A Polícia Federal pediu ao Supremo Tribunal Federal mais 60 dias para concluir a investigação sobre as operações entre o Banco Master e o Banco de Brasília. O pedido chegou ao gabinete do ministro André Mendonça, relator do caso, e a expectativa é que ele autorize a extensão.
O caso envolve a atuação do BRB na tentativa de compra do Banco Master e na aquisição de carteiras de crédito da instituição de Daniel Vorcaro. Ao colicitar mais prazo, a PF diz ter encontrado suspeitas sobre mais diretores do BRB no inquérito que investiga a compra de carteiras de crédito fraudulentas do Banco Master, de Daniel Vorcaro. Os investigadores pretendem ouvir integrantes da diretoria que participaram da aprovação de operações financeiras com o Master.
O inquérito foi aberto a partir de documentos enviados pelo Banco Central, e já resultou na prisão do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. A PF aponta indícios de uma operação financeira de R$ 12,2 bilhões arquitetada pelo banco público e o Master por “pura camaradagem” como “tentativa de abafar a fiscalização” feita pelo Banco Central (BC). O executivo é suspeito de ter participado de um suposto esquema “esquema de lavagem de dinheiro para o pagamento de vantagens indevidas que teriam sido destinadas a agentes públicos” no escândalo do Banco Master. Ele nega qualquer irregularidade.
De acordo com o inquérito, o BRB realizou operações inconsistentes com o Master numa tentativa de dar uma sobrevivida à instituição financeira de Daniel Vorcaro enquanto o Banco Central analisava a proposta de venda do banco. Em março deste ano, o BRB propôs a compra do Master, mas o negócio foi vetado pelo BC.
Necessitando de recursos enquanto o BC avaliava a operação, o Master negociou com o BRB a venda de carteiras de crédito (direitos sobre empréstimos) para captar recursos — e ganhar um fôlego a mais no mercado. No entanto, para as autoridades, essa transação foi uma forma de driblar o Banco Central.
Em sua manifestação sobre o caso, o Ministério Público Federal afirmou que o Master “teria adquirido carteiras de crédito” de uma empresa dirigida por um ex-funcionário “sem realizar qualquer pagamento” e, logo em seguida, revendeu esses títulos ao BRB, recebendo pagamento imediato, “resultando na transferência, de janeiro a maio de 2025, de R$ 12,2 bilhões”.

