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De acordo com Rômulo Labronici, pesquisador do Instituto de Estudos Comparados em Administração de Conflitos da Universidade Federal Fluminense (InEAC – UFF) e estudioso do jogo do bicho desde 2010, o primeiro fator para explicar o fenômeno é a geografia da Barra da Tijuca, marcada por grandes avenidas e vias largas, que favorecem a fuga após os atentados. A forte presença de contraventores nessa área, onde muitos optaram por residir ou fazer atividades do dia a dia, como exercícios físicos ou compras, também contribuem para a frequência com que são alvejados por inimigos no bairro. Labroinci explica que as emboscadas costuma acontecer justamente neste momento, quando eles estão fazendo atividades de rotina.
— Vinicius estava saindo da academia. Assim como o Maninho, o Mirinho… Os espaços que eles frequentam acabam por ser espaços de conflito — observa o pesquisador.
E o que faz da Barra tão atrativa para os banqueiros? Para Labroinci, essas pessoas exigem um esquema de segurança que se encaixa na estrutura do bairro, marcado por condomínios de luxo e uma ocupação espalhada, onde até atividades simples demandam o uso de carro.
— É muito diferente do estilo de vida no Centro ou Zona Sul, por exemplo — pondera.
Ele ressalta ainda que, diferentemente das gerações mais antigas do jogo do bicho, que moravam perto de seus pontos — a exemplo de Castor de Andrade e Piruinha —, a nova geração terceiriza a parte operacional dos negócios ilegais e os controla de longe.
— Eles ficam em um plano político da gestão. Faz sentido que componham a elite local da Barra da Tijuca, que é um bairro marcado pela presença de emergentes, os “novos ricos” — diz.
Relembre dez atentados a bicheiros na região:
Em 1998, Paulo Roberto de Andrade, o Paulinho — filho de Castor de Andrade — foi morto com dez tiros na Barra da Tijuca. O ex-PM Jadir Simeone confessou o crime e apontou Rogério Andrade, sobrinho de Castor e primo da vítima, como mandante. A execução marca o início da guerra entre Rogério Andrade e Fernando Iggnácio, genro de Castor.
Em 2001, Rogério Andrade foi atacado por um fuzileiro naval da reserva na porta do apart-hotel onde sua então namorada morava, também na Barra da Tijuca. O agressor, Eduardo Oliveira da Silva, confessou que receberia R$ 20 mil para executar o crime, e havia feito uma ligação para Fernando Iggnácio antes da tentativa. Os dois brigaram no local, a arma falhou e Rogério escapou.
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Já em 2004, o assassinato de Maninho marcou o início de uma guerra interna na família Garcia. Patrono do Salgueiro, Waldemir Paes Garcia foi morto com quatro tiros de fuzil na Freguesia, quando estava com o filho Myro, então com 15 anos, na garupa da moto. O adolescente sobreviveu. Maninho era um dos chefes do jogo do bicho no Rio e filho de Miro Garcia, que morreu 34 dias depois, de enfisema. A morte de Maninho nunca foi esclarecida.
Em 2010, o ex-chefe de segurança de Rogério Andrade foi morto a tiros enquanto pilotava uma moto na orla da Barra. Rogério foi acusado de mandar matá-lo por suspeitar do envolvimento do ex-segurança na morte de Diogo Andrade, seu filho. No mesmo ano, uma granada, supostamente encomendada por Fernando Iggnácio, detonou o carro de Rogério no Recreio dos Bandeirantes. Diogo, então com 17 anos, e um segurança morreram no local.
Em 2017, o filho caçula de Maninho, Myro, foi sequestrado ao sair da academia, também na Barra. Mesmo após o pagamento do resgate, foi assassinado. Bernardo Bello é investigado como mandante. Ainda naquele ano, Rogério Andrade e sua esposa foram atacados a tiros dentro do condomínio onde moravam, também na Barra.
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Dois anos depois, em 2019, quem sofreu um atentado foi Shanna Garcia, filha de Maninho. Ela foi baleada em seu carro, na Barra da Tijuca, mas sobreviveu. Com a morte do pai, Shanna se tornou um alvo recorrente na disputa pela herança.
Em fevereiro de 2020, Alcebíades Paes Garcia, o “Bid”, irmão do conhecido bicheiro Maninho, foi fuzilado com cerca de 40 tiros ao chegar ao seu condomínio na Barra da Tijuca. Segundo o Ministério Público, o crime foi encomendado por Bernardo Bello e executado pelo seu braço-direito, Wagner Dantas Alegre.
Por fim, na sexta-feira (11), aconteceu a tentativa de execução de Vinicius Drummond, na Avenida das Américas, na Barra. O seu carro era blindado e ele escapou com leves escoriações.