Depois de um período com as linhas de expressão suavizadas, perceber novamente as marcas na testa ao levantar as sobrancelhas ou ao redor dos olhos durante o sorriso pode causar estranhamento. Para algumas pessoas, o retorno desses sinais levanta a dúvida sobre um possível “efeito rebote” após interromper as aplicações de toxina botulínica. A percepção, no entanto, envolve fatores como a retomada dos movimentos faciais e as mudanças naturais da pele ao longo do tempo.
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A toxina botulínica atua temporariamente na contração dos músculos em que é aplicada, reduzindo a formação de determinadas linhas durante as expressões. Com o fim do efeito, os movimentos voltam gradualmente, e as marcas que aparecem ao franzir a testa ou sorrir podem se tornar visíveis novamente. Depois de meses com essas dobras menos evidentes, a diferença pode chamar mais atenção.
Segundo a dermatologista Joana Petito Magnavita, da Harmonize Gold, é importante considerar o período usado como referência para avaliar essa mudança.
“Uma coisa é comparar o rosto com o resultado da última aplicação; outra é comparar com uma fotografia de cinco ou dez anos atrás. Nesse período, a pele também mudou. A toxina suaviza determinadas linhas, mas não suspende o envelhecimento. Quando o efeito termina, precisamos separar o que é retorno do movimento daquilo que mudou na pele ao longo dos anos”, explica.
O que muda ao trocar a toxina por bioestimuladores?
Para quem decide interromper as aplicações, os bioestimuladores de colágeno podem surgir como uma alternativa dentro de uma rotina de cuidados estéticos. Os tratamentos, porém, têm objetivos diferentes: enquanto a toxina botulínica atua na contração muscular, os bioestimuladores são utilizados para favorecer a produção de colágeno e contribuir para a firmeza da pele.
Essa distinção é importante porque as queixas nem sempre estão relacionadas ao mesmo fator. As linhas que aparecem durante uma expressão, as marcas visíveis mesmo com o rosto em repouso e a perda de firmeza exigem avaliações distintas. A escolha de um procedimento depende do que a pessoa deseja tratar e das características da pele.
“O colágeno participa da resistência e da sustentação do tecido. Com o envelhecimento, suas fibras passam por alterações de quantidade e organização, e a pele pode perder firmeza mesmo quando a movimentação muscular está controlada. Quem deixa a toxina e escolhe a bioestimulação passa a buscar outro tipo de resultado, que não depende de manter os músculos com a contração reduzida”, afirma Joana.
Como avaliar as mudanças na pele
Os efeitos dos bioestimuladores se desenvolvem gradualmente, à medida que o organismo responde ao estímulo. Por isso, a avaliação considera a evolução da firmeza e da qualidade da pele ao longo do tempo, sem a expectativa de uma mudança imediata.
A comparação de fotografias também pode ajudar a observar essas alterações, desde que as imagens tenham condições semelhantes de iluminação, posição e expressão facial. Uma testa franzida ou um sorriso mais aberto, por exemplo, pode deixar determinadas linhas mais evidentes, sem que isso indique, isoladamente, uma piora na qualidade da pele.
Na avaliação da dermatologista, o planejamento deve levar em conta tanto as queixas quanto as características que a pessoa deseja preservar.
“Uma pessoa pode querer preservar as linhas que aparecem ao sorrir e, ao mesmo tempo, tratar a perda de firmeza que percebe nas bochechas. Antes de escolher o procedimento, precisamos entender se a queixa é o movimento, uma marca que permanece em repouso ou a perda de sustentação. Cada uma dessas situações muda o objetivo do cuidado”, conclui.
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