O lutador de jiu-jítsu Lucas Portela Fontana Gomes, preso após agredir três mulheres em um condomínio na Tijuca, na Zona Norte do Rio, tem um “perfil problemático” e “propensão a tentar arrumar confusão com os outros de graça”. O relato foi feito à polícia por um funcionário do prédio onde ocorreu o episódio, na madrugada de quinta-feira.
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Lucas é apontado pela Polícia Civil como autor das agressões contra duas mulheres: uma de 81 anos e outra de 40, esta última foi espancada com 31 golpes, entre socos, chutes e cotoveladas.
Segundo o delegado Álvaro Gomes, titular da 18ª DP (Tijuca), responsável pela investigação, a polícia também apura relatos de comportamentos agressivos do lutador em academias de treinamento. Na delegacia, Lucas permaneceu em silêncio e afirmou não se lembrar “de nada que aconteceu”. Ele disse fazer uso de anabolizantes, mas não foi submetido a exames toxicológico ou de alcoolemia.
— São peças soltas de um quebra-cabeça que nos ajudam a tentar entender um pouco melhor esse perfil psicológico dele, mas que ainda não são determinantes para traçar esse perfil. O que temos de concreto foi a atitude bárbara dele, que, independentemente de qualquer coisa, não teria justificativa — afirma Gomes.
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Entre os comportamentos relatados pelo funcionário do edifício estão “ouvir música alta até horários inapropriados, ficar fazendo gritaria e provocar as pessoas”. Segundo o delegado, que ouviu as vítimas, o suspeito não tinha contato prévio com elas além da convivência habitual entre vizinhos.
O suspeito foi transferido para uma unidade penitenciária. Ele deu entrada nesta sexta-feira (6) no Presídio José Frederico Marques, em Benfica, na Zona Norte do Rio. A unidade é considerada a porta de entrada do sistema penitenciário fluminense e serve como local de triagem antes de os novos detentos serem encaminhados a outras penitenciárias do estado.
As agressões ocorreram na madrugada do dia 5, em um condomínio da Tijuca. Na ocasião, Lucas teria arrombado dois apartamentos, agredido uma moradora e ameaçado outra. Uma terceira vítima, uma diarista de 40 anos, foi agredida ao abrir a porta de um elevador. Ela levou 31 golpes, entre socos, cotoveladas e chutes, além de um mata-leão.
O suspeito havia sido detido, mas foi liberado por falta de informações consideradas essenciais, como os atestados médicos das vítimas, as imagens das câmeras que registraram as agressões e os depoimentos das mulheres, que estavam sendo medicadas. A prisão foi decretada na sexta-feira (6), e Lucas foi preso no mesmo dia por agentes da 18ª DP (Tijuca).
O que se sabe sobre os ataques
Na madrugada de quinta, o homem agrediu três vizinhas, sem motivo aparente. Segundo a Polícia Civil, Lucas começou uma discussão dentro do próprio apartamento, com gritos e agressões, e depois passou a invadir outras unidades e ameaçar matar moradores. Uma das vizinhas conseguiu fugir com a família pelas escadas. Em seguida, ele entrou em outro apartamento e agrediu uma moradora de 65 anos, que precisou ser socorrida e levada a um hospital. A terceira vítima saiu para ajudar após ouvir os gritos, mas acabou atacada ao encontrar o homem no elevador.
Lucas Portela Fontana Gomes foi preso por tentativa de feminicídio, ameaça e violação de domicílio
Reprodução/Polícia Civil
O terceiro ataque foi o único registrado por câmeras de segurança. Por volta da 1h10, o lutador entrou no elevador e começou a espancar uma das vizinhas. Em aproximadamente três minutos, desferiu cerca de 30 golpes, entre socos, cotoveladas e tapas, além de aplicar estrangulamentos.
Ele chegou a ser preso no dia do episódio, encaminhado para a Central de Flagrantes e fichado. No entanto, acabou liberado após procedimentos burocráticos, sob o entendimento da corporação de que se tratava de um caso de baixo potencial ofensivo.
Após o registro da ocorrência, os agentes ouviram as vítimas e testemunhas. Além disso, analisaram as imagens das câmeras de segurança do edifício, que só foram obtidas na noite de quinta-feira. Com base nas provas reunidas, a Polícia Civil solicitou à Justiça a prisão temporária de Lucas, que foi autorizada. Na manhã de sexta-feira, Lucas foi preso por tentativa de feminicídio, lesão corporal, violação de domicílio, resistência e ameaça.
Condomínio avalia expulsar agressor
O condomínio na Avenida Maracanã, onde Lucas morava como inquilino há aproximadamente quatro anos, avalia expulsá-lo. Segundo o advogado, não havia registros anteriores de ocorrências ou conflitos envolvendo o lutador no local. Agora, a administração avalia pedir judicialmente que ele seja impedido de continuar morando no local, mesmo que o proprietário do imóvel ainda não tenha conseguido formalizar a retomada do apartamento.
— O condomínio está avaliando uma ação cível para expulsá-lo. O entendimento majoritário é que há necessidade de assembleia para aprovar essa ação, mas, face o receio dos moradores de se exporem, devemos mover ação direto — afirmou Junqueira.
A ação poderá ser dispensada caso o proprietário do imóvel tome providências para reaver o apartamento antes de uma eventual ação do condomínio, explicou.
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'Perfil problemático', brigas e anabolizantes: quem é o lutador de jiu-jítsu preso por espancar vizinhas na Tijuca
