O caso de espancamento a uma estudante da rede estadual de ensino — violentamente agredida por quatro colegas dentro da Escola Estadual Carlos Hugueney, em Alto Araguaia, município do sul de Mato Grosso — tem tomado as redes sociais desde a última terça-feira (5), quando a história ganhou repercussão por meio de imagens feitas por testemunhas. Veja abaixo tudo o que se sabe sobre o episódio até o momento.
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Na quinta-feira passada (31), o ocorrido veio à tona após a divulgação de um vídeo nas redes sociais que mostra a jovem ajoelhada, com o rosto virado para a parede, enquanto é cercada pelas agressoras. Ao GLOBO, o delegado Marcos Paulo Batista revelou que as agressões partiram de um grupo de alunos que simulavam a regras de uma “facção criminosa”.
— Um grupo de alunos da escola resolveu montar um grupo semelhante a uma facção criminosa, com cerca de 20 integrantes, entre 10 a 14 anos. A jovem teria sido agredida após se negar a dar um ‘geladinho’ para outra colega. Uma semana antes do ocorrido, uma das agressoras foi pega com uma pessoa que portava drogas — descreveu ao GLOBO, acrescentando: — Uma das regras é que a pessoa não pode chorar, caso ocorra, a pena é maior, sendo agredida com pedaço de ferro ou espinhos — completou.
Ainda de acordo com o delegado, outros casos como este também foram registrados. Em um deles, um pedaço maior de pau e espinhos foram usados na agressão. As imagens mostram tapas, socos, chutes e golpes com um pedaço de pau. O GLOBO teve acesso à gravação, mas não irá publicar em respeito a vítima.
O registro indica que a agressão foi premeditada e tratada como uma espécie de humilhação pública, o que agravou a reação nas redes sociais. O caso foi encaminhado à Polícia Civil, que apura os fatos sob perspectiva criminal.
O documento da agressão foi feito pelas próprias envolvidas, que se revezam na violência enquanto riem e debocham da situação. A primeira dá alguns tapas no rosto da vítima e diz, “conta quantos tapas eu dei”.
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Em seguida, outra estudante assume a dianteira com mais agressividade e desfere vários socos na cabeça da colega.
Uma terceira pega um pedaço de madeira e o utiliza para bater na estudante, que permanece ajoelhada. A quarta envolvida puxa os cabelos da vítima, a arrasta pelo chão e aplica chutes, inclusive na região da cabeça.
A Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso (Seduc-MT) confirmou o episódio e afirmou, em nota, que iria adotar todas as providências cabíveis. O GLOBO apurou que uma audiência com os envolvidos foi realizada às 19h desta terça-feira (5) pela Promotoria de Justiça.
Equipes da gestão escolar, da Diretoria Regional de Educação e do setor psicossocial foram mobilizadas para acompanhar a vítima e os demais envolvidos. A pasta também destacou que as medidas disciplinares previstas em regimento serão aplicadas de forma exemplar, dentro dos limites legais.
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“A Seduc está tomando as medidas disciplinares cabíveis, com providências firmes para que situações como esta não se repitam, aplicando punições exemplares dentro do que permite a legislação”, diz o comunicado oficial.
Ainda segundo a Secretaria, a prioridade no momento é garantir apoio psicológico à estudante agredida e aos familiares, bem como reforçar o compromisso com um ambiente escolar seguro, acolhedor e pautado pelo respeito. Por isso, conforme apurou O GLOBO, uma equipe psicossocial foi encaminhada para acompanhar o caso, tanto as agressoras, quanto as vítimas, além de prestar suporte a escola.
O caso deve ser analisado também à luz do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que prevê responsabilização nos casos de violência entre estudantes, mesmo em ambiente escolar. Até o momento, não foram divulgadas informações sobre o estado de saúde da jovem agredida, nem sobre eventual motivação para o ataque.