O caso Dana de Teffé, que há mais de seis décadas intriga o Brasil, pode ganhar novos desdobramentos com o avanço da tecnologia forense. Fragmentos de ossos que formam uma mão, além de unhas pintadas de vermelho, permanecem preservados no processo judicial arquivado no acervo do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ). Apesar de nunca terem sido submetidos a exames de DNA, esses restos mortais podem, atualmente, ser analisados para esclarecer se pertencem à milionária tcheca desaparecida em 1961.
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Na época do desaparecimento, a perícia decidiu preservar os ossos encontrados no sítio do principal suspeito, o advogado Leopoldo Heitor de Andrade, no interior do estado do Rio. Esses fragmentos foram cuidadosamente inseridos nos autos do processo, fixos numa folha de papel recoberta por plástico. O material permanece do mesmo jeito até hoje, intacto, sob os cuidados do Judiciário.
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Com os avanços nas técnicas de identificação genética, é possível que esses vestígios sejam analisados para confirmar a identidade da vítima. A realização de exames de DNA poderia fornecer respostas definitivas sobre o destino de Dana de Teffé, cujo corpo nunca foi encontrado, e lançar nova luz sobre um dos casos mais misteriosos da história criminal brasileira.
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O perito legista da Secretaria de Estado de Polícia Civil do Rio, João Branco, confirma a possibilidade de se extrair material para exame de DNA, mas alerta para a necessidade de localizar algum parente compatível que aceite se submeter à comparação genética. Ele elogia, inclusive, o trabalho dos colegas da época, que cuidaram da preservação da prova.
— É possível fazer o exame de DNA em fragmentos ósseos se houver um parâmetro de DNA de grau de parentesco confiável. Será uma probabilidade, não uma certeza absoluta — explica o perito.
Segundo João Branco, os laboratórios de genética forense do Brasil seguem padrões internacionais para análise comparativa de DNA.

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— E o que na linguagem forense chamamos de caso fechado, ou seja, precisamos ter outro DNA comparativo para que este DNA-chave da suposta pessoa sob avaliação possa ter um grau de parentesco. As unhas, no caso do material a ser analisado (encontrado pelos investigadores e peritos durante as escavações no sítio do suspeito da época), são ricas em células geradoras de DNA. Ao contrário do que se imagina, sangue não é tão bom — afirma o perito legista.
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Outro ponto importante destacado por João Branco é que análises com parentes mais distantes tornam a probabilidade mais escassa.
— Análise de DNA de parentes de segunda e terceira gerações é possível, mas quanto mais distante o grau de parentesco, mais escassa fica a probabilidade — analisa o médico.
O perito legista, que avaliou os laudos emitidos pelos colegas nos anos 60, disse que as análises foram minuciosas:
— Se formos imaginar que, naquela época, não existiam os recursos e técnicas dos tempos atuais… Eles foram muito detalhados e de qualidade. Preservar ainda os fragmentos, respeitando a cadeia de custódia — ou seja, a segurança do material desde a escavação até a preservação — eu diria que os peritos tiveram uma premonição em mantê-los sob a guarda da Justiça, quando nem se pensava em DNA, o que ocorreu apenas na década de 80 — concluiu.
