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No Paraná, governo licenciou 2.500 máquinas eletrônicas de jogos e arrecadou R$ 60 milhões só com outorgas

BRCOM by BRCOM
agosto 21, 2025
in News
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Tela da video loteria do Paraná — Foto: Guilherme Lara da Rosa

São 18h de uma quarta-feira que marca os 15ºC nos termômetros em Curitiba. Dentro de um salão não muito discreto no bairro Bom Retiro, o ambiente lembra um café-bar: mesas com xícaras, cardápio simples, música que assemelha ao pop em volume baixo. À primeira vista, nada chamaria a atenção. Mas basta olhar ao redor para ver as fileiras de máquinas com telas coloridas, exibindo duendes, dragões e aves tropicais — os novos protagonistas do jogo no Paraná.

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Na unidade da Apostou Vídeo Loteria são 63 terminais eletrônicos de apostas, conhecidos como VLTs (vídeo loteria terminals). Ao todo, o estado já licenciou 2.500 dessas máquinas, espalhadas por pontos dedicados e também em estabelecimentos mistos, como bares e restaurantes. Só em outorgas, a Lottopar (loteria estadual) afirma ter arrecadado R$ 60 milhões, destinados a áreas como segurança pública e habitação. São cinco unidades da casa somente em Curitiba.

Cada apostador precisa ter um celular em mãos: o único meio de pagamento é o Pix. O valor mínimo por jogada é de R$ 0,25, e o máximo, R$ 50. Não há limite de tempo de permanência nem de gasto. O controle, dizem os funcionários, não é possível ser feito.

Os jogos se dividem em dois formatos: o de cartela, semelhante ao bingo, e o de rodílios, que lembra uma máquina caça-níquel, embora a casa insista que o mecanismo é distinto. No primeiro, cada rodada equivale a um bilhete. No segundo, os símbolos giram como em um caça-níquel, mas o sistema registra o número de cada aposta.

— Só muda o design — admite um funcionário ao explicar as semelhanças.

Tela da video loteria do Paraná — Foto: Guilherme Lara da Rosa

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  • Perfis e rotina dos jogadores
  • Diferença para os caça-níqueis
      • No Paraná, governo licenciou 2.500 máquinas eletrônicas de jogos e arrecadou R$ 60 milhões só com outorgas

Perfis e rotina dos jogadores

A clientela é majoritariamente formada por pessoas acima dos 50 anos. Nesta quarta-feira, havia 12 apostadores, entre eles um pai e filho na faixa dos 50 a 80 anos, além de um casal. Pouco se conversava no espaço, apesar do ambiente silencioso. Uma das idosas, que aparenta ter cerca de 75 anos, comenta com a amiga: “Até agora, gastei R$ 600”. A outra responde rindo: “Gastamos bem”.

João (nome fictício), de 64 anos, se define como “viciado”. Ele frequenta a casa desde abril, mas já era assíduo dos caça-níqueis clandestinos. Nesta quarta-feira, relatou ter chegado às 16h, já havia apostado R$ 500 e planejava ficar até o fechamento, às 2h da madrugada.

— Gasto até R$ 2.500 por mês. É diversão. Para ganhar dinheiro tem que jogar na Mega-Sena. Se não jogo aqui, acabo jogando no celular. Isso é vício mesmo — disse.

Questionado sobre a comparação com os caça-níqueis, respondeu:

— A diferença é que aqui é legalizado. No caça-níquel, era tudo escondido. Não tem polícia atrás de você.

O Rio de Janeiro segue os passos do Paraná. No estado fluminense, um decreto recente autorizou a instalação de máquinas de apostas eletrônicas em bares e estabelecimentos comerciais, com pagamento exclusivo via Pix e monitoramento em tempo real. As casas de apostas paranaenses oferecem VLTs legalizados, fiscalizados pela Lottopar.

Café colonial é servido aos apostadores — Foto: Guilherme Lara da Rosa
Café colonial é servido aos apostadores — Foto: Guilherme Lara da Rosa

Segundo o setor financeiro da Apostou, a meta é abrir 80 novas casas até o fim do ano no Paraná. Embora a regra seja exigir documento de identidade na entrada, nesta quarta-feira o acesso era livre.

Além das apostas, há ainda uma estratégia para fidelizar clientes: cafés coloniais às quartas, pizza às sextas, caldos às quintas e até chocolate quente nos fins de semana. O consumo de bebida alcoólica, no entanto, é discreto, embora existisse somente uma marca de cerveja na geladeira expositora e um chopp pilsen de 300 ml sendo ofertado a R$ 5.

Diferença para os caça-níqueis

A Lottopar defende que os VLTs são diferentes dos caça-níqueis: são legalizados, auditados por laboratórios internacionais e operam com um banco de dados de bilhetes eletrônicos, o que garantiria transparência. Já as máquinas clandestinas seriam manipuláveis e sem qualquer garantia ao jogador.

“Há, entretanto, restrições legais: é vedada a comercialização em farmácias e, conforme regulamentação da Lottopar, é proibida a oferta de jogos em um raio de 100 metros de estabelecimentos de ensino. Os concessionários não devem permitir acessos às máquinas por menores de 18 anos. A plataforma de gestão e meios de pagamento da Lottopar bloqueia Pix realizado por menores”, disse a Lottopar em nota.

Apesar disso, a semelhança visual e a dinâmica de jogadas rápidas e recompensas instantâneas levantam dúvidas entre especialistas sobre o risco de compulsão.

Questionada como avalia os impactos sociais dessas máquinas, principalmente em relação ao vício em jogos de azar, a autarquia afirma que os jogos sempre existiram no Brasil, regulamentados pela Caixa Econômica Federal ou de forma ilegal, que é perigoso e financia o crime.

“A Lottopar age para que as pessoas vejam as apostas como entretenimento seguro, migrando-as do mercado ilegal para um ambiente regulamentado e fiscalizado.”, completa a nota.

Procurado, o Ministério Público do Paraná informou que, até o momento, não há investigações em andamento sobre a Lottopar ou sobre as máquinas de videoloteria. No entanto, afirmou que, caso surjam demandas relacionadas à proteção do consumidor, medidas poderão ser tomadas, incluindo requisições de informações e apuração de eventuais irregularidades.

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