O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kassio Nunes Marques, marcou para esta terça-feira uma reunião com as equipes jurídicas das campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do senador Flávio Bolsonaro. O encontro ocorre após uma série de decisões do TSE, algumas conflitantes, dadas a pedido dos advogados dos presidenciáveis.
A reunião foi marcada para o início da segunda semana do segundo turno das eleições, em meio a uma nova leva de pedidos encaminhados pelas campanhas ao TSE. Na semana passada, primeira semana pós segundo turno, já foram impetrados pelo menos mais 85 processos envolvendo Lula, Flávio, a coligação que patrocina a candidatura do presidente, e o PL Nacional.
A eleição de 2026 já se tornou um marco em termo de judicialização das campanhas à Presidência. Levantamento feito pelo GLOBO identificou que o TSE recebeu 698 processos envolvendo as duas principais candidaturas apenas até o último dia 4, um recorde considerando as duas últimas eleições presidenciais.
O principal ponto de tensão entre as campanhas, atualmente, é a atuação do canal ‘Exército do Lula’, criado pelo deputado federal André Janones no Whatsapp. A campanha de Flávio questionou no TSE, em diferentes frentes, o canal e os conteúdos nele disseminados.
Neste fim de semana, o caso se tornou pivô de impasse entre o corregedor da Justiça Eleitoral, Ricardo Villas Boas Cueva, e Nunes Marques. No sábado, o primeiro requereu mais informações antes de decidir sobre um pedido de suspensão do canal. No domingo pela manhã, em outro processo, o presidente do TSE mandou o Whatsapp derrubar o ‘Exército do Lula’.
A decisão de Nunes Marques causou incômodo e desconfiança internamente. Levou inclusive o corregedor a assinar um novo despacho, na tarde de ontem, restabelecendo o canal e tecendo críticas à conduta de Nunes Marques.
Na madrugada desta segunda, Nunes Marques assinou um novo despacho sobre o caso. O ministro determinou o envio de pedido do PL sobre o ‘Exército do Lula’ à Assessoria de Enfrentamento à Desinformação do TSE para que, “com a máxima urgência, preste informações técnicas” sobre o caso.
“Solicita-se, especialmente, que a unidade informe se identificou a circulação de conteúdos idênticos ou substancialmente equivalentes àqueles examinados nestes autos, inclusive em outros canais e plataformas digitais, bem como eventual atuação coordenada destinada à sua disseminação. Deverá, ainda, informar as providências eventualmente adotadas no âmbito de suas atribuições e apresentar os elementos técnicos disponíveis que possam contribuir para a avaliação dos riscos à integridade do processo eleitoral”, escreveu o ministro.
Nunes Marques convoca campanhas de Flávio e Lula após batalha jurídica no TSE
