Enquanto brasileiros que vivem no exterior foram às urnas neste domingo (4), Londres também recebeu uma manifestação em defesa da população trans. Na região de City of Westminster, a influenciadora brasileira Suellen Carey, de 38 anos, levou às ruas um cartaz com a frase “Nos deixem viver”. A escolha da data, segundo ela, foi uma forma de relacionar o exercício do voto à discussão sobre direitos e segurança para pessoas LGBTQIA+ no Brasil.
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Suellen afirma que decidiu realizar o protesto justamente no dia em que os brasileiros escolhiam seus representantes. Para ela, participar da eleição e chamar atenção para a violência contra pessoas trans são ações que fazem parte da mesma discussão sobre cidadania.
“Eu quis estar ali justamente no dia em que os brasileiros estavam escolhendo quem vai representá-los. O Brasil pediu meu voto, mas foi outro país que precisou me proteger. Hoje, eu posso votar, mas também quero lembrar que existem pessoas que ainda lutam simplesmente pelo direito de continuar vivas”, declarou.
A influenciadora deixou o Brasil em 2015. Segundo seu relato, a decisão ocorreu depois de episódios de perseguição e violência motivados por transfobia. Entre as situações que menciona está um ataque em que seu carro teria sido atingido por cerca de 20 tiros.
Depois de viver em outros países europeus, Suellen se estabeleceu no Reino Unido e obteve status de refugiada em 2025. Ao recordar a saída do Brasil, ela diz que a decisão esteve relacionada ao receio pela própria segurança.
“Quando meu carro levou 20 tiros, entendi que poderia morrer por ser quem sou. Não deixei o Brasil em busca de uma aventura. Eu fugi porque permanecer tinha se transformado em um risco”, relembrou.
O protesto em Londres se soma a outras manifestações públicas feitas por Suellen em defesa da população trans. Para ela, a discussão sobre violência também passa pela maneira como pessoas trans são retratadas e tratadas no cotidiano.
“Quem usa o voto para negar direitos não pode fingir surpresa quando o discurso vira agressão. A violência começa antes do sangue, começa quando alguém decide que a nossa vida vale menos. O que eu estou pedindo é muito básico: nos deixem viver”, concluiu.
'Nos deixem viver': por que uma influenciadora trans protestou em Londres no dia da eleição
