As Nações Unidas incluíram Israel na lista de países e organizações acusados de cometer violência sexual em áreas de conflito, afirmou nesta quinta-feira o embaixador israelense na ONU, Danny Danon. Em publicação na rede X, ele criticou duramente a decisão e disse que o país foi colocado “ao lado das organizações terroristas mais brutais do mundo, como Hamas e ISIS”. O diplomata classificou a medida como uma “calúnia de sangue” e acusou a ONU de agir por motivação política, segundo informações do jornal israelense Haaretz.
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O relatório anual da ONU sobre violência sexual relacionada a conflitos, apresentado ao Conselho de Segurança em agosto do ano passado, já havia incluído o Hamas pela primeira vez na lista de entidades consideradas “fortemente suspeitas” de cometer repetidos atos de violência sexual em zonas de guerra.
Na ocasião, o secretário-geral da ONU, António Guterres, também alertou Israel de que o país poderia ser incluído no relatório de 2026 caso não adotasse medidas para lidar com denúncias envolvendo prisioneiros palestinos.
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Entre as recomendações feitas por Guterres estavam a libertação de palestinos detidos arbitrariamente, a garantia de tratamento digno aos presos, a investigação de acusações de violência sexual em centros de detenção israelenses e a ampliação do acesso humanitário a essas instalações.
Danon afirmou que Israel entregou documentos, provas e respostas detalhadas às Nações Unidas para contestar as alegações. Segundo ele, representantes da ONU foram convidados a visitar a região e apurar os fatos presencialmente, mas não aceitaram o convite.
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Em janeiro de 2025, surgiram relatos de que Israel estaria impedindo a representante especial da ONU para Violência Sexual em Conflitos, Pramila Patten, de conduzir uma investigação ampla sobre os ataques cometidos pelo Hamas em 7 de outubro. Isso porque a apuração exigiria que a ONU também tivesse acesso a palestinos presos em Israel para investigar denúncias de abusos sexuais cometidos por militares israelenses.
Segundo os relatos, Patten condicionou a investigação dos crimes do Hamas à possibilidade de sua equipe visitar centros de detenção israelenses e apurar acusações envolvendo palestinos detidos no país. Israel teria recusado a condição.
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O anúncio de Danon ocorre após o jornal New York Times publicar uma coluna do jornalista Nicholas Kristof relatando denúncias de violência sexual supostamente cometida por militares e colonos israelenses contra palestinos.
O governo israelense reagiu acusando o jornal de promover “uma das piores calúnias de sangue da história moderna da mídia” e de integrar uma campanha coordenada contra Israel.
Entre as denúncias mencionadas na coluna está a alegação de que cães utilizados por forças israelenses teriam sido treinados para atacar sexualmente prisioneiros palestinos. Kristof afirmou que relatos semelhantes já haviam sido citados por ex-detentos palestinos e organizações de direitos humanos. Ele também mencionou registros históricos e estudos médicos sobre casos de violência sexual envolvendo cães em regimes autoritários.
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As denúncias publicadas pelo New York Times se basearam em entrevistas realizadas pelo próprio jornalista e em um relatório da organização Euro-Med Human Rights Monitor, sediada em Genebra e voltada ao monitoramento de violações de direitos humanos no Oriente Médio.
O jornal também destacou que veículos israelenses já haviam reportado casos de abusos cometidos por forças de segurança e colonos contra palestinos. Um dos exemplos citados foi uma reportagem do Haaretz, publicada em março, sobre um palestino que teria sido abusado sexualmente por colonos diante da própria família no norte do Vale do Jordão.
Ainda segundo o texto, organizações de direitos humanos documentaram episódios semelhantes ao longo dos últimos meses.
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Em março, o procurador-geral militar de Israel, Itay Offir, determinou o arquivamento da denúncia envolvendo supostos abusos cometidos contra um detento de Gaza na base militar de Sde Teiman. A decisão mencionou “circunstâncias excepcionais e sem precedentes”, além da atuação de integrantes do sistema jurídico militar israelense no caso.
De acordo com a acusação inicial, cinco soldados teriam espancado o prisioneiro, arrastado seu corpo pelo chão, aplicado choques elétricos e provocado ferimentos graves, incluindo costelas quebradas e perfuração pulmonar. O documento também apontava que um dos militares teria causado uma lesão retal no detento com um objeto perfurante.
O médico israelense Yoel Donchin, que atuou em Sde Teiman e atendeu o prisioneiro, afirmou ao Haaretz em 2024 que o homem chegou ao local com uma perfuração na região retal e que a polícia militar já investigava o caso.
Em abril, o chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel, Eyal Zamir, autorizou o retorno ao serviço de reserva dos soldados acusados no caso após o arquivamento da denúncia contra eles. Apesar disso, uma investigação administrativa sobre a conduta dos militares ainda não havia sido concluída.

