O medo de vazamento de operações tem levado a Polícia Federal a adotar estratégias mais eficazes para prender seus alvos. Foi assim em pelo menos quatro ações recentes: a que levou à prisão do presidente da Assembleia Legislativa do Rio, Rodrigo Bacellar (União Brasil); as que prenderam os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão — conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ) e ex-deputado federal —; e a que capturou o ex-chefe da Polícia Civil, delegado Rivaldo Barbosa. Em todas elas, prevaleceu a mesma tática: o fator surpresa.
- PF apreende mochila de Bacellar com R$ 91 mil em carro oficial da Alerj, que o levou a sede da superintendência, e três celulares
- Bacellar foi procurado por Brazão, réu no Caso Marielle, na mesma semana da prisão de conselheiro do TCE; PF antecipou operação
O mandado de prisão de Bacellar foi expedido pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes no dia 28 de novembro, mas só pôde ser cumprido na quarta-feira (3/12). A estratégia do superintendente da PF, Fábio Galvão, foi convidar o presidente da Alerj para uma reunião na Superintendência da PF, na Praça Mauá, visando apreender seus três celulares — algo que exigia absoluto sigilo para evitar qualquer reação.
Não era incomum que Bacellar frequentasse a sede da PF. Reuniões entre autoridades dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário são corriqueiras, sobretudo para tratar de segurança pública. Assim, o encontro não despertaria suspeitas de que o superintendente daria voz de prisão ao chefe da Alerj, como de fato ocorreu.
Sem tempo para reagir, o alvo não consegue se desfazer de objetos, especialmente celulares. Os três aparelhos de Bacellar foram imediatamente encaminhados à perícia técnica para extração de dados. No carro oficial da Alerj que o levou até a superintendência, agentes também encontraram quase R$ 91 mil em espécie.
Bacellar permanece preso na própria superintendência, em um cômodo improvisado, já que tem direito a uma “sala de Estado-Maior” — garantia concedida a determinadas autoridades. Ele é suspeito de vazar informações sigilosas da ação que levou à prisão do ex-deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, o TH Jóias, em setembro. A PF indiciou Bacellar por obstrução à investigação da Operação Zargun, que apontou o envolvimento de TH com o Comando Vermelho.
- Vazamento de operação por Rodrigo Bacellar possibilitou que TH Joias destruísse provas e saísse de casa horas antes da operação, diz PF
No caso dos irmãos Brazão e do delegado Rivaldo Barbosa — presos desde 24 de março do ano passado — a PF decidiu antecipar a operação em um dia. Segundo fontes policiais, havia suspeita de que eles pudessem fugir. Os três são réus na ação penal que apura o mando nos assassinatos da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, em 14 de março de 2018.
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Nesta quinta-feira (4/12), o ministro Alexandre de Moraes, relator do caso Marielle, pediu que a Primeira Turma do STF marcasse a data do julgamento dos réus. Domingos e Rivaldo estão em presídios federais. Já Chiquinho, por problemas sérios de saúde, encontra-se em prisão domiciliar e com tornozeleira eletrônica.

