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novembro 5, 2026
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Piloto pode ter errado ao fazer a curva de aproximação para pouso de asa-delta em São Conrado

Por · novembro 4, 2026
Queda de asa-delta em São Conrado aconteceu em segundos; vídeo


Foram poucos segundos entre o início da perda de controle e o choque da asa-delta com a mureta, acidente que matou o turista argentino Adrian Guillermo Arismendi, de 26 anos, e o instrutor brasileiro Luiz Eduardo Rodrigues dos Santos, de 45 anos, anteontem pela manhã, em São Conrado, Zona Sul do Rio. Vídeos obtidos pelo GLOBO mostram a sequência do voo e ajudam a reconstituir os momentos que antecederam o impacto. As imagens estão sendo analisadas pela 15ª DP (Gávea), que investiga o caso, e pelo Clube São Conrado de Voo Livre, que irá fazer um laudo para auxiliar na apuração policial. Segundo o presidente da entidade, os vídeos mostram que não houve interferência metereológica, e sim um erro de avaliação na curva final para o pouso.
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Três câmeras gravaram o acidente: duas no próprio equipamento e uma terceira instalada na orla de São Conrado. As imagens mostram que Luiz Eduardo mostrava tranquilidade ao pilotar a asa-delta. Na avaliação de um experiente piloto ouvido pelo GLOBO, ele errou ao realizar a curva de aproximação da praia. O recomendado, explica esse instrutor, é pousar no ponto mais central possível entre a areia e o mar, mas ele acabou se aproximando muito do muro que divide a praia do calçadão. Ali, ao tentar fazer a manobra, perdeu o controle quando uma das pontas do equipamento bateu na areia.
Adrian Arismendi estava em um grupo de seis amigos argentinos, que chegaram ao Rio na véspera do acidente. Todos fizeram o voo duplo de asa-delta, e o jovem foi o último a decolar.
Voo de batismo
O Clube São Conrado de Voo Livre (CSCVL) suspendeu suas atividades ainda na segunda-feira. Ontem, quem chegava ao local em busca de um voo duplo encontrava as portas fechadas e os instrutores reunidos na entrada, oferecendo a experiência para outras datas — o valor varia de R$ 850 (pagamento em dinheiro ou Pix) a R$ 950 (cartão).
O clube estima que, só no ano passado, 60 mil voos foram feitos em São Conrado, movimentando cerca de R$ 60 milhões. A Agência Nacional de Aviação (Anac) regulamenta parcialmente a prática. Ela define regras básicas, como alguns limites das áreas de voo, para não haver problemas de invasão de rotas usadas por aviões e outras aeronaves, além de cobrar um cadastro do piloto de voo livre em associações credenciadas por ela. O regulamento também proíbe a venda de voos, salvo nos casos de serem de instrução.
Ao RJ2, o vice-presidente do clube, Bruno Menescal, admitiu que a comercialização de voos panorâmicos aproveita uma brecha legal nas regras da aviação.
— É o voo de batismo, a iniciação, o primeiro contato que a pessoa tem para saber se ela quer virar um piloto. Como a pessoa vai ter o contato inicial para saber se vai gostar ou não? Eu tenho que voar às vezes, experimentar, para saber se é isso que eu quero — reconheceu. — Então, é uma brecha utilizada em várias modalidades. E isso tem que ser revisto.
Em um ofício obtido pelo GLOBO, a Anac admitiu a baixa eficiência em fiscalizar o esporte. A Agência admite que “tal cenário evidencia a necessidade de reavaliação da estratégia de atuação em futuras diligências” e sugere fazer parceria com autoridades locais com mais capilaridade, como as polícias militares.
Procurada, a Anac reforça que a operação de asa-delta tem natureza aerodesportiva e ocorre por conta e risco dos envolvidos e que, “quando identificado o descumprimento das regras, pode adotar as medidas administrativas e sanções previstas na regulamentação, inclusive providências para interromper operações que representem risco à segurança”.
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