Mudanças no corpo têm aparecido com frequência nas conversas de figuras públicas nas redes sociais, principalmente quando a aparência se transforma mesmo sem uma grande alteração na balança. Uma calça que começa a apertar, o abdômen que ganha outro contorno ou os braços que parecem menos definidos são sinais de que a silhueta pode mudar ao longo do tempo sem que o peso total acompanhe essa percepção.
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Isso acontece porque o número indicado pela balança não conta sozinho como o corpo está constituído. Massa muscular, gordura e água podem variar em proporções diferentes, enquanto a forma como o tecido adiposo se distribui também interfere no desenho da silhueta.
“Peso corporal e composição corporal não são sinônimos. Duas pessoas podem apresentar exatamente o mesmo peso e ter corpos completamente diferentes. Além disso, a distribuição da gordura corporal pode influenciar a silhueta de maneira tão ou até mais significativa que o peso total”, explica o cirurgião plástico Carlos Manfrim.
O que muda o contorno do corpo ao longo da vida?
O corpo passa por diferentes fases, e a composição corporal acompanha essas mudanças. Idade, genética, alterações hormonais, gestação, nível de atividade física e oscilações de peso estão entre os fatores que podem interferir nas proporções.
A perda de massa muscular é um exemplo. Mesmo que o peso total permaneça semelhante, uma redução do tecido muscular acompanhada de aumento ou redistribuição da gordura pode modificar o formato de determinadas áreas.
A pele também participa dessa transformação. Com o passar dos anos, ela sofre mudanças estruturais que podem afetar sua elasticidade e capacidade de acompanhar as alterações de volume. O resultado pode aparecer na forma de maior flacidez ou de uma nova distribuição dos contornos.
Por que isso fica mais evidente depois de emagrecer?
Depois de uma perda significativa de peso, algumas características que antes ficavam escondidas pelo volume corporal podem se tornar mais perceptíveis. É o caso do excesso de pele e de alterações no contorno do abdômen, braços, mamas, coxas e dorso.
“É importante entender que atingir determinado peso não significa necessariamente que o processo de transformação corporal esteja concluído. Para alguns pacientes, especialmente após perdas ponderais expressivas, podem permanecer excesso de pele e alterações em diferentes regiões”, afirma a cirurgiã plástica Heloise Manfrim.
Nessas situações, a cirurgia plástica pode ser considerada quando há uma queixa relacionada ao excesso de pele ou ao contorno de uma área específica. Abdominoplastia, braquioplastia, lifting de coxas e cirurgias das mamas são algumas das possibilidades, sempre de acordo com as características de cada caso.
“É fundamental entender qual é a origem da queixa para indicar corretamente qualquer tratamento. A cirurgia plástica corporal pode atuar sobre questões anatômicas específicas, como o excesso de pele e determinados contornos, mas não substitui alimentação adequada, atividade física ou acompanhamento médico”, acrescenta Heloise.
E onde entra a lipoaspiração?
A lipoaspiração também passou a ser planejada de maneira mais individualizada. Em vez de olhar apenas para os pontos de gordura localizada, a avaliação pode considerar a relação entre diferentes áreas do corpo, as transições da silhueta e a qualidade da pele.
“Uma lipoaspiração moderna não deve ser entendida simplesmente como a retirada de gordura. O cirurgião precisa avaliar onde existe excesso, onde é importante preservar volume e como aquela intervenção vai modificar a harmonia do contorno corporal”, avalia Carlos.
Existem ainda técnicas voltadas à maior definição de determinadas regiões, indicadas para pacientes selecionados. Em alguns casos, a gordura retirada pode ser processada e reaplicada em outra parte do corpo para restaurar ou acrescentar volume, procedimento conhecido como lipoenxertia.
Mas retirar gordura não resolve, necessariamente, todas as questões de contorno. Quando existe flacidez, por exemplo, a capacidade de retração da pele precisa entrar na avaliação.
“Hoje também contamos com tecnologias que utilizam diferentes formas de energia, como radiofrequência e plasma, que podem ser associadas a determinados procedimentos para auxiliar na contração dos tecidos e no tratamento da flacidez em casos selecionados. Mas elas têm indicações e limitações e não substituem a retirada cirúrgica de pele quando há flacidez importante”, pondera Heloise.
No fim das contas, o número da balança não conta tudo. O corpo pode mudar de formato mesmo quando o peso permanece parecido, já que fatores como massa muscular, distribuição da gordura e alterações na pele também interferem na silhueta. É por isso que duas pessoas com o mesmo peso podem ter contornos bem diferentes e que o corpo de uma mesma pessoa também pode mudar ao longo dos anos.
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