“O risco é grande e imediato. Quando um mercado relevante como os Estados Unidos encarece os produtos brasileiros, sobra carne que precisa ser redirecionada. E nem sempre os outros mercados pagam o mesmo preço. Quem vai comprar sabe que o Brasil tem carne disponível e vai negociar preço para baixo.
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Na prática, isso pressiona o mercado interno. A arroba do boi pode cair, porque o frigorífico vai ter mais facilidade para comprar gado, alegando que o cenário externo ficou mais difícil. Como produtor rural, vejo que a nossa margem, que já é apertada, pode ser ainda mais espremida. E isso afeta toda a cadeia produtiva, do criador ao frigorífico.
Vejo já um mercado mais cauteloso. Os frigoríficos e exportadores estão reduzindo o ritmo das negociações, esperando entender o impacto real das tarifas. Isso não afeta só as exportações para os Estados Unidos. Respinga na China, Oriente Médio e até no mercado interno, porque toda a cadeia da carne bovina sente a mudança no fluxo.
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Após o anúncio das tarifas, por exemplo, o mercado reagiu com queda na liquidez e retração no preço da arroba, segundo o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada). O cenário segue em análise, mas com muito mais prudência nos negócios.
O desafio é manter o equilíbrio. O frigorífico quer proteger sua margem, alegando o risco no mercado externo. O produtor rural precisa defender um preço mínimo para cobrir seus custos, que estão elevados. Mas em cenários como esse o frigorífico tem mais poder de barganha, e o produtor precisa negociar firme para não sair no prejuízo.
Vejo como positivo o diálogo entre o governo e o setor produtivo. Isso é essencial. O presidente Lula está certo em buscar essa interlocução, porque o governo tem um papel estratégico nessas horas. Abrir mercado, negociar barreiras comerciais e proteger quem produz e gera emprego no país.
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O que a gente precisa agora é de agilidade pra abrir novos mercados, reduzir dependência de poucos compradores e dar segurança jurídica para o produtor rural continuar investindo. A demanda principal do agro hoje é garantir que a gente tenha para quem vender e segurança para produzir.
Já existe atuação do Ministério da Agricultura e do Itamaraty. Tenho visto o ministro e as equipes técnicas buscando dialogar com o setor e abrir portas lá fora. Estão agindo da forma correta, mas o cenário exige agilidade.
Cada dia de incerteza pesa na conta do produtor, que não pode parar a produção enquanto espera decisão política. O Brasil tem um agro eficiente, mas precisa do suporte institucional para garantir que nossos produtos tenham acesso aos mercados certos.
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Eu vejo esse encontro do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, com o ex-presidente Jair Bolsonaro, como parte da política brasileira, mas acho que a negociação com os EUA tem que ser tratada de forma técnica e comercial, e não política. O foco tem que ser proteger o produtor, a indústria e o comércio brasileiro, independentemente de partido ou eleição.
Quem tem que liderar essa negociação é o governo federal atual, é o presidente Lula, junto com os ministérios responsáveis. São eles que têm legitimidade e responsabilidade pra representar o Brasil e defender nossos interesses econômicos.
O agro não pode ficar no meio da disputa política. O que a gente precisa é de equilíbrio e estratégia pra manter o mercado funcionando. Quem está no campo quer estabilidade pra continuar produzindo e gerando riqueza para o país.
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O agronegócio brasileiro desempenha papel fundamental na nossa economia e na vida das pessoas. Representando mais de 23% do PIB nacional e gerando emprego e renda para mais de 26% da população brasileira, direta e indiretamente, o setor é responsável por colocar comida na mesa, gerar divisas para o país e sustentar milhões de famílias em todas as regiões do Brasil.”
*Em depoimento ao repórter Bruno Rosa