudança do local. Segundo o rapaz, da última vez em que a estátua mudou de lugar, “a água invadiu a cidade”.
No mesmo tom, outros usuários da rede mostraram preocupação com a mudança:
“Meu Deus, a urucubaca…”, disse um usuário do X. “Aguardem, o índio já não gostou uma vez de sair do mesmo local”, comentou outro internauta.
No Instagram da prefeitura, que dizia que Arariboia, no novo local, poderá “ter a visão do mar e melhorar a proteção de Niterói”, outros comentários foram mais incisivos em relação à mudança:
“Ridículo! Ele deve ficar onde sempre esteve. Da última vez que mudaram, o mar invadiu Niterói. Ficam brincando com o chefe da aldeia. Vocês têm que ter respeito pelos povos originários. Ainda por cima colocaram ele em uma pedra menor”, protestou um perfil.
A prefeitura da cidade decidiu mover a escultura para uma área em frente ao Espaço Cultural Correios, entre as ruas Aurelino Leal e José Clemente. A transferência faz parte do plano de revitalização da Avenida Rio Branco, que já levou à retirada de bancas de jornal e de estacionamentos, além do enterramento de fios.
“Aí depois não aguentam a gozação. Até o Arariboia quer olhar para o Rio“, brincou um usuário do X.
“Ele ta é doido para ir dar um rolé no Rio, por isso que ele fica assim olhando”, disse outro.
Uma usuária do Instagram tinha uma “preocupação” diferente: “Onde vou pegar meu Uber agora?”, indagou.
Outros internautas teceram críticas ainda ao gasto de recursos com a transferência: “Mexer para que, né! Quantos milhões esse reposicionamento?”.
Um morador reclamou das condições da cidade — e sobrou até para o Rio: “Só rindo mesmo, o Rio de Janeiro tem um Cristo de braços abertos, nós temos um indígena de braços cruzados, que agora fica olhando para o mar, acho que os dois vão ficar batendo papo sobre qual cidade tá mais largada”, postou.
A mudança de local faz parte de uma série de intervenções para a requalificação do Centro da cidade, o projeto Orla Centro. O prefeito Rodrigo Neves explicou a decisão.
— A estátua de Arariboia foi posicionada de frente para o mar, agora, em um ponto mais adequado para que ele possa vigiar as águas da Baía de Guanabara. Com a expansão urbana, a escultura foi sendo cercada por construções que ofuscavam esse sentido — disse. — Com a revitalização do Centro e a criação de um grande espaço público de convivência, estamos resgatando essa história e reforçando o lugar de Arariboia na vigilância da Baía de Guanabara e como protetor de Niterói.
A secretária de Conservação e Serviços Públicos de Niterói, Dayse Monassa, que acompanhou a realocação anterior da estátua, reforçou a necessidade da mudança.
— Há 30 anos, eu estava presente, acompanhando de perto a primeira realocação de Arariboia. Hoje, tenho o privilégio de viver novamente um momento histórico, com o novo posicionamento de uma das estátuas mais significativas da cidade. A modernização da Avenida Rio Branco é um reflexo da renovação que Niterói está passando, respeitando o passado, mas se preparando para o futuro — afirmou.
A estátua de Arariboia foi inaugurada em 1973, na celebração dos 400 anos de Niterói, substituindo um busto que havia sido instalado no local em 1914. Com a mudança de local, a escultura do líder indígena ficou de frente para a Baía de Guanabara.
Arariboia foi um cacique da tribo temiminó, e entrou para a História como fundador de Niterói. Ele nasceu na Ilha do Governador, na aldeia dos maracajás, em torno de 1520. Estava ao lado de Estácio de Sá na defesa da paliçada aos pés do Pão de Açúcar, onde o militar português fundou o Rio de Janeiro. Dois anos depois, quando a cidade se mudou para o Morro do Castelo, continuou a protegê-la, instalado com seus comandados na várzea da Praia da Piaçava, região da atual Praça Quinze.
A tribo de Arariboia esteve entre as primeiras a se aliarem aos portugueses na guerra contra o restante dos tupinambás que habitavam a Baía de Guanabara. Por isso, foi dado a seu povo o território onde hoje está a cidade de Niterói.

