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‘PF paralela’ e ‘arapongagem’: Flávio vai incorporar críticas à corporação durante sessão no STF a discurso de campanha

A campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pretende incorporar ao discurso eleitoral as críticas feitas à atuação da Polícia Federal (PF) durante o julgamento desta terça-feira no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre as mensagens encontradas no celular do banqueiro Daniel Vorcaro e atribuídas a Alexandre de Moraes. Auxiliares do candidato avaliam que declarações de ministros sobre […]

‘PF paralela’ e ‘arapongagem’: Flávio vai incorporar críticas à corporação durante sessão no STF a discurso de campanha


A campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pretende incorporar ao discurso eleitoral as críticas feitas à atuação da Polícia Federal (PF) durante o julgamento desta terça-feira no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre as mensagens encontradas no celular do banqueiro Daniel Vorcaro e atribuídas a Alexandre de Moraes. Auxiliares do candidato avaliam que declarações de ministros sobre uma “PF paralela”, “desvios de finalidade”, “arapongagem” e agentes da corporação “peitando” integrantes da Corte oferecem novos elementos para uma linha que Flávio já vinha explorando na campanha: a acusação de instrumentalização política da PF.
A orientação é aproveitar as manifestações feitas dentro do próprio Supremo para reforçar esse discurso nas próximas agendas e na comunicação eleitoral. A avaliação no QG é que, independentemente das divergências entre os ministros sobre o papel da corporação, o julgamento colocou sob holofotes questionamentos à conduta de integrantes da PF que podem ser incorporados à narrativa do candidato.
As críticas mais contundentes partiram de André Mendonça e Luiz Fux. Mendonça afirmou que existe atualmente uma “PF paralela” e acusou integrantes da corporação de monitorar ministros.
— Nós temos hoje uma PF paralela, uma PF paralela, com monitoramento de ministros. Não pense que Vossa Excelência está salvo, não, ministro — afirmou Mendonça.
Fux também questionou a atuação da corporação ao defender medidas tomadas pela Segunda Turma no caso. O ministro afirmou que o colegiado havia identificado “desvios de finalidade” na atuação do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e sustentou que a instituição não poderia trabalhar contra o Judiciário.
— Sou juiz há 50 anos, a Polícia Federal sempre trabalhou em prol do Poder Judiciário. O que não pode é a Polícia Federal trabalhar contra o Poder Judiciário e instrumentalizar pessoas para sustentar posições contra o Poder Judiciário — disse Fux.
Em outro momento, Fux afirmou que nunca havia visto a corporação “peitar” um integrante do Supremo e disse que a situação poderia levar à criação de uma estrutura dedicada à “arapongagem” contra ministros.
— Eu nunca vi a Polícia Federal peitar um ministro do Supremo Tribunal. Nós entendemos que aquilo representava uma anomalia e ia contaminar todos os julgamentos com relação a fatos graves noticiados e, mais ainda, criar ali uma agência própria que vai se dedicar à arapongagem contra ministro do próprio tribunal federal — afirmou.
A campanha pretende explorar justamente o fato de as declarações terem sido feitas durante uma sessão do Supremo. Flávio já vinha acusando a PF de instrumentalização política e, na semana passada, durante agenda em Juiz de Fora (MG), falou em um “tapetão” contra sua candidatura e afirmou que a corporação estaria sendo usada politicamente. O senador voltou a fazer acusações semelhantes após a operação que atingiu pessoas ligadas à investigação sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Integrantes da campanha consideram que as manifestações desta terça-feira permitem agora associar esse discurso a questionamentos feitos por ministros durante o julgamento. A intenção é recuperar trechos da sessão e incorporá-los às manifestações do candidato sobre o caso nos próximos dias.
O plenário, no entanto, não teve uma posição uniforme sobre a Polícia Federal. Gilmar Mendes saiu em defesa da direção da corporação ao criticar duramente a decisão de Mendonça que havia determinado o afastamento de Andrei Rodrigues e do diretor de Inteligência, Leandro Almada.
Gilmar classificou a medida como um “vexame” e afirmou que afastar o diretor-geral da PF seria comparável a retirar o comandante do Exército. Para o decano, uma decisão dessa dimensão exigiria uma situação excepcional.
Alexandre de Moraes também saiu em defesa da corporação durante um dos embates com Mendonça. Ao rebater as acusações sobre a atuação da PF, perguntou “Quem tem medo da Polícia Federal?” e acusou o colega de ter pressionado integrantes da instituição para que seu nome fosse incluído na investigação. Mendonça negou a acusação.
A divisão do plenário não altera, segundo integrantes da campanha, a intenção de aproveitar as manifestações críticas. 
O movimento ocorre num momento em que a crise na Corte ganha espaço crescente na campanha de Flávio. Nesta terça-feira, o candidato já levou o embate envolvendo Moraes ao horário eleitoral na televisão. Mesmo durante agenda em Fortaleza, no início de um giro pelo Nordeste, recebeu de auxiliares atualizações sobre o julgamento e as manifestações dos ministros.
A campanha avalia que a crise no STF não precisa provocar uma migração expressiva de votos para ter utilidade eleitoral. A aposta é que a manutenção do assunto no debate público ajuda a mobilizar o eleitorado do candidato e permite que Flávio mantenha as críticas a Moraes e à atuação da PF entre os temas de sua campanha na reta final antes do primeiro turno.

‘PF paralela’ e ‘arapongagem’: Flávio vai incorporar críticas à corporação durante sessão no STF a discurso de campanha

Autor

BRCOM