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Parque Gráfico do GLOBO já teve máquina do exército britânico e pode imprimir até 400 mil exemplares por hora

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julho 29, 2025
in News
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Uma imagem mostra como é o parque gráfico por dentro: pouco antes de ele ficar pronto, o jornal Extra foi lançado — Foto: Hermes de Paula / Agência O Globo

As rotativas que vêm imprimindo, nos últimos cem anos, as reportagens do GLOBO também têm histórias dignas de publicação: já foram usadas por um exército em guerra, abençoadas por padres e acionadas por um presidente da República. Deram saltos de qualidade ao longo das décadas, ganhando agilidade e capacidade maior de produção, e esses avanços foram cruciais em situações como a do dia 11 de setembro de 2001. O gerente de produção do parque gráfico, André Schwartz, lembra que, naquela data, a lendária expressão “parem as máquinas!” foi substituída por “liguem as máquinas!”.

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— Por conta do atentado às torres gêmeas, fizemos uma edição extra, para ser vendida no fim da tarde, quando as pessoas estavam voltando do trabalho. Já era extremamente rara uma edição vespertina de algum jornal naquela época. O parque gráfico e a redação se mobilizaram, e um caderno extra foi preparado e impresso por volta das 15h. O transporte e a distribuição foram rápidos, e os Globinhos, como eram conhecidos os vendedores de avental que ficavam nos sinais de trânsito, foram essenciais para o sucesso dessa operação — descreve Schwartz.

O trabalho mais pesado, entretanto, foi feito por seis alemães: as impressoras rotativas Geoman, fabricadas pela empresa Manroland e capazes de imprimir até 400 mil exemplares por hora. Elas são as joias do moderno parque gráfico instalado numa área de 175 mil metros quadrados, no quilômetro 2,5 da Rodovia Washington Luís (Rio-Petrópolis), em Duque de Caxias.

— Logo antes de o parque novo ficar pronto, o jornal EXTRA foi lançado (em abril de 1998), e isso colocou uma enorme pressão sobre a capacidade produtiva que tínhamos. A primeira edição já vendeu 130 mil exemplares. Rapidamente, superou a tiragem do GLOBO em dias de semana. A gente só conseguia parar as máquinas para fazer manutenção aos domingos, das 6h às 14h — lembra Schwartz.

Uma imagem mostra como é o parque gráfico por dentro: pouco antes de ele ficar pronto, o jornal Extra foi lançado — Foto: Hermes de Paula / Agência O Globo

Planejado para dar novo fôlego a essa produção, com capacidade de imprimir 800 mil exemplares nos dias úteis e dois milhões aos domingos (além de um aumento de 200% de páginas coloridas), o novo complexo foi inaugurado em 12 de janeiro de 1999 e atraiu a cúpula política do país. Uma das rotativas foi acionada pelo então presidente, Fernando Henrique Cardoso, que fez um discurso elogiando a ousadia do jornalista e empresário Roberto Marinho, pelo investimento de R$ 150 milhões, pontuando: “não sei se haverá muitos lugares no mundo em que se tenha um parque gráfico deste tipo”. Além dele, estavam lá o cardeal-arcebispo do Rio, dom Eugenio Sales, o governador, Anthony Garotinho, o presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães, os prefeitos do Rio, Luiz Paulo Conde, e de Caxias, José Camilo Zito dos Santos, três ministros de Estado e vários deputados federais e estaduais.

Foi sem qualquer pompa, mas com a ajuda indireta de outro presidente da República, que o pai de Roberto Marinho inaugurara a primeira rotativa do jornal, em 1925. Tratava-se da francesa Marinoni, que pertencera ao exército britânico na Primeira Guerra Mundial. O comprador, que acabaria por não usá-la, foi o dono do periódico A Nação, Leônidas Rezende.

O jornal de Rezende circulou no Rio, então capital do país, entre 1923 e 1924, fazendo oposição ao governo. Em julho de 1924, o presidente Arthur Bernardes decretou estado de sítio e mandou prender muitos de seus opositores. A Nação saiu de circulação, e a impressora sequer foi retirada da alfândega. Foi uma oportunidade que Irineu Marinho não deixou passar. Ele alugou a Marinoni por dez contos mensais e a comprou três anos depois.

Entre a Marinoni e as seis Geoman vindas da Alemanha, sucederam-se várias gerações de rotativas. Com a primeira mudança de sede do jornal, em 1954 — saindo da Rua Bethencourt Silva, próxima ao Largo da Carioca, para um espaço maior na Rua Irineu Marinho, na Cidade Nova —, foi adquirida a rotativa Hoe Streamline Superproduction, a mais moderna da época. A máquina deu mais celeridade à impressão e melhorou a qualidade gráfica das páginas, mas ainda empregava o velho sistema de impressão a chumbo.

Nos anos 1970, O GLOBO construiu um novo prédio, na Rua Marquês de Pombal, para acomodar uma máquina importada dos Estados Unidos. Era a Goss Metroliner Rockwell, que usava o método offset no lugar da impressão a chumbo. Foi uma verdadeira revolução gráfica. Em 13 de abril de 1978, o jornal passou a ser impresso totalmente em offset.

— O sistema antigo era o tipográfico, conhecido como letterpress, com réguas de chumbo onde os funcionários montavam os tipos móveis, ou seja, as letrinhas, e disso se fazia uma matriz que seria usada como uma espécie de carimbo nas folhas do jornal. O offset representou um enorme salto na qualidade e na reprodução das cores. É um processo de impressão em que as imagens não são impressas diretamente no papel. Elas são transferidas de uma chapa de alumínio para um mecanismo de cilindros e, então, para o papel — explica Schwartz.

Em meio a essa inovação tecnológica, foi celebrada uma missa, em julho daquele ano de 1978, pelos 53 anos do GLOBO, e a importância das rotativas foi mais uma vez reconhecida. Após uma procissão na qual uma chapa de offset foi levada ao altar da Igreja de Sant’Ana, o padre João Piassentin, vigário daquela paróquia (vizinha ao jornal), abençoou as máquinas de impressão, dizendo serem usadas pelos jornalistas do GLOBO para a “promoção de todos os valores humanos”. Mais apropriado que um mandamento inscrito em tábua de pedra, esse foi gravado numa chapa de offset e publicado no dia seguinte.

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