O policial militar Cláudio Marques dos Santos Barcellos está internado em estado grave no Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea, após ter sido baleado em uma tentativa de assalto ocorrida em Botafogo, na tarde de segunda-feira. Segundo a família, o agente foi atingido por três disparos, que continuam alojados em seu corpo. Ele está em coma induzido e entubado, à espera de uma nova cirurgia que pode ocorrer amanhã.
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Os três disparos, de acordo com Bruna Barcellos, esposa do policial, atingiram o abdômen — atingindo também alguns órgãos —, a clavícula e as costas. Todos os projéteis permanecem no corpo do policial, que passou por uma cirurgia ontem para conter o sangramento.
A ação ocorreu por volta das 13h, na esquina das ruas Visconde da Silva e Conde de Irajá, uma área movimentada. Três pessoas foram baleadas: o policial militar, que estava de folga; o pedestre que seria assaltado; e um dos suspeitos — Alexandre Zabeu, que morreu horas depois. O comparsa dele conseguiu fugir.
Casados há dez anos, a esposa destaca a paixão do agente pela profissão e afirma que ele viajará para Cabo no fim do ano. Juntos, os dois têm um filho, Heitor, de 4 anos, que ainda não sabe da internação do pai. Apesar da preocupação da família, Bruna afirma que “faz parte do instinto dele proteger pessoas”.
— Por mais que a gente sempre aconselhe: “Toma cuidado, presta atenção, tá perigoso”, é o jeito dele, né? Ele é um cidadão de bem, apenas servindo e protegendo a população, que é o dever dele, mesmo de folga. Foi isso que ele fez na segunda-feira. Qualquer pessoa que você perguntar que conheça ele não vai dizer o contrário — diz Bruna.
Segundo testemunhas que estavam no local, um pedestre estava na calçada quando dois homens em uma motocicleta se aproximaram e anunciaram o assalto. Cláudio, que estava de folga e pilotava outra moto, viu a ação e reagiu. Houve troca de tiros imediatamente.
A irmã, Gisele Barcellos, o chama carinhosamente de Claudinho e brinca que, muitas vezes, o agente “parece até Super-Homem”. Ela conta que a família se preocupa, mas não espera outra postura do irmão que não seja proteger a população.
— Claudinho é isso aí que todo mundo pôde ver. Sempre foi assim. Ele tem um instinto de super-herói. Às vezes a gente até briga com ele, mas não espera outra coisa. A gente sabe que ele não deixaria passar uma cena dessas (de assalto). Sempre defendeu a família e agora está defendendo além — conta.
Após o tiroteio, o policial ferido foi socorrido por um homem chamado Rômulo, que passava pelo local e o levou para o hospital antes mesmo da chegada da ambulância. A esposa conta que Cláudio chegou ao pronto-socorro muito antes dos outros feridos. Ela agradece ao rapaz e afirma que, se ele não estivesse lá, talvez o marido não estivesse vivo.
— O rapaz passou, colocou ele dentro do carro e trouxe para o hospital. Graças a ele, o Cláudio está vivo, porque a ambulância só chegou 40 minutos depois. Ele ficou com a gente no hospital como se fosse da família — diz.
Alexandre Zabeu Menezes de Almeida, de 28 anos, suspeito de participar de uma tentativa de assalto que terminou em intenso tiroteio em Botafogo, na Zona Sul do Rio, na segunda-feira, morreu nesta terça. Ele estava internado no Hospital Municipal Miguel Couto, na Leblon, mas, segundo a direção da unidade, não resistiu aos ferimentos. Outro ferido, o pedestre que era vítima do roubo, identificado como Leandro Rodrigues, foi transferido para uma unidade particular. O estado de saúde dele não foi informado.
Enquanto Alexandre Zabeu foi baleado, o outro suspeito conseguiu fugir. De acordo com uma testemunha, ele teria roubado o carro de uma mulher em uma rua próxima durante a fuga.
Agentes do Instituto Carlos Éboli recolheram ao menos 13 projéteis ao longo da rua. Um deles atingiu a parede de uma padaria em frente ao local do tiroteio. A perícia também buscou digitais na motocicleta usada pelos assaltantes. A polícia apreendeu a motocicleta utilizada no crime e uma pistola calibre 9 mm.
*Estagiária sob supervisão de Cláudia Meneses.

