O empresário Claudio Vaz, de 56 anos, dono de uma lanchonete na Universidade Federal Fluminense (UFF), corre há 14 anos. Foi após um “pé na bunda” que ele, com 104 quilos, resolveu mudar de vida. Começou com caminhadas e “fechou a boca”. Em três meses perdeu 28 quilos até chegar ao auge: tornou-se um apaixonado pelas provas de uphill, as que envolvem longas subidas em terrenos montanhosos ou no asfalto. Pelo quarto ano seguido, ele vai encarar os 21km do Uphill Cristo Redentor. Essa também é a quarta vez que o monumento marcará a chegada desta corrida.
O evento, com meia maratona, 10km e 5km, acontecerá neste domingo – a organização chegou a vender um kit torcida para quem quisesse acompanhar os corredores nos últimos 100 metros. Durante as provas, o ponto turístico estará aberto ao público. Serão 1.500 corredores no total.
— Não tenho maturidade, sempre vou para os 21km — brinca Cláudio, que mora em Niterói (RJ). — Tem outros eventos nesta área, mas os corredores não cruzam a linha de chegada aos pés do Cristo Redentor. O Uphill te bota lá em cima mesmo.
E isso inclui uma parte final especial: a escadaria com 220 degraus e cerca de 600 metros.
— E contamos cada degrau, lógico. Imagina: você está cansado, pensa que não aguenta mais e olha aquela escadaria toda. Então, você conta um a um para chegar ao final: ‘Faltam 20, faltam 10’ — descreve aos risos. — Quem corre sabe o desespero que é.
O Uphill Cristo Redentor é uma etapa do circuito de corridas de subida que começou em 2013, organizado pela X3m Sport Business. À época, cerca de 50 convidados encararam 42km na Serra do Rio do Rasto, em Santa Catarina. O circuito cresceu para outros locais como Teresópolis, Friburgo e Serra do Mar — e Cláudio gabaritou todas estas provas. Hoje são apenas duas etapas, a do Cristo e a da Serra do Mar, em São Paulo, que será em 28 de setembro, em trechos de 5km e 10km. Ainda há vagas.
— A corrida de subida separa as crianças dos adultos — diz Claúdio, que também se aventura nas provas planas; recentemente correu as quatro distâncias da Maratona do Rio. — A corrida é uma cachaça… uma cachaça boa.
Claudio conta que começou na corrida devagar, caminhando. Só quando cresceu no esporte, em 2015, resolveu encarar os 42 km da Serra do Rio do Rasto. Correu cinco vezes por lá. Incluindo a edição de 2022, quando completou as quatro distâncias: 5km na sexta-feira, 25km no sábado pela manhã e 10km à tarde; além dos 42km no domingo. Não satisfeito foi para o Uphill Ronin 250k, na Serra do Corvo Branco, também em Santa Catarina, durante quatro dias.
— A história das corridas de uphill me pegou. Quem completasse os 42km da Serra do Rio do Rastro se tornaria um ninja. E eu queria virar um ninja. Depois disso, surgiu a prova dos 25km no sábado e os 42km no domingo. E quem completasse as duas se tornaria um samurai. E eu queria ser um samurai. Aí inventaram os quatro percursos para ser um shogun. Eu sou um shogun.
O corredor tem ainda no currículo outros desafios marcantes. Com destaque para os 230km, durante 48 horas, em prova na Praia do Cassino (RS). Ele chegou em segundo lugar. Com aproximadamente 254 quilômetros, essa é a maior praia do mundo em extensão contínua. Se estende do município de Rio Grande até a divisa com o Uruguai, sendo reconhecida pelo Guinness World Records.
Ele admite, porém, que o xodó é a primeira prova de subida que ele completou:
— A Serra do Rio do Rastro é linda, tenho quatro tatuagens dela — conta ele, que gosta de influenciar a garotada da UFF que frequenta a sua lanchonete. — Eu falo para o pessoal que não é difícil. Precisa ter foco, fechar a boca e fazer atividade física.
Cláudio garante que na sua lanchonete não tem apenas o hamburguer “que a galera gosta”. Mas também, itens saudáveis como “crepioca, arroz sete grãos e por aí vai”.
— Indico as comidas mais saudáveis. E capricho no cardápio — comenta ele, que coloca a mão na massa: — Não tem o Rodrigo Hilbert? Sou eu! Eu também cozinho, pera lá.
As provas do Cristo Redentor fazem um passeio pela reserva do Parque Nacional da Tijuca, uma das maiores florestas urbanas do mundo. A largada dos 5km acontecerá às 6h30, no heliponto do Mirante Dona Marta. O tempo de prova é de 1h30. Já as largadas dos 10km e 21km acontecerão às 6h15, na Ladeira da Ascurra. Os tempos de prova são de 2h30 (10km) e 3h30 (21km). Quem não concluir nestes tempos, será resgatado pela organização.
A retirada dos kits começou nesta sexta-feira e se estende neste sábado, das 10h às 20h na loja Centauro, do Shopping Leblon. Desde a primeira edição, a organização introduziu o uso de copos de silicone para serem usados durante as provas e assim reduzir o impacto ambiental. No kit, os atletas receberão os copos. Não haverá copinho de água descartável nos pontos de hidratação. A água será servida em jarras.
E o pós-prova, no recuo das vans, com entrega de brindes e frutas, será encerrado às 10h30.
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Claudio, expert nesta corrida, dá conselho aos novatos. Diz que é para ir “tranquilo”. E não puxar no último 1,5 quilômetro já que depois tem a escadaria.
— Vou de boa… não corro no desespero. Corro para terminar e no dia seguinte poder correr de novo ou trabalhar na lanchonete de pé. Geralmente corro meia maratona para duas horas. Mas ali vou para 2h30. Curto cada momento. É o que aconselho a fazer.