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outubro 5, 2026
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Onda bolsonarista derruba candidatos de caciques evangélicos, mas força das igrejas resiste nas urnas

Por · outubro 5, 2026
Onda bolsonarista derruba candidatos de caciques evangélicos, mas força das igrejas resiste nas urnas


A onda bolsonarista que marcou parte das disputas proporcionais deixou pelo caminho candidatos apoiados por alguns dos principais caciques evangélicos do país. Entre os derrotados estão nomes ligados a R.R. Soares, fundador da Igreja Internacional da Graça de Deus; Edir Macedo, líder da Igreja Universal do Reino de Deus; e Samuel Ferreira, bispo da Assembleia de Deus do Brás, igreja vinculada ao Ministério de Madureira, um dos principais ramos das Assembleias de Deus no país.
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O resultado, porém, não significou perda de espaço político para o segmento. O Republicanos, historicamente ligado à Universal, conquistou os governos dos dois maiores colégios eleitorais do país: São Paulo, com Tarcísio de Freitas, e Minas Gerais, com Cleitinho Azevedo. E, na Câmara, a legenda manteve o tamanho de sua bancada, com 41 deputados federais eleitos, e seguirá como a quinta maior força da Casa. Além de terem a quarta bancada de senadores do Congresso, considerando os eleitos em 2022 e 2026.
Na Universal, as derrotas atingiram justamente uma estratégia que ganhou força durante a campanha. Depois de apoiar Jair Bolsonaro nas eleições de 2018 e 2022, a denominação manteve distância maior da disputa presidencial entre Luís Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) e concentrou esforços na eleição de representantes para o Legislativo.
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Bispos passaram a chamar candidatos apoiados pela igreja de “Neemias”, numa referência ao personagem bíblico responsável pela reconstrução dos muros de Jerusalém. A ideia era eleger parlamentares capazes de atuar contra propostas consideradas ameaças à liberdade religiosa e às pautas defendidas pela denominação.
Dos nomes destacados pela Universal e citados por O GLOBO antes da eleição, apenas Daniel Librelon conseguiu se eleger. Carlos Macedo, no Rio, e Rogéria Santos, na Bahia, ficaram de fora. Em São Paulo, Edna Macedo, irmã de Edir Macedo, também não conseguiu renovar o mandato de deputada estadual.
Marcelo Crivella (Republicanos), ex-bispo da Universal e sobrinho de Edir Macedo, terminou em sexto lugar na disputa pelo Senado no Rio, com menos de 4% dos votos. Durante a campanha, ele chegou a ser chamado de “Marcelo Neemias” em um podcast apresentado pelo bispo Alessandro Paschoal, coordenador nacional do Arimateia, núcleo político da denominação.
Librelon e Carlos Macedo também apareceram juntos em um vídeo gravado pelo bispo Honorilton Gonçalves. Na Bahia, Rogéria Santos foi apresentada pelo bispo Guaracy dos Santos como sua “Neemias” na região de Vitória da Conquista (BA). Edna Macedo recebeu tratamento semelhante em São Paulo.
R.R. Soares não elege clã
A família de R.R. Soares também acumulou derrotas. O fundador da Igreja Internacional da Graça de Deus e cunhado de Edir Macedo tentou eleger quatro filhos e emplacar um quinto como suplente no Senado. No Rio, Marcos R.R. Soares (PSDB) disputou uma vaga de deputado federal, e Filipe R.R. Soares (PSDB), uma cadeira na Assembleia Legislativa. Em São Paulo, David R.R. Soares (Podemos) concorreu à Câmara, e Daniel Soares (União), à Assembleia paulista. Nenhum foi eleito.
André R.R. Soares, o quinto filho, era primeiro suplente de Waguinho (Republicanos) na disputa pelo Senado no Rio. A chapa também não conquistou uma das duas vagas.
Assembleia de Deus também perde espaço
As derrotas também atingiram candidatos ligados ao Ministério de Madureira, ramo das Assembleias de Deus ao qual pertence a igreja do Brás, comandada por Samuel Ferreira. Cezinha de Madureira (PL) e Oseias de Madureira (PL) não conseguiram se reeleger, respectivamente, para a Câmara dos Deputados e para a Assembleia Legislativa de São Paulo.
O bispo Samuel Ferreira também apoiou Rogério de Madureira (PL), candidato a deputado federal, e Elias de Madureira, que disputou uma cadeira na Assembleia paulista. Os dois ficaram sem mandato.
No Amazonas, Silas Câmara (Republicanos), mais um ligado à Assembleia de Deus, também não conseguiu renovar a cadeira de deputado federal.

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