Vovó, vovô, este texto é para vocês. E também para os filhos e netos, que podem mostrá-lo a quem mais importa.
Quem não quer viver muito, e viver bem? A velhice hoje é outra. Dá para aproveitar a natureza, a arte, o esporte, a família e os amigos com uma vitalidade que as gerações anteriores não tiveram. Dá para curtir os netos por mais tempo, o que faz bem a eles e a nós. Para isso, o exercício físico é essencial. Ele mantém a saúde, a autonomia e a capacidade de sentar no chão para brincar e levantar depois sem drama.
Existe outro exercício igualmente importante neste momento, o da cidadania. No dia 25 de outubro, o Brasil volta às urnas. O primeiro turno foi o mais apertado da nossa história democrática, com uma diferença de cerca de 2,2 milhões de votos entre os dois primeiros colocados. Ao mesmo tempo, mais de 33 milhões de brasileiros não foram votar, a maior abstenção desde 1998.
Os eleitores com 70 anos ou mais somam mais de 17 milhões. Nessa idade o voto passa a ser facultativo, e mais da metade deixa de votar. No primeiro turno de 2022, segundo o TSE, foram cerca de 8 milhões de ausentes nessa faixa. Entre as mulheres, a abstenção chegou a 62,9%, contra 53,6% entre os homens. Numa disputa decidida por pouco, essa geração tem o resultado nas mãos.
Muitos direitos das pessoas idosas nasceram de decisões políticas. O atendimento preferencial no banco, na repartição, no aeroporto e na unidade de saúde. A gratuidade no transporte. O remédio de graça na Farmácia Popular. O atendimento em casa para quem tem dificuldade de locomoção. A proibição de o plano de saúde aumentar a mensalidade só por causa da idade. Tudo isso está na lei e foi conquistado com muita luta. E nada disso está garantido para sempre. Quem governa decide se esses direitos continuam, crescem ou encolhem. Isso vale também para o SUS, que garante saúde gratuita a toda a população, remédio de graça, serviços que vão da vacina das crianças ao transplante e à quimioterapia.
Quem tem 70 anos ou mais viveu um Brasil sem SUS, em que hospital era só para quem tinha carteira assinada. Um Brasil de epidemias de meningite, mortalidade infantil alta e hiperinflação. Quem viveu esse país sabe o tamanho do que foi conquistado, e pode ajudar a decidir qual Brasil vamos deixar para os netos.
Alguns lembretes práticos. Quem não votou no primeiro turno pode votar no segundo, desde que o título esteja regular. Para aposentados e pensionistas do INSS, o voto também vale como prova de vida. Quem tem mobilidade reduzida pode entrar na cabine com uma pessoa de confiança. Idosos tem prioridade, e quem tem mais de 80 anos tem prioridade absoluta na fila.
Filhos e netos, a tarefa de vocês é simples. Liguem hoje para quem vocês amam. Perguntem a que horas a pessoa vai votar e de onde vai sair. Ofereçam carona e companhia. Combinem um almoço gostoso depois.
Eu estou chegando lá daqui a pouco, e já faço parte do movimento Voto70+. Em 2022, o segundo turno foi decidido por 2,1 milhões de votos. Neste ano, a margem do primeiro turno foi parecida. Se essa geração vota, ela decide a eleição. No dia 25 de outubro, vote. Para saber mais, acesse voto70mais.com.br.
O voto dos avós
