Hidratação, oleosidade, manchas, textura e sinais de envelhecimento costumam aparecer separadamente quando o assunto é pele. Na prática, porém, esses aspectos estão relacionados. Uma barreira cutânea fragilizada, por exemplo, pode interferir na hidratação, enquanto inflamações e alterações na produção de sebo também podem afetar a aparência e o conforto da pele. É a partir dessa visão mais ampla que ganhou espaço o conceito de Skin Health, que propõe olhar para a pele como um conjunto, e não apenas para uma queixa específica.
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“Quando falamos em Skin Health, estamos falando de uma visão mais ampla do que simplesmente ter uma pele bonita ou sem lesões aparentes. Uma pele saudável é uma pele que consegue exercer adequadamente suas funções biológicas e manter seu equilíbrio diante das agressões internas e externas”, explica o médico Luiz Tonon.
A proposta considera fatores como integridade da barreira cutânea, hidratação, inflamação, produção de sebo, renovação das células e microbioma. Em vez de tentar corrigir um único aspecto, a ideia é entender como esses elementos se influenciam.
“A pele é um órgão integrado. Não adianta trabalhar somente pigmentação, por exemplo, se a barreira está comprometida, a pele está desidratada ou existe inflamação”, afirma o dermatologista André Braz. Segundo ele, a qualidade da superfície também interfere na percepção de textura, luminosidade e uniformidade.
O que muda em relação a uma limpeza convencional
É nesse contexto que procedimentos de hidrodermoabrasão, como o Hydrafacial, podem ser utilizados. A técnica combina etapas que tradicionalmente aparecem separadas nos cuidados com a pele, como limpeza, esfoliação, remoção de impurezas e hidratação.
O processo utiliza um sistema de fluxo de soluções e sucção controlada para promover a renovação superficial e a limpeza dos poros. Dependendo da avaliação e do protocolo adotado, outras etapas podem ser associadas.
Na prática, o procedimento começa com a preparação da pele e a remoção de células superficiais. Depois, a sucção auxilia na retirada de resíduos acumulados nos poros. A etapa seguinte é voltada à hidratação e à aplicação de substâncias escolhidas de acordo com as características de cada pessoa.
A personalização é um dos pontos destacados pelos especialistas. Uma pele que aparenta ter excesso de oleosidade, por exemplo, pode apresentar necessidades diferentes de outra com a mesma característica visual.
“Personalização é fundamental porque duas peles visualmente semelhantes podem ter necessidades biológicas completamente diferentes”, diz Tonon.
Por que a avaliação faz diferença
Não existe uma única combinação adequada para todas as peles. Idade, sensibilidade, oleosidade, hidratação, exposição solar, rotina de cuidados e procedimentos realizados anteriormente são alguns dos aspectos que podem influenciar a escolha da abordagem.
Por isso, a avaliação profissional é importante antes de definir quais etapas serão realizadas. A mesma lógica vale para quem já faz outros procedimentos estéticos: a indicação deve considerar o conjunto de cuidados, e não apenas uma intervenção isolada.
“A escolha deve ser feita a partir da necessidade predominante da pele, e não simplesmente pela preferência por determinado ativo”, pondera Luiz.
Cuidados ao longo do ano
A proposta de olhar para a pele de forma integrada também muda a ideia de um tratamento único para uma queixa específica. Em vez de repetir necessariamente o mesmo protocolo, o acompanhamento pode ser adaptado conforme as necessidades apresentadas ao longo do tempo.
Procedimentos desse tipo também podem fazer parte de uma rotina que inclua outras intervenções dermatológicas, desde que haja avaliação individual. A qualidade da superfície cutânea pode influenciar o resultado visual de tratamentos voltados para volume, contorno, flacidez ou textura.
“O resultado estético final desses procedimentos depende também da qualidade da superfície cutânea. Podemos melhorar contorno, volume ou flacidez e ainda assim ter uma pele desidratada, espessa, opaca ou irregular”, observa André.
A frequência das sessões varia de acordo com a pele, os objetivos e os demais cuidados realizados. Quando indicado de forma regular, o intervalo pode ficar em torno de um mês, mas não há uma periodicidade que sirva para todas as pessoas.
Após a sessão, é possível observar mudanças imediatas na aparência, como mais hidratação, luminosidade e maciez. Alterações relacionadas à textura e à aparência dos poros também podem ser percebidas, dependendo do protocolo.
No fim, o conceito de Skin Health propõe uma mudança de perspectiva: em vez de perseguir uma pele perfeita, o foco passa a ser preservar sua capacidade de se manter equilibrada e resistente diante das agressões do dia a dia. Como resume Luiz, trata-se de pensar em uma pele “equilibrada, resiliente, funcional e preparada para manter sua qualidade ao longo do tempo”.
Pele saudável não é só hidratação: entenda o conceito de Skin Health
